Capitulo 55

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O complexo dos Vingadores estava em plena atividade, mas o silêncio na Sala de Treinamento 04 era absoluto, interrompido apenas pelo som rítmico de pés descalços contra o tatame e o impacto de golpes no ar.

Natasha tinha chegado de Londres há menos de uma hora. Ela não foi para o quarto descansar. Em vez disso, trocou o traje de viagem por uma legging preta da Nike e um top curto de alta performance. O cabelo ruivo, que ela costumava usar solto ou em um coque prático, estava dividido em duas tranças embutidas impecáveis — uma imagem espelhada da garota que um dia foi a joia da Sala Vermelha.

Ela estava sozinha no centro do tatame, movendo-se em uma coreografia letal de sombras. Chutes altos, giros e quedas amortecidas. Ela estava rápida, fluida, mas havia uma tensão em seus ombros que só o esforço físico extremo poderia dissipar.

A porta hidráulica deslizou silenciosamente. Natasha não parou. Ela sentiu a presença antes de ouvir o som, mas continuou sua sequência de socos rápidos contra um saco de pancadas imaginário.

Oshibka v tekhnike, Natalia. Lokti nizhe. (Erro de técnica, Natalia. Cotovelos mais baixos.)

A voz de James Barnes, grave e carregada com o sotaque pesado que ele usava nos invernos da Sibéria, cortou o ar. Era a mesma frase, o mesmo tom de repreensão que ele usava quando ela errava um movimento durante os treinos na Academia.

Natasha parou instantaneamente. O corpo dela reagiu ao comando antes mesmo que sua mente pudesse processar. Ela se virou devagar, o suor brilhando em sua pele, encontrando James parado na borda do tatame. Ele também estava vestido para o treino, a camiseta cinza justa deixando claro que o soro de supersoldado ainda trabalhava a seu favor.

James entrou no círculo de combate. Não houve convite, apenas a gravidade mútua que os puxava.

Ele atacou primeiro — um soco direto que ela desviou inclinando o pescoço. Natasha respondeu com uma rasteira, que ele saltou com agilidade sobre-humana. A luta não era violenta; era uma conversa. Cada movimento era um parágrafo de uma história que eles vinham escrevendo há décadas.

Eles giravam um ao redor do outro. Quando as mãos de James tocaram a cintura dela para um arremesso, Natasha sentiu uma descarga elétrica que não vinha de seus braceletes. A tensão sexual era tão densa que parecia um terceiro combatente na sala. Ele a prendia por trás, o braço de carne contra o pescoço dela, o peito colado em suas costas, e por um segundo, o mundo lá fora — Ultron, Strucker, Londres — deixou de existir.

— Você está lenta — ele sussurrou perto do ouvido dela, a respiração quente contra sua pele.

Natasha deu um sorriso de lado, aquele brilho perigoso voltando aos olhos. Em um movimento acrobático, ela usou a força dele contra ele mesmo, girando o corpo e prendendo o braço de James com as pernas, levando-o ao chão em um estalo seco.

Ela terminou por cima, os joelhos pressionando o peito dele, uma das mãos segurando o pulso de metal de James contra o tatame. O rosto deles estava a centímetros de distância. O azul dos olhos dele encontrou o verde desafiador dela.

— Além de velho, você está fora de forma, James — ela provocou, a voz ofegante.

Seus olhos percorreram o corpo dele — o peito largo, os braços definidos, a força bruta que ela conhecia tão bem. Mentalmente, ela sabia que era a maior mentira que já tinha contado, mas o prazer de vê-lo franzir a testa em indignação era maior.

James soltou uma risada curta, os olhos brilhando com algo que não era apenas cansaço. — Fora de forma? Acho que você precisa de óculos novos, Natalia.

Natasha se levantou com uma agilidade felina, limpando o suor da testa. Foi só então que ela percebeu o movimento na galeria de vidro acima. Steve, Tony, Clint e Bruce observavam a cena em um silêncio atônito. Eles tinham acabado de ver uma dança que nenhum manual militar poderia ensinar.

Daughter of No OneOnde histórias criam vida. Descubra agora