Emma revirou os olhos, bufando, embora seu estômago estivesse dando nós de puro terror.
— Que papo é esse de herói suicida, Harry? — ela retrucou, tentando soar durona, mas sua voz falhou no final. — Se você morrer, eu te mato, Harry Potter. Pula logo antes que eu mude de ideia.
Harry sorriu, um sorriso nervoso e rápido, e se jogou na escuridão.
O silêncio durou três segundos agonizantes.
— Está tudo bem! — a voz dele ecoou lá de baixo, abafada e distante. — É macio! Pulem!
— Eu vou — disse Ron, pulando logo em seguida.
— Vejo você lá embaixo — disse Hermione, pulando também.
Emma ficou sozinha na sala com o monstro.
Ela olhou para o buraco. Depois olhou para o cachorro.
De repente, a música parou.
O silêncio que caiu na sala foi muito pior do que o barulho. A harpa tinha terminado sua canção mágica.
O ronco parou.
Emma sentiu os pelos da nuca se arrepiarem. Devagar, muito devagar, ela olhou para cima.
Três pares de olhos amarelos, leitosos e injetados de sangue se abriram ao mesmo tempo. As narinas do monstro dilataram, sentindo o cheiro de "criança assustada". Um rosnado baixo, que parecia um trovão, começou a se formar nas três gargantas.
Baba pingou a centímetros do ombro de Emma.
— Ops — disse Emma, com um sorriso amarelo de pânico total.
O cachorro rugiu, as três cabeças avançando para morder.
Emma não pensou. Ela se jogou no buraco, caindo de costas na escuridão, sentindo o bafo quente do monstro passar raspando por suas botas.
Visgo do Diabo.
A queda foi vertiginosa, o vento sibilando nos ouvidos dela, até que... POF.
Ela aterrissou em algo macio, úmido e estranhamente esponjoso.
— Argh, que nojo! — gritou Emma, tentando se levantar. Suas mãos tocaram algo gosmento. — Que coisa é essa? Parece repolho podre!
— Pare de se mexer! — a voz de Hermione soou no escuro.
— Como assim "pare"? Tá tudo molhado aqui!
Mas era tarde demais. O "chão" ganhou vida.
Vinhas grossas e musculosas, como serpentes verdes, brotaram da escuridão e se enrolaram violentamente nos tornozelos de Emma. Antes que ela pudesse gritar, outras vinhas prenderam seus pulsos e sua cintura.
— É Visgo do Diabo! — gritou Hermione, sua voz beirando a histeria. — Relaxem! Se vocês lutarem, ela mata mais rápido!
— Relaxar?! — berrou Ron, que já estava com uma vinha enrolada no pescoço. — Vocês tão malucas?! Essa coisa tá tentando me jantar!
Emma sentiu o aperto no peito aumentar. O ar foi expulso de seus pulmões. O instinto de sobrevivência gritou. Ela começou a chutar, a puxar, a tentar rasgar as plantas com as unhas.
— Me solta! — gritou Emma, o pânico tomando conta. — Me solta, sua salada do inferno!
Quanto mais ela lutava, mais apertado ficava. Ela sentiu as costelas estalarem. A escuridão começou a pontilhar sua visão. O medo, aquele medo infantil e primitivo de ser esmagada, a consumiu.
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Daughter of No One
FanfictionHarry e Emma Potter cresceram acreditando que eram normais, insignificantes e indesejados pelos tios que os criaram. Sob a escada da Rua dos Alfeneiros, n.º 4, eles dividiam o escuro, a fome e o silêncio, sem saber que seus nomes eram lendas em um m...
