Capitulo 32

276 32 5
                                        


Nat: sem pressão mas se você matar minha filha eu acabo com você
Biblioteca de Hogwarts. Duas semanas depois.
Enquanto a maioria dos alunos da Grifinória estava no Salão Principal jogando Snap Explosivo ou reclamando das lições de casa, uma mesa no fundo da biblioteca estava ocupada por duas meninas e uma montanha de livros.
Hermione Granger estava frenética, com três livros abertos ao mesmo tempo, escrevendo um pergaminho sobre Os 12 Usos do Sangue de Dragão.
Ao lado dela, Emma Potter Romanoff estava reclinada na cadeira, girando sua adaga de cabo de madrepérola (disfarçadamente) entre os dedos, enquanto lia um livro sobre Teoria da Defesa Mágica.
— Você sabe que o Ron e o Harry estão lá fora voando, né? — comentou Hermione, sem tirar os olhos do pergaminho. — Eles acham que somos loucas por estarmos aqui num sábado.
Emma sorriu, sem levantar os olhos.
— Eles que se divirtam caindo de vassouras. Eu prefiro saber como me defender se algo tentar me comer. Minha mãe diz que conhecimento é a única munição que nunca acaba.
Hermione baixou a pena e olhou para Emma com admiração. Desde o trem, elas eram inseparáveis. Hermione finalmente tinha encontrado alguém que não revirava os olhos quando ela citava um parágrafo inteiro de um livro. Pelo contrário, Emma ouvia e perguntava: "Como podemos usar isso numa situação de combate?"
— Sua mãe parece assustadora e incrível — disse Hermione.
— Ela é. — Emma fechou o livro. — Mione, você viu o jornal de hoje? O Profeta Diário?
— Vi por cima. Por quê?
Emma tirou um recorte de jornal do bolso.
— Lembra que eu te contei que fomos ao Gringotes no meu aniversário? O Hagrid tirou um pacotinho misterioso do cofre 713. Ele disse que era "assunto de Hogwarts".
Hermione assentiu, interessada.
— Olha isso. — Emma deslizou o recorte para ela.

INVASÃO EM GRINGOTES
Investigações continuam sobre o arrombamento do Gringotes em 31 de julho... Acredita-se que tenha sido obra de bruxos das trevas desconhecidos... O cofre em questão havia sido esvaziado no mesmo dia.

Hermione leu rápido, a mente brilhante conectando os pontos.
— 31 de julho... — Hermione sussurrou. — Foi o dia que você e o Harry estavam lá!
— Exato. — Emma inclinou-se para frente, baixando a voz. — Alguém tentou roubar o cofre 713. Mas o Hagrid já tinha tirado o pacote. O que significa...
— Que o pacote está aqui — completou Hermione, os olhos arregalados. — Em Hogwarts. É o único lugar seguro o suficiente.
— E alguém quer muito roubá-lo — concluiu Emma, o olhar ficando frio e calculista. — Alguém perigoso.
— O que você acha que é? — perguntou Hermione.
— Não sei. Mas se precisou ser movido de um banco de segurança máxima para uma escola cheia de crianças... deve ser valioso ou perigoso. Ou os dois.
O Corredor do Terceiro Andar.
A teoria delas foi posta à prova mais cedo do que esperavam.
Naquela noite, as escadas de Hogwarts, que tinham vontade própria e um senso de humor sádico, decidiram mudar de rota.
Emma, Hermione, Harry e Ron estavam tentando voltar para o Salão Comunal depois do jantar, mas a escada os depositou num corredor escuro e poeirento que eles não reconheciam.
— Ah, não — gemeu Ron. — Eu sei onde estamos. Esse é o terceiro andar. A área proibida. Dumbledore disse que quem viesse aqui teria uma morte dolorosa.
— Temos que sair — disse Hermione, nervosa.
— Tarde demais — disse Harry, apontando para o fim do corredor.
A gata do zelador Filch, Madame Nor-r-ra, estava parada lá, olhando para eles com olhos de lanterna. E logo atrás, ouviram os passos arrastados de Filch.
— Corram! — sussurrou Harry.
Eles correram pelo corredor, encontrando uma porta trancada no final.
— Droga! — Ron puxou a maçaneta. — Trancada! Vamos ser expulsos!
— Sai da frente! — Hermione empurrou Ron. Ela sacou a varinha. — Alohomora!
A tranca estalou e a porta se abriu. Eles entraram correndo, fecharam a porta e encostaram os ouvidos nela, ouvindo Filch passar resmungando do lado de fora.
— Ele acha que a porta está trancada — sussurrou Harry. — Foi por pouco.
— Ufa — suspirou Ron. — Achei que a gente ia...
Ele parou. Porque Emma e Hermione não estavam olhando para a porta. Elas estavam olhando para o meio da sala. E elas estavam muito, muito quietas.
— Uh... gente? — chamou Emma, a voz estranhamente calma, mas tensa. — Não façam movimentos bruscos.
Harry e Ron se viraram.
Diante deles, ocupando quase todo o espaço da sala, estava um cachorro. Mas não um cachorro normal. Era um monstro gigantesco de três cabeças.
Três pares de olhos reviravam de sono. Três narizes farejavam o ar, sentindo o cheiro dos intrusos. Três bocas babavam, exibindo presas amareladas do tamanho de adagas.
O monstro estava acordando.
Ron abriu a boca para gritar.
— Silêncio! — sibilou Emma, agarrando o braço de Ron com força. — Se você gritar, ele ataca. É instinto predatório.
Enquanto Harry e Ron estavam paralisados pelo terror de ver "um monstro", Emma estava analisando a ameaça.
Três cabeças. Visão periférica total. Dentes capazes de quebrar ossos. Impossível lutar.
Mas então, os olhos analíticos de Emma desceram.
O cachorro não estava solto. Ele estava parado em cima de algo. Uma porta de madeira no chão.
— Ele está guardando alguma coisa — sussurrou Emma para Hermione. — Olha as patas.
— Um alçapão! — percebeu Hermione.
O cachorro soltou um rosnado que vibrou no peito deles como um trovão. Ele se levantou.
— AGORA! — gritou Emma.
Ela não esperou. Ela empurrou a porta atrás deles, agarrou a gola da capa de Harry e puxou.
Eles saíram da sala, bateram a porta e correram. Correram como se o diabo estivesse nos calcanhares, descendo as escadas, atravessando passagens secretas, até caírem, ofegantes, no Salão Comunal da Grifinória.
Salão Comunal da Grifinória.
— O que eles têm na cabeça?! — gritou Ron, se jogando numa poltrona. — Manter uma coisa daquelas numa escola?
— Você não viu? — perguntou Hermione, recuperando o fôlego, sentada no braço da poltrona de Emma.
— Vi o quê? — retrucou Ron. — Eu não fiquei olhando para as patas dele, eu estava ocupado olhando para as três cabeças que queriam me comer!
— Ele estava em cima de um alçapão — disse Emma, calma agora que a adrenalina estava baixando. Ela estava limpando uma mancha de poeira na calça. — Ele não está lá por acaso. Ele é um guarda.
— Guarda? — perguntou Harry.
— O pacote do Gringotes — disse Emma, trocando um olhar significativo com Hermione. — O pacote que o Hagrid pegou. Está embaixo daquele cachorro.
Hermione assentiu, completando o raciocínio.
— O que significa que o que quer que seja, é perigoso ou poderoso o suficiente para precisar de um cão de três cabeças para proteger.
Harry olhou para as duas meninas com admiração e um pouco de medo.
— Vocês duas... vocês perceberam isso enquanto a gente quase morria?
— Alguém tem que prestar atenção, Harry — disse Emma, dando um tapinha no ombro dele. — Agora, se me dão licença, eu vou escrever para a minha mãe.
— Você vai contar pra ela sobre o cachorro?! — perguntou Ron, horrorizado. — Ela vai vir aqui e matar o Dumbledore!
Emma parou na escada do dormitório feminino e sorriu.
— Não. Vou perguntar a ela qual é a fraqueza tática de caninos gigantes. E a Mione vai pesquisar na biblioteca.
Hermione sorriu, já pegando um livro da mochila.
— Cães de três cabeças... mitologia grega... Cérbero. Deve haver algo sobre como acalmá-los.
Emma subiu para o dormitório.
A aventura tinha começado. O mistério estava posto.
E enquanto a maioria das crianças teria pesadelos com o monstro, Emma Potter Romanoff adormeceu pensando no quebra-cabeça.
Um pacote. Um cofre vazio. Um cão guarda.
Hogwarts não era apenas uma escola. Era um forte.
E Emma adorava invadir fortes.

Daughter of No OneOnde histórias criam vida. Descubra agora