Elas estavam agachadas atrás de um tronco grosso de carvalho, camufladas pelas sombras densas da floresta. Lá embaixo, o Salgueiro Lutador estava imóvel, congelado. O túnel ainda estava silencioso. Faltavam dez minutos para que seus "eus" do passado, junto com Harry, Ron, Sirius e Lupin, saíssem da árvore.
O frio da noite escocesa era cortante, mas Natasha não tremia. A adrenalina e o treinamento mantinham seu sangue quente. Hermione estava verificando o relógio a cada trinta segundos, ansiosa com a proximidade do paradoxo temporal. Emma, no entanto, não olhava para o relógio. Ela olhava para o pequeno rastreador prateado na mão de Natasha.
— Mãe... — Emma sussurrou, quebrando o silêncio tático.
Natasha virou o rosto. Mesmo na penumbra, ela viu que os olhos verdes da filha não estavam focados na missão. Estavam focados nela. — Diga, Em.
Emma abraçou os próprios joelhos, encolhendo-se contra o frio e contra o peso do que ia dizer. — Você sabe que isso... — ela apontou para o rastreador — ...é apenas um adiamento, não é? — Você sabe que não pode impedir o Lorde das Trevas de voltar. Não para sempre.
Natasha suspirou. O som foi longo, cansado, soltando a tensão dos ombros feridos. Ela olhou para a menina. Para o mundo, Natasha Romanoff era a Viúva Negra. Era a lenda, a assassina, a Diretora intocável. Mas para Emma... para essa menina de cabelos ruivos e queixo teimoso, Natasha nunca tinha sido a espiã. Ela tinha sido apenas a mão que segurava quando tinha pesadelos, a voz que ensinava matemática, o colo seguro.
Natasha deixou a máscara cair completamente. — Eu sei — ela admitiu, a voz tingida de uma dor honesta que ela raramente mostrava. — A magia dele é antiga, Emma. O ódio dele é persistente. Ratos como o Pettigrew sempre encontram um jeito de roer as cordas.
Emma desviou o olhar para o Salgueiro. — Eu não estou com medo dele — Emma disse, baixo. — Eu sei lutar. O Harry sabe lutar.
Ela voltou os olhos para Natasha. E ali, a armadura da menina prodígio rachou. O lábio inferior dela tremeu. — Eu tenho medo é de você.
Natasha franziu a testa, confusa. — De mim?
— Dessa sua mania — Emma acusou, a voz embargada, mas firme. — Essa sua mania de achar que é imortal. De se jogar de penhascos. De enfrentar lobisomens com facas. De achar que o seu corpo é um escudo descartável para nós.
Uma lágrima solitária escorreu pelo rosto sujo de Emma. — Eu já perdi uma mãe, Natasha. Eu não lembro dela, mas eu sinto a falta dela todo dia. — Eu não quero ficar sem mãe de novo. E o meu medo... o meu maior medo não é o Voldemort voltar. É ele voltar e você se jogar na frente de uma maldição para salvar o mundo, achando que a gente consegue viver sem você.
As palavras atingiram Natasha com mais força do que o impacto do Lobisomem no penhasco. O medo de Emma não era morrer. Era ficar sozinha. Era ser órfã pela segunda vez.
Natasha sentiu um nó na garganta. Ela olhou para as mãos — mãos que tiraram tantas vidas, mas que lutaram tanto para preservar a daquela menina. Ela estendeu a mão boa e puxou Emma, ignorando a dor nas costelas, fazendo a filha se aninhar ao seu lado. Emma deitou a cabeça no ombro da mãe, soltando um suspiro trêmulo, agarrando a jaqueta de couro rasgada como se fosse uma âncora.
— Escute, Em — Natasha sussurrou, encostando o queixo no topo da cabeça da filha. — Eu não sou imortal. Longe disso. Eu sangro, eu quebro, eu sinto dor. — Mas o meu trabalho... a minha única missão verdadeira desde que eu te tirei daquele berço... é garantir que você tenha uma vida. Que você cresça. Que você seja feliz.
Natasha olhou para a lua que começava a aparecer entre as nuvens. — Se para garantir isso... se para garantir que você e o Harry tenham um futuro... eu tiver que pagar o preço final? — Natasha beijou a cabeça dela. — Eu pagaria mil vezes. Sem hesitar.
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Daughter of No One
FanfictionHarry e Emma Potter cresceram acreditando que eram normais, insignificantes e indesejados pelos tios que os criaram. Sob a escada da Rua dos Alfeneiros, n.º 4, eles dividiam o escuro, a fome e o silêncio, sem saber que seus nomes eram lendas em um m...
