Capítulo 197

7 1 0
                                        

Suíte Principal da Cobertura. Quarta-feira, 03:45 da Madrugada.

O tempo tinha deixado de existir. Não havia horas, minutos ou segundos. Havia apenas ondas. Ondas de agonia que quebravam contra o corpo de Natasha Romanoff, recuavam por um instante cruel para deixá-la respirar, e então quebravam novamente com força redobrada.

Q tinha avisado. "A integração craniana será a pior. Os nervos auditivos e faciais são os mais sensíveis do corpo. O vibranium vai vibrar até estabilizar. Vai parecer que a cabeça dela está num torno mecânico sendo apertado lentamente." Q tinha sido modesto.

O quarto estava mergulhado numa escuridão quase total. James tinha colado fita isolante preta sobre cada led de aparelho eletrônico, cobrido as frestas das cortinas e desligado até o relógio digital. Qualquer luz, por menor que fosse, feria os olhos de Natasha como uma agulha em brasa. Qualquer som, até o roçar do edredom, soava como um trovão dentro do crânio dela, onde o metal líquido ainda se movia, procurando espaço entre o osso e a carne.

Natasha estava deitada de costas, imóvel como um cadáver, exceto pelos tremores finos e constantes que percorriam seus membros. O suor encharcava o pijama, os lençóis e o travesseiro, colando o cabelo loiro na testa febril.

Hmnn... ahhh... hnnn...

O som escapava dos lábios dela a cada expiração. Não era um grito. Ela não tinha forças para gritar. Era um gemido baixo, rouco, contínuo. Um som de animal ferido que não consegue entender por que a dor não para. Lágrimas escorriam pelos cantos dos olhos fechados, traçando caminhos quentes pelas têmporas até as orelhas, onde a pele estava vermelha e inflamada pela injeção.

James Barnes estava ajoelhado no chão, ao lado da cama. Ele estava ali há cinco horas. Seus joelhos doíam contra a madeira, mas ele não sentia. Ele segurava a mão de Natasha. Mas não apertava. Ele apenas deixava a mão dele servir de base para a dela, um contato mínimo, porque qualquer pressão fazia ela choramingar.

— Nat... — ele sussurrou, a voz quebrada, impotente. — Eu estou aqui.

Natasha franziu a testa, o rosto se contorcendo numa máscara de sofrimento puro. — Dói... — a palavra saiu num sussurro arrastado, quase inaudível. — James... minha cabeça... vai explodir...

— Não vai. Não vai. — James engoliu o nó na garganta, sentindo os olhos arderem. Ele molhou os lábios. — Você precisa beber água, Nat. Você está desidratando.

Ele pegou um copo com um canudo que estava na mesa de cabeceira. Ele se levantou levemente e tentou colocar a mão atrás da nuca dela para erguer a cabeça dela, só um centímetro, o suficiente para ela beber.

No momento em que os dedos dele tocaram a base do crânio dela, Natasha reagiu como se tivesse levado um choque de alta voltagem. Ela arqueou as costas, um grito estrangulado saindo da garganta.

— NÃO! NÃO! — Ela chorou, desesperada, as mãos voando para a cabeça, mas parando antes de tocar, pairando no ar. — NÃO MEXE! NÃO MEXE! POR FAVOR! — Para, para, para!

James recuou imediatamente, derrubando o copo de água no chão. O plástico bateu no tapete com um som abafado, mas Natasha encolheu-se como se fosse um tiro. — Desculpa! Desculpa! Eu parei! Eu não vou mexer! — James levantou as mãos em rendição, o coração disparado de pânico ao vê-la soluçar de dor.

Dói demais... não me vira... não toca... — ela soluçava, o peito subindo e descendo rápido, hiperventilando. — Parece que tem vidro... tem vidro dentro...

James voltou a se ajoelhar, sentindo-se a criatura mais inútil da face da Terra. Ele podia matar exércitos. Podia derrubar governos. Mas não podia tirar a dor da mulher que amava. Ele enterrou o rosto no colchão, ao lado da mão dela, e deixou uma lágrima cair. — Me perdoa, Nat. Me perdoa.

Daughter of No OneHistórias para pegar e não largar. Descubra agora