Escritório da Cobertura (A "Sala de Guerra"). Quinta-feira, 03:45 da Manhã.
O silêncio da madrugada de Londres era uma mentira. Dentro da cobertura, o ar vibrava. Não com som, mas com eletricidade estática, com a pressão de pensamentos acelerados que colidiam contra as paredes do escritório trancado.
James Barnes acordou sentindo o frio. O lado esquerdo da cama estava vazio. O lençol já estava frio ao toque, o que significava que ela tinha saído há pelo menos uma hora. Ele não chamou o nome dela. Ele não precisava. Ele sabia exatamente onde ela estava. Ele se levantou, vestindo apenas a calça de moletom, e caminhou pelo corredor escuro. A luz azulada vazava por baixo da porta do escritório, pulsando como o batimento cardíaco de um monstro eletrônico.
James abriu a porta sem bater. A cena que o recebeu o fez parar.
O escritório não parecia mais uma sala. Parecia o interior de um computador quântico. Natasha tinha ativado todos os projetores holográficos que roubara (ou "tomara emprestado permanentemente") das Indústrias Stark e da SHIELD. O ar estava preenchido por formas geométricas de luz azul, gráficos flutuantes, ondas sonoras tridimensionais que oscilavam no ar e mapas topográficos de Hogwarts girando lentamente.
No centro desse furacão de dados, Natasha estava de joelhos no chão. Ela estava cercada por papéis desenhados à mão — a caligrafia frenética dela cobrindo esquemas de engenharia. Ela usava a mesma roupa do jantar, mas agora estava descalça, o cabelo solto caindo sobre o rosto como uma cortina dourada. Ela segurava uma caneta digital numa mão e um tablet na outra, movendo dados de uma tela para o ar, manipulando a estratégia com a fluidez de um maestro regendo uma orquestra apocalíptica.
Ela não parecia cansada. Ela parecia elétrica. Seus olhos verdes brilhavam com a loucura dos gênios e o desespero das mães.
— Nat... — James começou, a voz rouca de sono, dando um passo para dentro. — São quase quatro da manhã. Você prometeu.
Natasha girou a cabeça. O movimento foi brusco, predatório. Mas quando ela viu que era ele, o rosto dela não se fechou. Pelo contrário. Um sorriso selvagem, quase assustador, se abriu.
— James! — Ela se levantou num pulo, largando o tablet no sofá. Ela correu até ele, agarrou o braço de metal e o puxou para o centro da sala, para dentro da luz azul. — Você precisa ver isso. Eu consegui. — A sua conversa no jantar... sobre o jazz. Sobre quebrar o ritmo. — Foi a chave, James! Foi a maldita chave que faltava!
Ela parecia bêbada de adrenalina. James tentou segurá-la pelos ombros para acalmá-la, mas ela se desvencilhou, girando um gráfico holográfico no ar para que ficasse na frente do rosto dele.
— Olhe para isso. — Ela apontou para uma onda senoidal vermelha que representava um feitiço. — Magia, como o Q disse, é manipulação da realidade através de intento e frequência. — Os bruxos precisam de três coisas para conjurar: Foco mental, movimento somático (a varinha) e vibração vocal (o feitiço). É um ritmo. É uma valsa. Um-dois-três, Avada Kedavra. — Se você interrompe um desses pilares, o feitiço falha. Mas eles são treinados para manter o foco sob fogo cruzado.
Ela fez um gesto de pinça e a onda vermelha se expandiu. — Mas e se eu não atacar o bruxo? E se eu atacar o ar entre a varinha e o alvo? — E se eu criar uma dissonância cognitiva tão violenta que o cérebro deles não consiga processar o intento?
Natasha correu até a mesa e pegou um desenho técnico. — Projeto Banshee. — Não é apenas barulho branco, James. É um algoritmo adaptativo de cancelamento de fase. — Nós vamos espalhar emissores sônicos nanométricos por todo o Salão Principal e nos pátios de Hogwarts. Q pode fabricá-los do tamanho de moedas. — Quando a batalha começar, quando Voldemort levantar a varinha... nós ativamos.
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Daughter of No One
FanfictionHarry e Emma Potter cresceram acreditando que eram normais, insignificantes e indesejados pelos tios que os criaram. Sob a escada da Rua dos Alfeneiros, n.º 4, eles dividiam o escuro, a fome e o silêncio, sem saber que seus nomes eram lendas em um m...
