Capitulo 58

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Torre dos Vingadores. Cobertura. Sábado, 22:00.

A festa de Tony Stark estava no auge. A música era alta, o champanhe era caro e a sala estava cheia da elite de Nova York misturada com super-heróis e ex-espiões.

Mas ninguém olhava para o Homem de Ferro.

Natasha Romanoff era o centro gravitacional da sala. Ela havia trocado o couro tático por uma arma diferente: um vestido preto longo, de alças finas, que abraçava cada curva de seu corpo como uma segunda pele. O tecido terminava em uma fenda vertiginosa na perna esquerda, que subia perigosamente a cada passo que ela dava. Seu cabelo ruivo estava solto, caindo em ondas suaves sobre os ombros nus.

Ela estava deslumbrante. E ela sabia que estava sendo observada.

Do outro lado do bar, James Barnes estava encostado na parede, segurando um copo de whisky como se quisesse quebrá-lo. Ele usava uma camisa social preta, com os primeiros botões abertos, e uma jaqueta de couro civil. Ele não tirava os olhos dela.

Natasha sentiu o olhar dele queimando em sua pele. Em resposta, ela se inclinou sobre o balcão onde Bruce Banner estava timidamente segurando uma água tônica.

— Você é o único cavalheiro nesta festa, Bruce — Natasha disse, a voz num tom rouco e baixo, calculado para ser ouvido, mas parecer íntimo. Ela tocou o antebraço do cientista, rindo de algo que ele não tinha dito.

Bruce corou, desconfortável mas lisonjeado. — Ah, eu só estou tentando não quebrar nada, Nat.

Natasha jogou a cabeça para trás ao rir, expondo a linha elegante do pescoço. Pelo canto do olho, ela viu James virar o conteúdo do copo em um único gole agressivo. O maxilar dele estava travado. Ele sabia que aquilo era teatro. Ele sabia que ela estava fazendo aquilo para puni-lo pela conversa no vestiário com Steve. E estava funcionando. O ciúme era um veneno amargo.

— Atenção! — Tony bateu palmas, reunindo todos ao redor da mesa de centro onde Mjolnir, o martelo de Thor, repousava. — O desafio continua. Quem levantar, governa Asgard.

A brincadeira começou. Clint tentou e falhou. Tony tentou, até usando a manopla do Homem de Ferro, e falhou. Bruce fez uma encenação de Hulk que não convenceu ninguém. Steve conseguiu mover o martelo ligeiramente, o que fez o sorriso de Thor vacilar por um segundo, mas no fim, ele também desistiu.

— É um truque — Tony decretou. — Impressão digital.

— É a teoria interessante — Thor riu, pegando sua bebida. — Mas eu tenho uma mais simples: vocês não são dignos.

O coro de reclamações foi interrompido quando Natasha se aproximou da mesa. Ela colocou a taça de vinho de lado.

— E você, Romanoff? — desafiou Clint.

— Ah, não. Essa não é uma pergunta que eu precise que seja respondida — ela disse, com um sorriso enigmático.

Mas, por pura provocação, ela estendeu a mão. Seus dedos finos envolveram o cabo de couro. Ela não fez força. Ela não grunhiu. Ela apenas... puxou.

Houve um som agudo de metal raspando vidro.

O martelo se levantou três milímetros da mesa. O suficiente para passar uma folha de papel.

Natasha soltou o cabo imediatamente, como se ele tivesse dado um choque.

O silêncio na sala foi absoluto. Thor estava pálido, os olhos arregalados, segurando seu copo com força excessiva. Ele olhou para Natasha com um misto de terror e respeito sagrado.

— Nada — Natasha disse rapidamente, ajeitando o cabelo, fingindo que nada aconteceu. — Nem se moveu.

Antes que Tony pudesse começar a gritar sobre física ou Thor pudesse ter um ataque cardíaco, o celular de Natasha vibrou na bolsa de mão.

Daughter of No OneOnde histórias criam vida. Descubra agora