Q-Branch, MI6. Vauxhall Cross. Quarta-feira, 05:50 da Manhã.
O laboratório subterrâneo do MI6 geralmente cheirava a café velho, ozônio de servidores superaquecidos e desespero de prazos estourados. Mas naquela manhã, havia um elemento novo na mistura: o cheiro de colônia cara e ego inflado.
Q estava debruçado sobre uma mesa de trabalho cheia de microchips e pinças, parecendo que não dormia desde a Guerra Fria. Ao lado dele, sentado em cima da mesa (um sacrilégio no protocolo do MI6), estava Tony Stark. O bilionário usava óculos escuros (apesar de estar no subsolo), um terno de três peças e mexia num holograma azul que flutuava de seu relógio de pulso.
A porta de segurança se abriu com um silvo hidráulico. Natasha Romanoff entrou, caminhando com a determinação de quem tem um horário a cumprir. Ao lado dela, James Barnes caminhava em sincronia perfeita, o braço de metal reluzindo sob as luzes fluorescentes frias. Eles não estavam de mãos dadas — eram profissionais em ambiente de trabalho —, mas a energia entre eles era palpável. Havia uma gravidade compartilhada, um magnetismo que ligava o ombro dele ao dela. Eles se moviam como uma unidade única e letal.
Tony girou na mesa, baixando os óculos escuros na ponta do nariz. Ele olhou para Natasha. Olhou para James. Olhou para o cabelo ligeiramente úmido de ambos (banho rápido pós-atividade). Olhou para a postura relaxada de James, que contrastava com a tensão habitual do Soldado Invernal.
Tony inspirou profundamente pelo nariz, teatralmente. — Ah... — Tony disse, abrindo um sorriso malicioso. — Eu conheço esse cheiro. É uma mistura complexa de chuva de Londres, gel de banho genérico e... ah, sim. Sexo desenfreado e reconciliação violenta.
James revirou os olhos, mas um sorriso de canto apareceu. Natasha não parou de andar. Ela chegou perto de Tony. — Bom dia, Stark.
— Bom dia, Aranha. Vocês dois estão exalando feromônios suficientes para confundir o sistema de ventilação do Q. Sério, Bucky, você quebrou a cama? Porque a Natasha está andando com um gingado diferente e...
POW.
O punho de Natasha conectou com o ombro de Tony. Não foi um soco de Viúva Negra (que quebraria o úmero), mas foi forte o suficiente para fazer o Homem de Ferro desequilibrar e quase cair da mesa, soltando um "Ai!" genuíno.
— Boca fechada, Tony — Natasha avisou, mas não havia veneno real na voz.
Tony esfregou o braço, fazendo uma careta de dor fingida. — Abuso físico. Vou processar. — Ele desceu da mesa e, ignorando o soco, abriu os braços e a envolveu num abraço apertado e sincero. — Senti sua falta, sua traidora russa. Você some por cinco meses, vai morar num castelo na Escócia e nem manda um cartão postal?
Natasha o abraçou de volta brevemente, sentindo o cheiro familiar de metal e oficina que Tony sempre carregava. — Eu estava ocupada, Tony.
— Ocupada virando a "Senhora dos Anéis" segundo o que você me disse no telefone. — Tony se afastou, olhando-a de cima a baixo com curiosidade científica. — Manipulação de energia bio-orgânica? Telecinese? Eu vim pessoalmente porque eu precisava ver isso. O Banner acha que é mutação tardia. Eu acho que é tecnologia alienígena que você roubou.
Q pigarreou, interrompendo a reunião de família dos Vingadores. Ele segurava uma pinça com algo minúsculo na ponta. — Se vocês terminaram de se agredir e se abraçar, temos um cronograma. A Sra. Romanoff tem um trem... ou melhor, uma Chave de Portal... para pegar em quarenta minutos.
Natasha se aproximou da bancada. — Está pronto, Q?
— "Pronto" é uma palavra forte — Q murmurou, esfregando os olhos cansados. — "Funcional e provavelmente não vai te cegar" é mais preciso.
VOCÊ ESTÁ LENDO
Daughter of No One
FanfictionHarry e Emma Potter cresceram acreditando que eram normais, insignificantes e indesejados pelos tios que os criaram. Sob a escada da Rua dos Alfeneiros, n.º 4, eles dividiam o escuro, a fome e o silêncio, sem saber que seus nomes eram lendas em um m...
