Capítulo 123

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Cabana de Caça. Floresta Húngara. 20:00.

Lá fora, a noite caiu pesada e silenciosa sobre a floresta.

Lá dentro, a atmosfera era quase doméstica, se você ignorasse as armas em cima da mesa e o cheiro de sangue seco nas bandagens.

Natasha e Yelena estavam sentadas no chão, encostadas no sofá velho, com uma caixa de pizza congelada (que Yelena tinha aquecido na lareira de forma questionável) e um fardo de cerveja local barata entre elas.

Natasha tomou um gole longo da garrafa marrom, sentindo o álcool relaxar os músculos tensos.

— Espera — Yelena parou com um pedaço de pizza na mão, olhando para Natasha com os olhos arregalados de horror. — Você está me dizendo que você está dormindo com o Soldado Invernal?

Natasha riu, limpando o canto da boca.

— O nome dele é James.

— Eu sei o nome dele! — Yelena exclamou, fazendo uma careta. — Ele era o "Ativo". Ele vinha para a Sala Vermelha treinar as recrutas de elite. Nat, ele era... ele era um pesadelo de metal. Ele olhava para a gente como se fôssemos mobília. ele te conhece desde que voce nasceu, nao?

Yelena estremeceu.

— Eu lembro de uma vez que ele quebrou o braço da Oxana em três lugares porque ela piscou na hora errada. E agora você está... namorando ele? O Robô Assassino?

— Ele mudou, Lena — Natasha disse, a voz suavizando, um sorriso bobo aparecendo sem permissão. — A Hydra... eles fritaram o cérebro dele. Mas ele voltou. Ele é... ele é gentil. Ele faz café da manhã. Ele cuida de mim.

Yelena fez um som de engasgo.

— O Soldado Invernal de avental fazendo panquecas. Essa é a imagem mais perturbadora que eu já tive na vida.

Natasha tomou mais um gole de cerveja e olhou para a irmã com um brilho malicioso.

— E se serve de consolo para a sua imagem mental... o braço de metal tem várias utilidades. O sexo é... — Natasha suspirou, olhando para o teto. — De outro mundo. Absolutamente lendário.

Yelena largou a pizza, cobrindo os ouvidos.

— NÃAAO! Cala a boca! Para! — ela gritou, rindo e enjoada ao mesmo tempo. — Eu não quero saber da vida sexual do Exterminador do Futuro com a minha irmã! Eu vou vomitar essa cerveja!

As duas riram. Um riso leve, fácil, que ecoou na cabana vazia.

Quando o riso diminuiu, Yelena olhou para Natasha. O olhar da irmã mais velha estava distante, mas não triste. Estava cheio de uma luz que Yelena nunca tinha visto antes.

— E a menina? — Yelena perguntou, mais baixo. — A da foto que estava na sua carteira. Emma.

O rosto de Natasha se transformou.

Se falar de Bucky trazia um sorriso apaixonado e carnal, falar de Emma trazia uma devoção quase sagrada.

Natasha pegou a carteira de cima da mesa e tirou a foto escolar de Emma.

— Ela não é biologicamente minha — Natasha começou, passando o dedo no rosto da filha na foto. — Mas... ela é minha vida, Yelena.

— Ela tem treze anos. É ruiva, teimosa como o Bucky, corajosa como uma leoa e tem um coração que... que não cabe no peito.

Natasha olhou para Yelena, os olhos brilhando.

— Ela é uma bruxa. De verdade. Ela estuda em uma escola de magia na Escócia.

Daughter of No OneHistórias para pegar e não largar. Descubra agora