Capítulo 133

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Pub "O Dedo de Mel". Beco Travessa. 17:45.

A garrafa de Uísque de Fogo Ogden's Old Firewhisky já estava perigosamente abaixo da metade. A vela flutuante sobre a mesa pingava cera roxa na madeira gasta, iluminando os rostos corados de dois dos fugitivos mais perigosos de seus respectivos mundos.

Sirius girou o copo, olhando para Natasha com aquele brilho malicioso de quem estava guardando uma pergunta há muito tempo. — Sabe, Romanoff... a Lily me contava coisas. Mas eu tenho olhos. Eu vi como você e o Aluado se olhavam naquela época. Ele se inclinou sobre a mesa, baixando o tom para um sussurro conspiratório. — Eu sei do histórico. Você tem uma queda por homens complicados e perigosos.

Natasha riu, jogando a cabeça para trás. O álcool tinha soltado as amarras de sua postura rígida de espiã. — Remus era um cavalheiro, Sirius. Na maior parte do tempo.

— "Na maior parte do tempo", — Sirius repetiu, erguendo uma sobrancelha. — Exato. É aí que eu quero chegar. Vamos lá, estamos na terceira dose. Análise técnica. Sem julgamentos.

Ele apontou o dedo para ela. — Quem beija melhor? O lobisomem torturado ou o super-soldado ciborgue? Remus Lupin ou James Barnes?

Natasha mordeu o lábio inferior, segurando o riso, fingindo ponderar a questão com seriedade acadêmica. — Remus... — ela começou, lembrando-se com carinho. — Remus beijava como se fosse a última vez. Era intenso, faminto... tinha aquela coisa do "lobo" logo abaixo da pele. Ele tinha medo de machucar, então ele se segurava, o que deixava tudo mais elétrico.

— Ponto para o Aluado — Sirius brindou ao ar. — E o Barnes?

Natasha tomou um gole longo do uísque. O sorriso dela mudou. Deixou de ser nostálgico e virou algo... sujo. — James... — ela suspirou, e o nome saiu arrastado. — O James não tem medo de me machucar, porque ele sabe que eu aguento.

Sirius assobiou. — Ok, ok. Mas e na horizontal? Quem ganha a medalha de ouro? O Lobisomem ou o Soldado?

Natasha olhou para Sirius. O álcool a deixou corajosa, e a falta de sexo no último mês a deixou honesta. Ela sorriu, um sorriso de canto de boca, e mordeu o lábio inferior de um jeito que faria Bucky perder o juízo se estivesse vendo.

— Sirius... — ela sussurrou. — Ele tem um braço de vibranium. Ela levou a mão ao próprio pescoço, traçando a linha da mandíbula, os olhos ficando um pouco mais escuros. — O Remus era incrível, não me entenda mal. Mas quando aquele metal frio toca na minha pele... quando ele aperta o meu pescoço com aquela mão que pode esmagar concreto, mas me segura como se eu fosse preciosa... Natasha fechou os olhos por um segundo, sentindo o arrepio. — O frio do metal, o calor do corpo dele e a stamina de um soro de super-soldado que não cansa nunca? — Ela abriu os olhos e piscou para Sirius. — Desculpe, Aluado. Mas o Soldado Invernal ganha. De longe.

Sirius gargalhou alto, batendo na mesa e quase derrubando a garrafa. — Pelas barbas de Merlin, Romanoff! Você é uma pervertida! "O braço de metal fala mais alto". Eu nunca mais vou conseguir olhar para o braço prateado dele sem pensar nisso.

— Problema seu — Natasha riu, servindo mais uma dose. — E você, Cachorrão? Quando vai arrumar uma namorada? Ou namorado? A fila de bruxas querendo "consertar" o bad boy de Azkaban deve estar dobrando o quarteirão.

Sirius revirou os olhos, mas sorriu. — Eu sou uma alma livre, Nat. Quem aguentaria? "Oi, prazer, sou ex-presidiário, emocionalmente instável, moro numa casa que tenta me matar e tenho um afilhado adolescente que atrai Lordes das Trevas." Não é exatamente um perfil de Tinder de sucesso.

— Ah, para — ela zombou. — Você é rico, bonito, tem uma moto voadora e esse cabelo. Você só está com medo de se amarrar.

— Talvez — ele admitiu, girando o copo. — Ou talvez eu esteja ocupado demais tentando não estragar o Harry.

Daughter of No OneHistórias para pegar e não largar. Descubra agora