Capítulo 160

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O Salão Principal. 31 de Outubro. Festa de Halloween.

O Salão Principal estava mergulhado em uma penumbra dourada e laranja, iluminado por milhares de abóboras flutuantes e pelas chamas azuis e brancas do Cálice de Fogo, que repousava no centro do estrado dos professores. O banquete tinha terminado. Os pratos de ouro estavam limpos. A tensão no ar era palpável, quase elétrica. Hoje era a noite. A noite da Seleção.

Natasha Romanoff não estava sentada. Como Regente de Segurança, ela estava de pé na lateral do estrado, vestindo um conjunto de calça e blazer preto, com os braços cruzados e os olhos varrendo o salão. Apesar da postura rígida, seus olhos se suavizaram por um momento quando pousaram na mesa da Grifinória.

Emma e Hermione estavam sentadas juntas, com as cabeças inclinadas uma em direção à outra, sussurrando. Natasha seguiu a linha de visão delas. Elas não estavam olhando para o Cálice. Elas estavam olhando para a mesa da Sonserina, onde os alunos de Durmstrang estavam sentados. Mais especificamente, para Viktor Krum.

Emma disse algo no ouvido de Hermione, e a garota de cabelos castanhos, geralmente tão séria e focada nos estudos, cobriu a boca com a mão para abafar uma risadinha, as bochechas ficando coradas. Emma sorriu, ajeitando o cabelo ruivo atrás da orelha. Natasha sentiu uma pontada estranha no peito. Não era o chip. Era... o tempo. Sua filha estava crescendo. Aquela menininha que ela tirou do armário sob a escada estava agora cochichando sobre garotos búlgaros famosos. Era um momento de normalidade tão doce que Natasha desejou poder congelá-lo.

Ao lado delas, Harry e Ron pareciam alheios aos interesses românticos, focados inteiramente no Cálice de Fogo.

Dumbledore levantou-se. O salão ficou em silêncio absoluto. — O Cálice de Fogo está quase pronto para tomar sua decisão — disse Dumbledore. — Estimo que falte apenas um minuto. Quando os nomes dos campeões forem chamados, eu pediria que eles viessem até a frente do salão, passassem pela mesa dos professores e entrassem na câmara ao lado — ele indicou a porta atrás da mesa dos professores — onde receberão as primeiras instruções.

Ele sacou a varinha e fez um movimento amplo. Todas as velas das abóboras se apagaram, mergulhando o salão numa semi-escuridão, quebrada apenas pelo brilho intenso e azulado do Cálice.

De repente, as chamas dentro do Cálice ficaram vermelhas. Faíscas voaram. Uma língua de fogo subiu ao ar e cuspiu um pedaço de pergaminho chamuscado. O salão prendeu a respiração. Dumbledore apanhou o papel no ar. A chama voltou ao azul.

— O campeão de Durmstrang — leu ele, com voz forte — será Viktor Krum.

Um rugido de aprovação varreu o salão. Emma e Hermione bateram palmas educadas, mas entusiásticas. Natasha viu Karkaroff gritando de orgulho. Krum levantou-se, curvado e carrancudo, e marchou para a câmara lateral.

O silêncio caiu novamente. O Cálice ficou vermelho. Segundo papel. — A campeã de Beauxbatons — anunciou Dumbledore — é Fleur Delacour.

A garota loira e deslumbrante levantou-se da mesa da Corvinal, jogando os cabelos para trás com um ar de superioridade, e seguiu Krum. Algumas garotas de Beauxbatons choravam de decepção.

O Cálice avermelhou-se uma terceira vez. O barulho da torcida de Hogwarts era ensurdecedor antes mesmo do nome ser lido. — O campeão de Hogwarts — Dumbledore gritou — é Cedric Diggory!

A mesa da Lufa-Lufa explodiu. Natasha viu Cedric, com seu sorriso modesto e bonito, ser empurrado pelos amigos. Ele caminhou até a câmara, radiante.

Dumbledore sorria. — Excelente! — disse ele alegremente. — Agora temos os nossos três campeões. Estou certo de que posso contar com todos vocês, inclusive com os alunos de Beauxbatons e Durmstrang, para dar aos seus campeões todo o suporte necessário...

Daughter of No OneOnde histórias criam vida. Descubra agora