Capitulo 41

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A Última Câmara.

Harry empurrou a porta pesada de madeira. Emma entrou logo atrás, a respiração presa na garganta, a adaga de madrepérola segurada com as duas mãos trêmulas.

Eles esperavam ver Snape. Esperavam ver o morcego das masmorras, alto e ameaçador.

Mas não havia Snape.

Havia apenas um homem parado diante do Espelho de Ojesed, de costas para eles, examinando a moldura dourada.

— Não pode ser — Harry deixou escapar, o choque drenando a cor de seu rosto.

Era o Professor Quirrell.

O homem gago, nervoso, que tremia ao ver a própria sombra e cheirava a alho.

Emma parou ao lado de Harry. A adaga baixou um centímetro. O cérebro dela tentou processar a informação tática, mas falhou.

— Fala sério — soltou Emma, a voz carregada de uma incredulidade furiosa. — Você? O cara que desmaia com susto de trasgo? A gente passou o ano todo perseguindo o Snape e o vilão era o gago? Que mico.

Quirrell se virou. O sorriso dele não era tímido. Não havia tique nervoso no olho. O rosto dele estava frio, calculista e cruel.

— Sim — disse ele, a voz suave e sem gagueira. — Severus parece o tipo, não é? Tão útil tê-lo por perto, voando como um morcego gigante. Ao lado dele, quem suspeitaria do p-p-pobre e g-g-gago P-Professor Quirrell?

— Mas o Snape tentou me matar no jogo de Quadribol! — gritou Harry, dando um passo à frente.

— Não, querido garoto. Eu tentei te matar. — Quirrell deu um passo em direção a eles, e Emma instintivamente puxou Harry para trás pela jaqueta, colocando-se meio corpo à frente dele. — Snape estava murmurando um contrafeitiço para te salvar.

— O quê? — Harry e Emma disseram juntos.

— Por que ele faria isso? — perguntou Harry.

— Porque ele odiava seu pai, mas nunca deixaria um aluno morrer — Quirrell revirou os olhos com impaciência. — Agora, fiquem quietos. Tenho assuntos a tratar com este espelho.

Ele voltou-se para o Espelho de Ojesed, ignorando as duas crianças armadas.

— Eu vejo a Pedra... — murmurou Quirrell, passando a mão pelo vidro. — Eu estou apresentando-a ao meu mestre... mas onde ela está?

Emma apertou o cabo da adaga. O coração dela batia tão forte que doía nas costelas.

— Harry — sussurrou ela, apenas movendo os lábios. — A gente ataca no três.

Mas antes que ela pudesse contar, uma voz fria, sibilante e inumana encheu a sala. Ela não vinha de Quirrell. Parecia vir das paredes, ou pior, de dentro da própria cabeça de Emma.

Use os garotos...

Quirrell girou, os olhos brilhando com fanatismo.

— Potter! Romanoff! Venham aqui!

Harry não se mexeu. Emma travou os pés no chão.

— Vem logo! — gritou Quirrell. Ele estalou os dedos.

Não foi um feitiço comum. Cordas de fogo mágico surgiram do nada, chicoteando o ar e prendendo Harry e Emma com violência. Emma sentiu o calor chamuscar sua jaqueta de couro enquanto era arrastada para a frente do espelho.

— Me solta, seu maluco! — gritou Emma, debatendo-se. — Quando a minha mãe souber disso, ela vai arrancar a sua outra orelha!

— Harry Potter, olhe no espelho e me diga o que vê — ordenou Quirrell.

Daughter of No OneOnde histórias criam vida. Descubra agora