A Última Câmara.
Harry empurrou a porta pesada de madeira. Emma entrou logo atrás, a respiração presa na garganta, a adaga de madrepérola segurada com as duas mãos trêmulas.
Eles esperavam ver Snape. Esperavam ver o morcego das masmorras, alto e ameaçador.
Mas não havia Snape.
Havia apenas um homem parado diante do Espelho de Ojesed, de costas para eles, examinando a moldura dourada.
— Não pode ser — Harry deixou escapar, o choque drenando a cor de seu rosto.
Era o Professor Quirrell.
O homem gago, nervoso, que tremia ao ver a própria sombra e cheirava a alho.
Emma parou ao lado de Harry. A adaga baixou um centímetro. O cérebro dela tentou processar a informação tática, mas falhou.
— Fala sério — soltou Emma, a voz carregada de uma incredulidade furiosa. — Você? O cara que desmaia com susto de trasgo? A gente passou o ano todo perseguindo o Snape e o vilão era o gago? Que mico.
Quirrell se virou. O sorriso dele não era tímido. Não havia tique nervoso no olho. O rosto dele estava frio, calculista e cruel.
— Sim — disse ele, a voz suave e sem gagueira. — Severus parece o tipo, não é? Tão útil tê-lo por perto, voando como um morcego gigante. Ao lado dele, quem suspeitaria do p-p-pobre e g-g-gago P-Professor Quirrell?
— Mas o Snape tentou me matar no jogo de Quadribol! — gritou Harry, dando um passo à frente.
— Não, querido garoto. Eu tentei te matar. — Quirrell deu um passo em direção a eles, e Emma instintivamente puxou Harry para trás pela jaqueta, colocando-se meio corpo à frente dele. — Snape estava murmurando um contrafeitiço para te salvar.
— O quê? — Harry e Emma disseram juntos.
— Por que ele faria isso? — perguntou Harry.
— Porque ele odiava seu pai, mas nunca deixaria um aluno morrer — Quirrell revirou os olhos com impaciência. — Agora, fiquem quietos. Tenho assuntos a tratar com este espelho.
Ele voltou-se para o Espelho de Ojesed, ignorando as duas crianças armadas.
— Eu vejo a Pedra... — murmurou Quirrell, passando a mão pelo vidro. — Eu estou apresentando-a ao meu mestre... mas onde ela está?
Emma apertou o cabo da adaga. O coração dela batia tão forte que doía nas costelas.
— Harry — sussurrou ela, apenas movendo os lábios. — A gente ataca no três.
Mas antes que ela pudesse contar, uma voz fria, sibilante e inumana encheu a sala. Ela não vinha de Quirrell. Parecia vir das paredes, ou pior, de dentro da própria cabeça de Emma.
— Use os garotos...
Quirrell girou, os olhos brilhando com fanatismo.
— Potter! Romanoff! Venham aqui!
Harry não se mexeu. Emma travou os pés no chão.
— Vem logo! — gritou Quirrell. Ele estalou os dedos.
Não foi um feitiço comum. Cordas de fogo mágico surgiram do nada, chicoteando o ar e prendendo Harry e Emma com violência. Emma sentiu o calor chamuscar sua jaqueta de couro enquanto era arrastada para a frente do espelho.
— Me solta, seu maluco! — gritou Emma, debatendo-se. — Quando a minha mãe souber disso, ela vai arrancar a sua outra orelha!
— Harry Potter, olhe no espelho e me diga o que vê — ordenou Quirrell.
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Daughter of No One
FanfictionHarry e Emma Potter cresceram acreditando que eram normais, insignificantes e indesejados pelos tios que os criaram. Sob a escada da Rua dos Alfeneiros, n.º 4, eles dividiam o escuro, a fome e o silêncio, sem saber que seus nomes eram lendas em um m...
