Capítulo 140

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O Pesadelo.

Não era a Sala Vermelha. Era a cozinha da cobertura de Natasha. Mas as paredes não eram pintadas; eram feitas de carne viva e metal enferrujado. Emma estava sentada no banco alto da ilha. Mas ela não estava comendo pizza. Ela estava amarrada. Fios pretos entravam por baixo da pele pálida do pescoço da menina, pulsando com uma luz vermelha doentia.

Dreykov estava do outro lado do balcão, cortando um bife. O som da faca raspando no prato era ensurdecedor. Scrrritch. Scrrritch. Ele levantou os olhos. Ele não tinha olhos, apenas buracos negros vazios.

Natalia... — a voz dele não vinha da boca, vinha de dentro do cérebro dela, como um parasita. — Veja o que você fez. Você trouxe a sujeira para dentro de casa.

Natasha tentou correr até Emma, mas seus pés estavam presos no chão, afundados em poças de sangue grosso e pegajoso. — Solta ela! — Natasha gritou, mas não saiu som. Ela estava muda.

Dreykov sorriu. Ele largou a faca e segurou a cabeça de Emma. — Nós podemos fazer um trato, Aranha, — ele sussurrou. — A menina fica livre. O Soldado fica livre. Eles nunca mais sentirão dor. Ele estendeu a mão para Natasha. — Mas você tem que voltar. Você tem que se sentar na cadeira. Para sempre. Você me dá a sua mente, e eu devolvo a vida dela.

Emma começou a chorar. Lágrimas de sangue preto. — Mãe, não... — Emma implorou.

Escolha, Natalia! — Dreykov rugiu. — A sua alma pela dela! Se entregue!

Natasha olhou para a filha se contorcendo. A dor de ver Emma sofrer era maior que qualquer tortura física. — EU ME ENTREGO! — Natasha gritou, finalmente recuperando a voz. — LEVE A MIM! SALVE ELA!

Dreykov riu. — Tarde demais.

Ele estalou os dedos. A cabeça de Emma caiu para o lado, sem vida.

Suíte Principal. 03:15 da Manhã.

— NÃO!!!

O grito rasgou a garganta de Natasha antes mesmo de ela abrir os olhos. Foi um som gutural, animalesco, de puro terror. Ela se sentou na cama com violência, o corpo encharcado de suor frio, as mãos agarrando o ar, tentando segurar a filha que tinha morrido em seu sonho.

O quarto estava escuro e silencioso. Mas o silêncio era pior. O silêncio significava que Emma não estava ali. A realidade demorou a se assentar. O coração de Natasha batia tão forte que doía nas costelas, um tambor frenético de pânico. Emma. Emma. Emma.

Ela não pensou. Ela não colocou os chinelos. Ela pulou da cama, tropeçando nos lençóis, e correu. Correu pelo corredor escuro da cobertura como se estivesse fugindo de uma explosão.

Ela chegou à porta do quarto de hóspedes. Abriu a porta com um estrondo, a respiração saindo em arfadas desesperadas.

— Emma?!

A menina estava sentada na cama, com os olhos arregalados, segurando o edredom contra o peito. O grito da mãe a tinha acordado em pânico. — Mãe?! O que foi?! Tem alguém aqui?! — Emma olhou para a janela, procurando invasores, a mão já procurando a varinha na mesa de cabeceira.

Natasha não respondeu. Ela atravessou o quarto em dois passos largos. Ela se jogou na cama, sentando-se ao lado da filha. As mãos trêmulas de Natasha foram direto para o rosto de Emma. Ela tocou as bochechas quentes. Tocou o pescoço, sentindo o pulso forte e rápido da menina. Tocou os ombros, os braços. Sólida. Viva. Quente. Aqui.

— Você está bem... você está bem... — Natasha sussurrou, a voz quebrada pelo choro que começava a subir incontrolável.

Emma, percebendo que não havia invasores, mas que o monstro estava dentro da cabeça da mãe, soltou a varinha e segurou os pulsos de Natasha. — Mãe, eu tô aqui. Foi um pesadelo. Eu tô aqui.

Daughter of No OneHistórias para pegar e não largar. Descubra agora