Capitulo 75

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Memória de Tom Riddle. 13 de Junho de 1943.

A sala do Diretor Dippet parecia um cenário de peça antiga, iluminada apenas por velas que não tremulavam. Harry e Emma estavam parados perto da porta, invisíveis, mas Emma segurava o braço de Harry com tanta força que seus nós dos dedos estavam brancos.

Ela sentia o cheiro dele. Não de perfume, mas de magia. A magia de Tom Riddle tinha um gosto metálico no fundo da garganta de Emma, como sangue seco e ozônio. Era a mesma sensação que ela tinha quando o nariz sangrava, mas aqui, concentrada naquele garoto educado de uniforme perfeito, era sufocante.

— Sente-se, Tom — Dippet disse, ajustando os óculos e olhando para a carta em sua mão. — Eu li seu pedido. Você deseja permanecer em Hogwarts durante o verão.

— Sim, senhor — Riddle respondeu. A voz dele era controlada, respeitosa, com a dose exata de humildade para encantar um professor. — Eu preferiria não voltar para o orfanato. Hogwarts é o meu lar.

— Ele está mentindo... — Emma sussurrou no ouvido de Harry, um calafrio percorrendo sua espinha. — Olha as mãos dele, Harry. Ele não está nervoso. Ele está impaciente.

Harry olhou. As mãos de Riddle estavam cruzadas sobre o colo, perfeitamente imóveis. Mas os olhos... os olhos escuros não piscavam o suficiente.

— Eu entendo, Tom — Dippet suspirou. — Em tempos normais, eu permitiria. Você é Monitor, um aluno exemplar. Mas com os ataques recentes... a morte daquela pobre garota... não é seguro.

Riddle inclinou a cabeça levemente. — E se o responsável fosse pego, senhor? Se tudo parasse... eu poderia ficar?

— Se o culpado for pego, a escola não precisará fechar — Dippet concordou. — Mas, por enquanto, a decisão está tomada. Você deve se preparar para partir.

Riddle se levantou. — Obrigado, Diretor.

Ele se virou e caminhou em direção à porta — em direção a Harry e Emma. Quando ele passou por eles, a expressão de "aluno modelo" desapareceu. Por um milésimo de segundo, o rosto de Riddle se contorceu em algo frio e cruel, um predador que acabou de decidir que precisa abater uma presa para conseguir o que quer.

— Ele vai fazer algo — Emma disse, sentindo a náusea voltar. — Ele precisa de um culpado para não ter que voltar para o orfanato.

O cenário girou. As paredes do escritório se dissolveram em fumaça negra, e o chão sob os pés deles mudou de tapete persa para pedra úmida.

Eles estavam nas masmorras.

Estava escuro. Riddle estava parado na sombra de uma estátua, imóvel como uma gárgula, olhando para uma porta entreaberta no final do corredor.

— Vamos lá... — Riddle sussurrou para si mesmo.

A porta se abriu. Um garoto enorme, desajeitado e familiar saiu. Ele carregava uma caixa grande, tentando andar na ponta dos pés, o que era cômico dado o seu tamanho.

— É o Hagrid! — Harry exclamou, mas sua voz não fez som na memória.

— Boa noite, Rúbeo — Riddle disse, saindo das sombras com a varinha em punho.

O jovem Hagrid deu um pulo, quase derrubando a caixa. — O que você tá fazendo aqui, Tom? Eu... eu só estava...

— Eu sei o que você está escondendo aí, Rúbeo — Riddle disse, avançando. A luz da varinha iluminou o rosto dele, criando sombras que o faziam parecer uma caveira. — Eu sei que você tem trazido criaturas para o castelo.

— Não! — Hagrid recuou, abraçando a caixa. — Ele não fez nada! Ele nunca machucaria ninguém!

— Os ataques têm que parar — Riddle disse, a voz cheia de uma justiça falsa que fez o estômago de Emma revirar. — Eu vou ter que te entregar, Rúbeo. A garota morreu. Eles vão fechar a escola se o monstro não for morto.

Daughter of No OneHistórias para pegar e não largar. Descubra agora