Capítulo 120

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Castelo de Hogwarts. Escócia. 11:45 da Manhã.

A Escócia não estava apenas fria; estava hostil.

Uma tempestade de neve precoce e violenta açoitava as Terras Altas, cobrindo as torres de Hogwarts com um manto branco e espesso. O Lago Negro estava congelado nas margens. O vento uivava contra as pedras antigas, como se a própria natureza soubesse que algo ruim estava se aproximando.

Natasha Romanoff caminhava pelos jardins cobertos de neve. Ela não sentia o frio. A adrenalina e o medo eram isolantes térmicos eficazes.

Ela vestia um sobretudo de lã pesado sobre a roupa tática, botas de neve e luvas de couro. Os óculos escuros protegiam os olhos contra o clarão branco ofuscante da neve.

Hagrid a encontrou nos portões, mas ao ver a expressão no rosto dela, ele não ofereceu chá nem conversa fiada. Ele apenas abriu o caminho e a escoltou em silêncio até as portas de carvalho.

Ela atravessou os corredores vazios — os alunos estavam em aula — e subiu as escadarias móveis.

A gárgula de pedra que guardava a entrada do escritório do Diretor saltou para o lado antes mesmo que ela dissesse a senha. Dumbledore sabia que ela estava vindo.

Escritório do Diretor.

A sala circular estava quente, cheirando a lenha queimada e limão. Os instrumentos de prata zumbiam suavemente nas mesas de pernas finas. Fawkes, a fênix, piou baixo de seu poleiro, uma nota triste e longa.

Albus Dumbledore estava de pé perto da janela, observando a tempestade de neve lá fora.

Quando Natasha entrou, ele se virou. O brilho habitual nos olhos azuis por trás dos óculos de meia-lua estava diminuído. Ele parecia mais velho hoje.

— Natasha — ele disse, num tom grave. — As proteções da escola sentiram sua angústia antes mesmo de você pisar nos jardins.

Natasha não perdeu tempo com cortesias. Ela caminhou até o centro da sala, tirando os óculos escuros e jogando-os sobre a mesa dele. Ela puxou o arquivo que Mallory lhe dera e o abriu, espalhando as fotos da Sala Vermelha, os relatórios médicos e, por fim, o relatório preliminar que Q enviara para o tablet dela no caminho para o aeroporto.

— Eles voltaram, Albus — ela disse, a voz seca. — A Sala Vermelha.

— E eles não estão usando magia. Eles estão usando química.

Dumbledore se aproximou, examinando os papéis com cuidado. Ele olhou para a foto da pequena Natasha no berço. Seus olhos se estreitaram em tristeza, mas ele continuou lendo.

— "Subjulgação química" — ele leu em voz alta o relatório de Q. — Uma variante sintética que elimina a vontade própria.

— É pó vermelho — Natasha explicou, brutalmente honesta. — Não é a Maldição Imperius. Não se pode lutar contra isso com força de vontade. Se você inalar, você é deles. A mente fica consciente, mas o corpo obedece. É a prisão perfeita.

— E eles estão ativos. Minha irmã... — a voz dela vacilou, mas ela forçou a firmeza. — Minha irmã está com eles. E se eles estão ativos, eles sabem quem eu sou. Sabem onde eu moro. E sabem quem é a minha filha.

Dumbledore levantou os olhos dos papéis e olhou profundamente para ela.

— Você vai para a guerra.

— Eu vou terminar o que comecei — Natasha corrigiu. — Eu vou para Budapeste. Vou rastrear a origem. E vou queimar tudo.

Dumbledore contornou a mesa e sentou-se, entrelaçando os dedos longos.

Daughter of No OneHistórias para pegar e não largar. Descubra agora