Ala Hospitalar. Noite.
A Ala Hospitalar estava mergulhada na penumbra, iluminada apenas pelo brilho suave da lua que entrava pelas altas janelas góticas. O cheiro de poção calmante e lençóis engomados era reconfortante, mas Emma ainda tremia.
Ela estava sentada na cama, com os joelhos puxados contra o peito, enrolada em três cobertores de lã. Harry e Ron tinham sido mandados de volta para o dormitório pela Madame Pomfrey, mas Hermione tinha deixado um sapo de chocolate na mesa de cabeceira como uma promessa silenciosa de lealdade.
Emma não tocou no doce. Seus olhos estavam fixos na porta, esperando. Não o monstro, mas a verdade.
A porta se abriu silenciosamente. Albus Dumbledore entrou. Ele não usava suas vestes extravagantes habituais, mas um manto de viagem cinza-escuro, o que lhe dava uma aparência mais sóbria e antiga.
Ele caminhou até a cama de Emma e puxou uma cadeira, sentando-se com um suspiro leve.
— Chocolate? — ele ofereceu, tirando uma barra do bolso. — Eu sempre acho que o cacau tem propriedades que a magia não consegue replicar.
Emma negou com a cabeça. — Ela está morta? — a pergunta saiu num sussurro rouco, direto ao ponto. Sem rodeios.
Dumbledore olhou para ela por cima dos óculos de meia-lua. Seus olhos azuis não brilhavam com travessura; eles irradiavam uma calma profunda e absoluta.
— Não, Emma. Natasha não está morta.
Emma soltou o ar que nem percebera estar segurando. O nó no peito afrouxou um pouco, mas a imagem da neve manchada de sangue ainda estava tatuada em suas pálpebras.
— Eu vi — ela insistiu, a voz embargada. — Eu vi o corpo. Eu vi o buraco no peito dela. Parecia tão real...
— A mente é um palco complexo, minha querida — disse Dumbledore suavemente. — E Lord Voldemort... ou a memória dele que reside neste castelo... é um dramaturgo cruel. Ele usou o seu maior medo contra você. Ele pegou a imagem da pessoa que você mais ama e a usou como uma arma para quebrar suas defesas.
Ele se inclinou para frente, tocando levemente a mão de Emma, que estava gelada sobre o cobertor. — O que você viu não foi uma visão do presente, nem uma profecia do futuro. Foi uma mentira. Uma tortura projetada para fazer você desistir de lutar.
— Mas ele disse que ela quebrou fácil — Emma sussurrou, as lágrimas voltando. — Que o amor é uma fraqueza.
— É exatamente isso que ele diria — Dumbledore sorriu, um sorriso triste, mas cheio de convicção. — Tom Riddle nunca compreendeu o amor. Para ele, o sacrifício é estupidez e o afeto é vulnerabilidade. Ele não entende que Natasha Romanoff é, provavelmente, a mulher mais difícil de se "quebrar" que este mundo já viu. Ela já sobreviveu a invernos muito piores do que o que ele pode conjurar.
Emma fungou, limpando o rosto com a manga do pijama. A menção à força de Natasha a fez se sentir um pouco mais segura. — Então ela está bem?
— "Bem" é uma palavra relativa para alguém na profissão dela — Dumbledore admitiu com honestidade. — Ela está viva. Ela está lutando. E ela está, tenho certeza, pensando em você neste exato momento.
Dumbledore se levantou, ajeitando o manto. — O Natal está chegando, Emma. Daqui a duas semanas, o Expresso de Hogwarts levará os alunos para casa. Eu sugiro que você use esse tempo para fortalecer sua mente, não com medo, mas com a expectativa do reencontro. Nada dissipa um fantasma mais rápido do que um abraço real.
— Eu quero ir para casa — Emma disse, a voz pequena. — Eu preciso vê-la.
— E você verá — prometeu Dumbledore. — Até lá... tente comer o sapo de chocolate. Acredite em mim, ajuda.
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Daughter of No One
FanfictionHarry e Emma Potter cresceram acreditando que eram normais, insignificantes e indesejados pelos tios que os criaram. Sob a escada da Rua dos Alfeneiros, n.º 4, eles dividiam o escuro, a fome e o silêncio, sem saber que seus nomes eram lendas em um m...
