Capitulo 62

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Quarto de Hóspedes, Fazenda Barton. 06:00 da Manhã.

A luz da manhã entrava pela janela, pálida e filtrada pela cortina de renda. O quarto estava silencioso, exceto pelo canto distante de um galo.

Natasha abriu os olhos devagar. Por um segundo, o pânico habitual da desorientação tentou tomar conta — Onde estou? Quem está no perímetro? — mas ele foi imediatamente silenciado por uma presença familiar.

Ela virou a cabeça no travesseiro.

James estava exatamente onde prometera estar. Sentado na poltrona velha no canto do quarto, com os cotovelos apoiados nos joelhos e as mãos entrelaçadas. Ele não parecia ter dormido, mas também não parecia cansado. Ele estava em modo de vigilância, imóvel como uma estátua de mármore e vibranium.

Assim que ele percebeu a mudança na respiração dela, ele levantou o olhar.

Ele não se moveu em direção à cama. Ele não sorriu. Ele apenas a encarou com aquela intensidade azul que parecia ver através das paredes que ela construía. Ele manteve a distância, respeitando o espaço físico que ela precisava para se recompor.

Natasha sentou-se na cama, puxando os joelhos para o peito e abraçando as pernas. Ela olhou para ele e, pela primeira vez em anos, não sentiu a necessidade de pegar a arma debaixo do travesseiro. Havia uma segurança ali, com ele, que nem Steve com seu escudo, nem Clint com sua lealdade podiam oferecer. Era a segurança de alguém que conhecia a escuridão tanto quanto ela e não tinha medo de ficar nela.

— Você ficou — ela disse, a voz rouca de sono.

— Eu disse que ficaria — James respondeu simplesmente.

O silêncio que se seguiu não foi pesado. Foi um espaço em branco, uma página esperando para ser escrita. Natasha olhou para as próprias mãos, brincando com um fio solto do edredom.

— Naquela noite... no apartamento do Tony... — ela começou, sem olhar para ele. — Eu fugi da conversa. Não porque eu não confiasse em você. Mas porque eu não estava pronta para dizer o nome dela em voz alta para alguém que... que conhecesse a minha história antiga.

James permaneceu em silêncio, ouvindo, dando a ela o tempo que ela precisava.

Natasha respirou fundo, decidindo que era hora de tirar o peso do peito.

— Quando eu tinha 15 anos, a Sala Vermelha me mandou para uma missão de longo prazo na Inglaterra. Infiltração no MI6. Eu deveria me aproximar de alvos específicos, criar laços... — Ela fez uma pausa, a memória ainda dolorosa. — Eu conheci uma mulher. Lillian Potter. Ela não era um alvo. Ela era... brilhante. Gentil. Ela viu algo em mim que nem eu sabia que existia.

Natasha levantou os olhos, encontrando os de James. Havia uma dúvida ali, sobre como explicar o inexplicável para um homem da ciência e da guerra.

— Mas a Lillian... ela tinha um segredo maior do que eu. Maior do que a espionagem.

James franziu a testa levemente, atento.

— Você viu o Thor, James. Você viu o que caiu do céu em Nova York. Você sabe que o mundo é mais estranho do que nos contaram. — Natasha engoliu em seco. — A Lillian era uma bruxa.

James piscou, mas não riu. Ele apenas inclinou a cabeça. — Uma bruxa? Tipo... magia?

— Magia de verdade. Não tecnologia avançada, não mutação genética. Magia antiga. Varinhas, poções, vassouras... parece conto de fadas, eu sei. — Natasha soltou uma risada nervosa. — Eu levei meses para acreditar, mesmo vendo com meus próprios olhos. Existe uma sociedade inteira escondida bem debaixo do nosso nariz. Eles têm governos, leis, escolas... tudo oculto para nos proteger. E proteger eles de nós.

Daughter of No OneOnde histórias criam vida. Descubra agora