Suíte Principal da Cobertura. Domingo, 04:15 da Madrugada.
A discussão no escritório tinha drenado a alma de ambos. O drive externo com os arquivos do Projeto Banshee repousava agora sobre a mesa de cabeceira de James, brilhando fracamente sob a luz do relógio digital, como uma granada não detonada que eles concordaram em guardar.
A chuva lá fora tinha engrossado, transformando-se em uma tempestade de primavera que chicoteava as janelas panorâmicas de Londres. Na cama, James dormia um sono vigilante, uma mão repousando sobre a cintura de Natasha, a outra próxima à arma escondida sob o travesseiro. Natasha, finalmente vencida pela exaustão física e emocional depois lutar contra o "marido", tinha apagado.
Mas o sono dela não era um refúgio. Era um campo de batalha. E nessa noite, as defesas estavam baixas. O medo que ela confessou a James — o medo de ver o caixão de Emma — tinha aberto uma porta. E alguém estava esperando do outro lado.
O Pesadelo.
Não começou como um sonho comum. Não houve transição suave. Houve um puxão violento, como um gancho atrás do umbigo, similar a uma chave de portal, mas mental. Natasha "acordou" dentro de sua própria mente.
Ela estava no corredor da Sala Vermelha. As paredes brancas estéreis, o cheiro de antisséptico e sangue velho. Mas algo estava errado. O chão estava coberto por uma névoa verde baixa, que se movia como cobras. — Natasha... — A voz não veio de fora. Veio de dentro dos ossos dela. Era aguda, fria, sibilante. A voz que ela ouvira no cemitério através da mente de Emma, mas agora amplificada.
Natasha tentou sacar suas armas. Seus coldres estavam vazios. Ela olhou para as mãos; elas estavam amarradas com cordas de fogo mágico que queimavam a pele. — Apareça! — ela tentou gritar, mas a voz saiu abafada, como se estivesse debaixo d'água.
A névoa se abriu no final do corredor. Não era a Sala Vermelha. O cenário mudou, distorcendo-se como uma pintura a óleo derretendo. Agora era o Chalé. A sala de estar onde eles foram felizes no Natal. A lareira estava apagada. A árvore de Natal estava caída, os enfeites quebrados no chão. E no centro da sala, de costas para Natasha, estava uma figura pequena. Ruiva.
— Emma? — Natasha chamou, o coração disparando tanto que doía fisicamente no sonho. — Emma, saia daí!
A menina se virou devagar. Emma estava pálida. Seus olhos verdes estavam arregalados de terror. Atrás dela, emergindo das sombras da cozinha, estava Lorde Voldemort. Ele parecia gigante. Uma aranha humana tecendo sua teia ao redor da criança. A mão branca e esquelética dele repousava sobre o ombro de Emma, as unhas longas acariciando o pescoço dela, bem acima da artéria carótida.
— Você achou que podia escondê-la com tecnologia trouxa? — Voldemort riu, e o som foi como vidro quebrando. — Você achou que fios e chips podiam parar a verdadeira grandeza? — Você é patética, Viúva. Você é apenas uma mulher quebrada brincando de casinha.
— NÃO TOQUE NELA! — Natasha se jogou contra as cordas invisíveis, rosnando, lutando com uma fúria primitiva. — ME PEGUE! ME MATE! DEIXE ELA EM PAZ!
Voldemort ignorou Natasha. Ele olhou para Emma com desprezo. — A mãe dela falhou, criança. Ela não pode te salvar.
Ele ergueu a Varinha das Varinhas. A madeira de sabugueiro apontou diretamente para o peito de Emma. Emma olhou para Natasha. Seus lábios tremeram. — Mãe... — ela sussurrou. — Eu tô com medo.
— Avada Kedavra.
O flash de luz verde foi cegante. Ele iluminou o chalé destruído com a cor da doença e da morte. O feitiço atingiu Emma no peito. Não houve sangue. Houve apenas o som terrível de um corpo caindo. Um baque surdo, final. Emma caiu para trás. Seus olhos verdes, antes cheios de vida e inteligência, ficaram vidrados. Vazios. Olhando para o nada. A luz saiu deles.
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Daughter of No One
FanfictionHarry e Emma Potter cresceram acreditando que eram normais, insignificantes e indesejados pelos tios que os criaram. Sob a escada da Rua dos Alfeneiros, n.º 4, eles dividiam o escuro, a fome e o silêncio, sem saber que seus nomes eram lendas em um m...
