Capitulo 40

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Emma revirou os olhos, bufando, embora seu estômago estivesse dando nós de puro terror.

— Que papo é esse de herói suicida, Harry? — ela retrucou, tentando soar durona, mas sua voz falhou no final. — Se você morrer, eu te mato, Harry Potter. Pula logo antes que eu mude de ideia.

Harry sorriu, um sorriso nervoso e rápido, e se jogou na escuridão.

O silêncio durou três segundos agonizantes.

— Está tudo bem! — a voz dele ecoou lá de baixo, abafada e distante. — É macio! Pulem!

— Eu vou — disse Ron, pulando logo em seguida.

— Vejo você lá embaixo — disse Hermione, pulando também.

Emma ficou sozinha na sala com o monstro.

Ela olhou para o buraco. Depois olhou para o cachorro.

De repente, a música parou.

O silêncio que caiu na sala foi muito pior do que o barulho. A harpa tinha terminado sua canção mágica.

O ronco parou.

Emma sentiu os pelos da nuca se arrepiarem. Devagar, muito devagar, ela olhou para cima.

Três pares de olhos amarelos, leitosos e injetados de sangue se abriram ao mesmo tempo. As narinas do monstro dilataram, sentindo o cheiro de "criança assustada". Um rosnado baixo, que parecia um trovão, começou a se formar nas três gargantas.

Baba pingou a centímetros do ombro de Emma.

— Ops — disse Emma, com um sorriso amarelo de pânico total.

O cachorro rugiu, as três cabeças avançando para morder.

Emma não pensou. Ela se jogou no buraco, caindo de costas na escuridão, sentindo o bafo quente do monstro passar raspando por suas botas.

Visgo do Diabo.

A queda foi vertiginosa, o vento sibilando nos ouvidos dela, até que... POF.

Ela aterrissou em algo macio, úmido e estranhamente esponjoso.

— Argh, que nojo! — gritou Emma, tentando se levantar. Suas mãos tocaram algo gosmento. — Que coisa é essa? Parece repolho podre!

— Pare de se mexer! — a voz de Hermione soou no escuro.

— Como assim "pare"? Tá tudo molhado aqui!

Mas era tarde demais. O "chão" ganhou vida.

Vinhas grossas e musculosas, como serpentes verdes, brotaram da escuridão e se enrolaram violentamente nos tornozelos de Emma. Antes que ela pudesse gritar, outras vinhas prenderam seus pulsos e sua cintura.

— É Visgo do Diabo! — gritou Hermione, sua voz beirando a histeria. — Relaxem! Se vocês lutarem, ela mata mais rápido!

— Relaxar?! — berrou Ron, que já estava com uma vinha enrolada no pescoço. — Vocês tão malucas?! Essa coisa tá tentando me jantar!

Emma sentiu o aperto no peito aumentar. O ar foi expulso de seus pulmões. O instinto de sobrevivência gritou. Ela começou a chutar, a puxar, a tentar rasgar as plantas com as unhas.

— Me solta! — gritou Emma, o pânico tomando conta. — Me solta, sua salada do inferno!

Quanto mais ela lutava, mais apertado ficava. Ela sentiu as costelas estalarem. A escuridão começou a pontilhar sua visão. O medo, aquele medo infantil e primitivo de ser esmagada, a consumiu.

Daughter of No OneHistórias para pegar e não largar. Descubra agora