Espaço Aéreo Internacional. Próximo à Fronteira Húngara. 13:40.
A cabine estava silenciosa, exceto pelo zumbido constante das turbinas. O jato da MI6 cortava as nuvens a 800 km/h. Natasha estava sentada na poltrona de couro creme, olhando para o nada. A bolsa mágica de Minerva estava no banco ao lado, junto com o arquivo de Mallory. A ressaca ainda estava lá, uma pulsação surda na base do crânio, mas a dor emocional era maior.
— Foda-se — ela murmurou.
Ela se levantou, caminhou até o bar (ignorando os cacos de vidro que ela mesma tinha quebrado horas antes no surto de raiva) e pegou uma garrafa de uísque que tinha sobrevivido. Ela encheu um copo de cristal até a borda. Ela voltou para a poltrona e colocou o copo na mesa à sua frente. O líquido âmbar tremia levemente com a vibração do avião. Ela tomou um gole curto. O álcool queimou a garganta, anestesiando a borda afiada dos seus nervos. Ela suspirou, apoiando o cotovelo na mesa e descansando a testa na mão, fechando os olhos.
Foi então que ela ouviu. Não foi um estrondo. Foi um som seco. Thwp-Thwp. Como algo perfurando metal em alta velocidade.
O avião deu um solavanco violento, não para cima ou para baixo como numa turbulência, mas para o lado, como se tivesse levado um tapa de um gigante. O copo de uísque deslizou e caiu no chão, estilhaçando.
Natasha abriu os olhos. O instinto gritou antes do cérebro. Isso não é vento.
Ela se soltou do cinto e correu pelo corredor em direção à cabine de comando. O avião começou a inclinar perigosamente o nariz para baixo. — Smith? Jones? — ela gritou, batendo na porta da cabine.
Sem resposta. Ela digitou o código de emergência e a porta se abriu. O vento gélido e ensurdecedor invadiu o corredor.
A parte frontal do vidro blindado da cabine tinha dois buracos perfeitos, do tamanho de moedas. Os dois pilotos estavam mortos em seus assentos. Tiros de precisão cirúrgica. Munição perfurante de longo alcance. O sangue manchava o painel de controle branco.
O avião estava em queda livre.
— Merda! — Natasha gritou, pulando sobre o corpo do copiloto e agarrando o manche.
Ela puxou com força, tentando nivelar a aeronave. A fuselagem gemia, o metal protestando contra a gravidade. Ela bateu a mão no botão vermelho de comunicação no painel.
— Q! — ela berrou. — Q, na escuta! Agora!
A voz de Q surgiu nos alto-falantes, crepitando com estática e pânico. — Diretora? Meus sensores indicam despressurização e perda de altitude! O que está acontecendo?
— Meus pilotos estão mortos! — Natasha rosnou, lutando com o manche enquanto o horizonte girava loucamente lá fora. — Estou sendo atacada. Eu preciso de olhos! Quantos são? Onde eles estão?
Houve um segundo de silêncio enquanto Q acessava o satélite. — Meu Deus... Natasha, eles não aparecem no radar convencional. São assinaturas fantasmas. Eu conto... três. Três jatos de combate não identificados na sua cauda. Eles estão usando camuflagem ativa.
Três. Dreykov não tinha mandado um assassino. Ele tinha mandado um esquadrão de execução.
— Boom! Uma explosão sacudiu a asa direita. O jato girou violentamente. Os alarmes de "FOGO NO MOTOR 2" começaram a berrar. Natasha olhou pela janela lateral. A asa estava em chamas, soltando fumaça preta. E lá fora, surgindo das nuvens como tubarões metálicos, ela viu os três jatos negros. Eles não tinham insígnias. Apenas o design aerodinâmico e letal da tecnologia soviética moderna.
VOCÊ ESTÁ LENDO
Daughter of No One
FanfictionHarry e Emma Potter cresceram acreditando que eram normais, insignificantes e indesejados pelos tios que os criaram. Sob a escada da Rua dos Alfeneiros, n.º 4, eles dividiam o escuro, a fome e o silêncio, sem saber que seus nomes eram lendas em um m...
