Capítulo183

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Cemitério de Little Hangleton. Quilômetros de distância.

Harry caiu no chão duro. Ele soltou a Taça. Não havia neve aqui. Apenas neblina e lápides antigas cobertas de musgo. Uma igreja velha se erguia à esquerda. Um teixo grande à direita. Estava frio, mas um frio diferente. Um frio de morte.

— Onde eu estou? — Harry se levantou, varinha em punho.

Mate o intruso. — Uma voz sibilada e fraca veio da escuridão.

Harry se virou. Uma figura baixa, encapuzada, segurando um embrulho nos braços como se fosse um bebê. Wormtail. Pedro Pettigrew. Harry sentiu a cicatriz explodir de dor. Ele caiu de joelhos, gritando, largando a varinha. A dor era cega, branca, absoluta.

— HARRY! — A voz de Emma gritou na cabeça dele. Mas ela não estava lá.

Wormtail se aproximou. Com um feitiço rápido, ele prendeu Harry contra a lápide de mármore de um anjo da morte. As cordas mágicas apertaram o peito e os braços dele, prendendo-o como uma estátua.

O ritual começou. Harry, meio consciente pela dor, assistiu ao horror. O caldeirão gigante de pedra. O fogo embaixo dele. Wormtail jogou a coisa repulsiva, o bebê-rudimentar que era Voldemort, dentro da poção fervente.

Osso do pai, dado sem saber... — Wormtail levitou um osso de uma tumba próxima. O caldeirão sibilou. — Carne do servo, dada de bom grado... — Wormtail sacou uma adaga prateada. Harry fechou os olhos. Ele ouviu o grito, o som de algo caindo no líquido e o soluço de agonia de Wormtail ao cortar a própria mão. — Sangue do inimigo, tirado à força...

Wormtail mancou até Harry com a adaga suja de seu próprio sangue. Ele cortou o braço de Harry. O sangue quente escorreu. Wormtail recolheu as gotas num frasco e jogou no caldeirão.

A poção ficou branca cegante. Depois vermelha como sangue. Depois preta. A fumaça clareou. E de dentro do caldeirão, um homem se levantou. Alto. Esquelético. Branco como um crânio. Com olhos vermelhos e fendas no lugar do nariz.

Lorde Voldemort tinha voltado.

Ele saiu do caldeirão, admirando seu novo corpo. Ele tocou os próprios braços, o rosto. Ele riu. Uma risada aguda e fria que fez o sangue de Harry congelar. Wormtail estava no chão, chorando, segurando o toco do braço sangrento. — Mestre... promessa...

Voldemort ignorou-o por um momento, depois, com um gesto desdenhoso de varinha, deu-lhe uma mão prateada. Então, ele tocou a Marca Negra no braço de Wormtail.

Em instantes, o cemitério se encheu de estalos. Crac. Crac. Crac. Comensais da Morte surgiram das sombras, mascarados, caindo de joelhos, rastejando até o mestre. Lucius Malfoy. Crabbe. Goyle. Nott.

Voldemort fez seu discurso. Ele falou de sua queda, de sua jornada, de sua família trouxa nojenta. Ele humilhou seus servos. E então, ele se virou para Harry.

— Harry Potter... — Voldemort sussurrou, caminhando até a lápide onde o garoto estava preso. — O Menino Que Sobreviveu. — Dizem que você é especial. Dizem que você tem um poder que eu não tenho. — Mentiras. Foi a velha magia da sua mãe. Um escudo de amor. Patético. — Mas agora... eu posso tocar em você.

Voldemort levantou a mão branca e longa. Ele colocou o dedo indicador na cicatriz na testa de Harry.

A dor foi além de qualquer descrição. Harry gritou. Mas não foi só Harry.

Tenda em Hogwarts.

— AAAAAHHHHHHH!

Emma gritou. Ela estava deitada no chão, com a cabeça no colo de Natasha. No momento em que Voldemort tocou Harry, Emma arqueou as costas tão violentamente que Natasha teve que usar força física para segurá-la. Sangue começou a escorrer do nariz de Emma. E da cicatriz fina, quase invisível, que ela tinha na têmpora (resultado de uma queda na infância, não de magia, mas agora a conexão usava qualquer porta).

Daughter of No OneOnde histórias criam vida. Descubra agora