Capitulo 33

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Esconderijo Seguro da S.H.I.E.L.D. Montmartre, Paris.
Paris estava chuvosa e cinzenta, mas a vista da janela do apartamento seguro, com a Basílica de Sacré-Cœur ao fundo, ainda era romântica. Ou seria, se o apartamento não estivesse cheio de equipamentos de vigilância tática e caixas de munição.
A equipe estava em "tempo de inatividade" enquanto esperavam o alvo — um traficante de armas da I.M.A. — se mover.
Tony e Thor tinham ido "comprar croissants" (o que provavelmente significava que Tony estava comprando a padaria inteira). Bruce estava dormindo no quarto dos fundos.
Na sala principal, Steve Rogers estava debruçado sobre um mapa da cidade espalhado na mesa de jantar. Ele traçava rotas de fuga com um lápis, a testa franzida em concentração.
Natasha entrou na sala, vindo do banho, com os cabelos ruivos úmidos e vestindo uma camiseta preta simples e calça de moletom.
Ela parou atrás de Steve, observando os ombros largos dele tencionados sobre o mapa.
— Você precisa relaxar, Capitão — sussurrou ela, passando os braços ao redor da cintura dele por trás e apoiando o queixo no ombro dele. — O alvo não vai sair do hotel antes do anoitecer.
Steve suspirou, relaxando instantaneamente ao toque dela. Ele largou o lápis e virou a cabeça, roçando o nariz na bochecha dela.
— Eu só quero garantir que não haja surpresas, Nat.
— A única surpresa que eu quero agora é saber se você beija tão bem em francês quanto em inglês.
Steve riu baixo, girando nos braços dela para ficar de frente. Ele a puxou para perto, imprensando-a levemente contra a borda da mesa.
— Mademoiselle, eu sou um homem de muitos talentos.
Ele a beijou.
Não foi um beijo tático. Foi um beijo lento, profundo e cheio de uma intimidade que crescia a cada missão. As mãos de Steve subiram para a nuca de Natasha, os dedos entrelaçados nos cabelos úmidos. Natasha puxou a camiseta dele, sentindo o calor da pele.
O beijo esquentou. Steve a levantou pela cintura, colocando-a sentada na mesa, afastando o mapa de Paris com um movimento descuidado do braço. Natasha envolveu as pernas na cintura dele, puxando-o para mais perto, esquecendo completamente da I.M.A., do mapa e da porta da frente.
— Ahem.
O som de alguém limpando a garganta foi alto e propositalmente constrangedor.
Steve se afastou de Natasha com uma velocidade sobre-humana, quase derrubando uma cadeira no processo. Ele ficou vermelho até a raiz dos cabelos, ajeitando a camiseta freneticamente e pegando o lápis como se fosse uma arma.
— Clint! — exclamou Steve, a voz falhando uma oitava. — Eu... nós estávamos... revisando a extração tática.
Clint Barton estava parado na porta, encostado no batente, comendo uma maçã com uma expressão de puro divertimento.
Natasha continuou sentada na mesa. Ela não se mexeu. Ela apenas passou o polegar no lábio inferior, limpando um pouco de umidade, e sorriu calmamente para o melhor amigo.
— A extração estava indo muito bem, obrigada — disse ela.
— Eu imagino — disse Clint, mastigando a maçã. — O Capitão parecia muito engajado na... topografia.
Steve parecia que queria cavar um buraco no chão de madeira e se esconder lá até 2050.
— Barton, não é o que você está pensando — tentou Steve, a honra dos anos 40 gritando em pânico. — Eu jamais desrespeitaria a Natasha ou a equipe...
— Steve — interrompeu Natasha, descendo da mesa com elegância. Ela caminhou até ele e colocou a mão no braço dele. — Relaxa. O Clint sabe.
Steve parou. Ele olhou de Natasha para Clint, e de volta para Natasha.
— Ele... sabe?
— Eu contei pra ele — disse Natasha, tranquila. — Na fazenda.
Steve olhou para Clint, esperando julgamento ou uma piada suja. Mas Clint apenas deu de ombros e jogou outra maçã para Steve, que a pegou no ar por reflexo.
— Fica tranquilo, Cap — disse Clint. — Eu sou "Time Nat". Se ela está feliz, eu estou feliz. E, sinceramente? Já estava na hora de alguém tirar as teias de aranha do seu sistema.
Steve ficou ainda mais vermelho, se é que isso era possível, mas soltou um suspiro de alívio.
— Obrigado, Barton.
— Só não façam isso no sofá — avisou Clint, apontando com a maçã. — Eu durmo naquele sofá. Tenham piedade.
Natasha riu e deu um tapa no braço de Clint ao passar por ele.
— Pode deixar, Gavião. Vamos nos restringir a superfícies laváveis.
Steve engasgou com a própria saliva.
Natasha foi até sua mochila tática no canto da sala e tirou um bloco de papel e uma caneta.
— Onde você vai? — perguntou Steve, recuperando a compostura.
— Vou para o quarto escrever — disse Natasha. — Hoje sai o correio diplomático da embaixada. Preciso mandar uma carta para a Emma.
O sorriso malicioso sumiu do rosto dela, substituído por aquela suavidade que Steve estava aprendendo a amar.
— Já faz uma semana que não escrevo. Ela deve estar achando que fui sequestrada por mímicos assassinos.
— Mande um oi para ela por mim — pediu Steve.
— E por mim — disse Clint. — Diga a ela que se o Malfoy incomodar, é só mirar no joelho.
— Nada de joelhos — corrigiu Natasha, séria. — Nariz. Sangra mais e assusta o oponente.
Ela piscou para Steve e entrou no quarto, fechando a porta.
Steve ficou na sala, segurando a maçã, olhando para a porta fechada com um sorriso bobo.
— Você está caidinho por ela, não está? — comentou Clint, baixo.
Steve olhou para o mapa de Paris, depois para Clint.
— Ela é... complicada, Clint.
— As melhores são — concordou o arqueiro. — Só não estrague tudo, Rogers. Ou eu vou ter que mirar no seu joelho.
Steve riu e mordeu a maçã.
— Entendido.
No quarto, Natasha sentou-se na cama estreita. O barulho da chuva em Paris batia na janela. Ela pegou a caneta.
Querida Emma,
Paris é linda, mas chove mais do que em Londres. O tio Steve está aprendendo a comer queijos que fedem a meia suja, e o tio Clint está reclamando que não tem flechas suficientes...
Ela sorriu enquanto escrevia, a espiã letal desaparecendo, restando apenas a mãe que sentia saudade.

Daughter of No OneOnde histórias criam vida. Descubra agora