Capítulo 176

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Quarto Principal da Cobertura. Domingo, 03:15 da Manhã.

O silêncio na cobertura era denso, apenas quebrado pelo som rítmico e pesado da respiração de James. Ele dormia profundamente, esparramado na cama king-size como se fosse o dono do mundo, ocupando quase setenta por cento do colchão. O braço esquerdo — o de metal — reluzia opaco na penumbra, pesado e imóvel sobre a cintura de Natasha, ancorando-a ao colchão e a ele. A mão de vibranium repousava sobre o quadril dela, possessiva até no inconsciente.

Natasha estava naquele sono leve de sentinela, onde a mente nunca desliga totalmente. Ela sonhava com algo vago — neve, Escócia, um lago escuro — quando um som sutil a puxou para a superfície. Não era um vidro quebrando. Não era um passo furtivo de invasor. Era o som da maçaneta girando devagar.

Os olhos de Natasha se abriram instantaneamente, focados e alertas. A porta do quarto se abriu com um rangido mínimo. Uma silhueta pequena e curvada apareceu na fresta de luz do corredor.

— Mãe...? — A voz era um sussurro trêmulo, choroso.

O modo de combate de Natasha desativou na hora, substituído pelo modo mãe. Ela relaxou os músculos que tinham se tensionado para o ataque. — O que foi, querida? — Natasha perguntou, a voz rouca de sono, mas suave.

Emma entrou no quarto, arrastando os pés. Ela segurava a própria barriga com as duas mãos, dobrada levemente para frente. — Eu não tô me sentindo bem...

Natasha suspirou, já sentindo o diagnóstico se formar em sua mente antes mesmo de levantar. Ela olhou para James. Ele nem se mexeu. O Soldado Invernal confiava tanto na segurança da casa (e na de Natasha) que dormia como uma pedra. Com cuidado cirúrgico, Natasha segurou o pulso de metal de James e levantou o braço pesado dele de cima de sua cintura. Ela o pousou no colchão suavemente. James resmungou algo ininteligível contra o travesseiro, franziu a testa pela perda do contato, mas continuou dormindo.

Natasha jogou as pernas para fora da cama, sentindo o frio do chão através das meias. Ela se levantou, ajeitou a blusa do pijama e caminhou até a porta. Quando chegou perto de Emma, viu o rosto da filha sob a luz do corredor. Emma estava pálida, com uma tonalidade esverdeada ao redor da boca, e suava frio.

— O que você está sentindo? — Natasha perguntou, colocando a mão na testa dela. Sem febre. Apenas suor frio.

— Minha barriga dói muito... — Emma choramingou, encostando a testa no ombro da mãe. — E eu tô com vontade de vomitar. Tudo tá girando.

Natasha passou o braço pelos ombros dela, guiando-a para fora do quarto e fechando a porta silenciosamente para não acordar James. Enquanto caminhavam pelo corredor em direção à sala, a mente analítica de Natasha montou o relatório de casualidade:

Fator A: Yelena Belova.

Fator B: Aproximadamente dois quilos de chocolate suíço, belga e russo consumidos em um intervalo de seis horas.

Fator C: O frango com páprica de James, que leva creme de leite fresco e bastante tempero, servido no jantar.

Resultado: Uma bomba gástrica detonando no estômago de uma adolescente de quatorze anos.

— Eu sabia — Natasha murmurou, mais para si mesma do que para Emma. — Eu sabia que aquela competição de "quem come mais trufas" com a sua tia ia acabar mal.

— A tia Yelena disse que chocolate russo fortalece o caráter... — Emma gemeu, parando no meio da sala e colocando a mão na boca. — Mãe, eu acho que vou...

— Não no tapete persa! — Natasha agiu rápido, girando Emma e empurrando-a gentilmente em direção à cozinha, onde o chão era de mármore e havia uma pia. — Respira, Emma. Pelo nariz. Solta pela boca.

Daughter of No OneOnde histórias criam vida. Descubra agora