Refeitório Principal. Fortaleza Aérea da Sala Vermelha. 12:00.
O refeitório não parecia um lugar onde seres humanos comiam. Parecia uma linha de montagem em pausa. Cinquenta viúvas estavam sentadas em longas mesas de metal. Elas comiam uma pasta nutricional cinzenta, rica em proteínas e supressores hormonais, em sincronia perfeita. Ninguém conversava. Ninguém olhava para o lado. O único som era o tinir suave de colheres de metal contra as tigelas e o zumbido constante dos motores da fortaleza.
Natasha estava sentada na ponta da mesa principal. A Viúva "Alpha". Ela levava a colher à boca mecanicamente. Mastigar. Engolir. Repetir. A mente dela estava vazia. Um lago congelado.
Até que o gelo estalou.
Não houve aviso. Enquanto ela olhava para o reflexo distorcido na colher, uma imagem explodiu atrás de seus olhos. Vermelho. Não o vermelho da sala, mas um vermelho vivo, brilhante. Cabelo ruivo ao sol. Um sorriso. Um sorriso. Um som. Uma voz de criança, doce e urgente, gritando uma única palavra: "Mãe!"
ZUNNNG!
Natasha largou a colher. O metal bateu na mesa com um clangor que ecoou como um tiro no refeitório silencioso. Ela levou as mãos à cabeça, os dedos se enterrando no couro cabeludo, puxando a trança apertada. — Aaargh... — um gemido baixo, rouco de dor, escapou de sua garganta.
A dor não era física; era existencial. Era como se o cérebro dela estivesse tentando rejeitar um transplante. O condicionamento lutava contra a memória, e o campo de batalha era o sistema nervoso dela.
O silêncio no refeitório mudou. Deixou de ser disciplinado e passou a ser tenso. Todas as Viúvas pararam de comer, mas nenhuma olhou. Elas sabiam que olhar para uma falha era perigoso.
Dois treinadores — homens grandes, blindados, armados com bastões de choque — que vigiavam as portas, notaram a quebra de protocolo. Eles marcharam até a mesa dela.
— Viúva — o primeiro treinador disse, a voz abafada pelo capacete tático. — Levante-se.
Natasha continuou segurando a cabeça, a respiração ofegante. A imagem da menina ruiva piscava como um letreiro neon defeituoso em sua mente. Emma. Emma. Emma. — Saiam... — ela sussurrou, trêmula.
— O General Dreykov solicita sua presença para... recalibração — o treinador disse, estendendo a mão para agarrar o braço dela.
Recalibração. A palavra atravessou a névoa de dor como um raio. Recalibração significava a Cadeira. Significava o protetor bucal de borracha. Significa a eletricidade fritando seu crânio. Significa esquecer a menina ruiva de novo.
— Não! — Natasha rosnou.
O medo primal superou a obediência. Quando o treinador tocou no ombro dela, a Viúva Negra reagiu. Ela não se levantou; ela explodiu da cadeira.
Ela agarrou o pulso do homem, torceu-o até ouvir o osso estalar e usou o braço dele para bloquear o golpe de bastão do segundo guarda. CRACK. Ela chutou a lateral do joelho do primeiro, derrubando-o. O segundo tentou ativar o choque. Natasha girou, pegou a cabeça dele entre as coxas e usou a força do quadril para arremessá-lo contra a mesa de metal. Ele bateu com força, amassando a superfície e caindo inconsciente. O primeiro tentou se levantar. Natasha pisou na garganta dele com a bota tática, pressionando apenas o suficiente para cortar o ar, mas pronta para esmagar a traqueia.
Dez segundos. Dois homens armados no chão. O refeitório inteiro estava paralisado.
Natasha estava de pé sobre eles, o peito subindo e descendo, os olhos selvagens, procurando uma saída, procurando uma arma, procurando...
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Daughter of No One
FanfictionHarry e Emma Potter cresceram acreditando que eram normais, insignificantes e indesejados pelos tios que os criaram. Sob a escada da Rua dos Alfeneiros, n.º 4, eles dividiam o escuro, a fome e o silêncio, sem saber que seus nomes eram lendas em um m...
