Capitulo 89

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Suíte Principal. 05 de Julho. 05:00 da Manhã.

A madrugada chegou trazendo um silêncio azulado e frio para o quarto. Natasha abriu os olhos. O pesadelo tinha ido embora, mas o gosto de bile e culpa ainda estava na garganta.

Ela se virou devagar na cama. James estava dormindo. Mas, ao contrário das outras noites em que eles dormiam entrelaçados como um nó de marinheiro, havia um espaço de trinta centímetros entre eles. O "Espaço Seguro".

Ele tinha respeitado o limite dela. Quando ela virou as costas e pediu para apagar a luz, ele não forçou contato. Ele recuou para dar a ela o ar que ela parecia precisar. Mas agora, olhando para as costas dele, para a curva vulnerável da coluna vertebral e o braço de metal inerte sobre o lençol, Natasha sentiu o peito doer.

Ela tinha sido fria. Cruel, até. Ele tinha corrido para o banheiro preocupado com ela, e ela o tratou como se ele fosse o monstro do sonho. Ela sabia, racionalmente, que o James deitado ali não era o Soldado Invernal que a obrigou a segurar a faca aos onze anos. Aquele James fazia panquecas, aturava o gato e protegia a reputação dela no tribunal. Mas o trauma não é racional. O trauma é um animal assustado que morde a mão que tenta alimentá-lo.

Natasha suspirou, passando a mão no rosto. Ela queria acordá-lo. Queria abraçá-lo e dizer "desculpa, não é você". Mas a vergonha a impediu.

Em vez disso, ela deslizou para fora da cama como uma sombra. Ela vestiu o roupão de seda preto, apertando o nó na cintura com força, como se estivesse fechando uma armadura. Ela olhou para James uma última vez — desejando ter a coragem de voltar para baixo das cobertas — e saiu do quarto.

A máquina de café zumbiu, o único som na cobertura silenciosa. Natasha serviu uma caneca fumegante, preto, sem açúcar. Amargo como ela se sentia.

Ela não ficou na cozinha. Ela caminhou até o final do corredor, parando diante da porta maciça de carvalho escuro. O Escritório. James chamava de "A Sala Vermelha de Londres" brincando, mas ele não sabia o quão perto da verdade estava.

Ela digitou o código biométrico. A tranca pesada estalou. Ela entrou e trancou a porta por dentro.

O escritório era um bunker de informações. Telas desligadas cobriam uma parede. Mapas holográficos flutuavam sobre a mesa. Natasha sentou-se na cadeira de couro, encolhendo as pernas contra o peito, segurando a caneca com as duas mãos para se aquecer.

Ela ativou a mesa com um comando de voz. — Protocolo Aniversariante.

Hologramas surgiram no ar. Um calendário. 31 de Julho. Faltavam menos de quatro semanas.

O aniversário de 13 anos de Emma. E de Harry. Os gêmeos Potter entrariam oficialmente na adolescência. Treze anos. A idade em que a magia se torna instável, em que as personalidades se definem... e a idade em que os alvos nas costas deles ficariam maiores.

Natasha olhou para a foto de Emma no holograma. A menina sorrindo com o uniforme da Grifinória. — Treze anos... — Natasha sussurrou. — Eu tinha treze anos quando matei meu primeiro alvo político.

Ela afastou a imagem de Emma e puxou outro arquivo. 

Um arquivo vermelho sangue. 

ALVO: SIRIUS BLACK.
STATUS: FORAGIDO.
NÍVEL DE AMEAÇA: ÔMEGA.

James sabia que ela era a Diretora do MI6. Ele tinha visitado o escritório em Vauxhall. Ele sabia que ela comandava missões, que ela dava ordens. Mas havia uma coisa que Natasha ainda não tinha contado a ele. O seu verdadeiro cargo.

Para o mundo, e para James, ela era Diretora de Operações Especiais. Uma administradora. Alguém que enviava equipes. Mas a verdade, escondida sob camadas de criptografia que nem o Jarvis conseguia ler, era mais sombria.

Daughter of No OneHistórias para pegar e não largar. Descubra agora