Cobertura de Kensington. Quarta-feira, 15:30.
Nas três horas que se seguiram ao silêncio dos gritos de Natasha, a cobertura de Kensington sofreu uma transmutação. O cheiro clínico de antisséptico, suor e doença foi violentamente expulso. Em seu lugar, reinava o aroma reconfortante, quase agressivo de tão caseiro, de frango assado com batatas, pão de alho recém-saído do forno e torta de melaço.
Molly Weasley era um furacão de eficiência doméstica e mágica. Enquanto Natasha dormia o sono profundo e sem sonhos induzido pela poção, Molly varreu a tristeza da casa. Esfregões encantados lavaram o chão do banheiro onde Natasha tinha sofrido. Louças flutuavam da pia para os armários. As roupas sujas de sangue e bile de James e Natasha já estavam lavadas, dobradas e cheirando a lavanda.
James Barnes estava sentado à ilha da cozinha, com um prato de comida fumegante à sua frente que ele mal tocara. Ele observava Molly. O Soldado Invernal estava acostumado com eficiência, mas a magia doméstica dos Weasley era algo que sua mente tática ainda lutava para processar.
Molly parou de mexer uma panela de sopa com a varinha e se virou para ele. A expressão dela não era mais de pena. Era de fúria contida. Ela colocou as mãos nos quadris, o avental sujo de farinha.
— Por que, James? — Ela perguntou, a voz baixa para não acordar Natasha, mas vibrando de indignação. — Eu troquei as roupas dela. Eu vi as marcas de injeção na coluna. Eu vi a pele queimada atrás das orelhas. — O que vocês fizeram com ela? Aquilo não foi um ataque. Aquilo foi cirúrgico. — Como você permitiu que ela fizesse isso consigo mesma?
James largou o garfo. Ele passou a mão no rosto cansado, sentindo a barba por fazer arranhar a palma. — Eu não "permiti" nada, Molly. Você conhece a Natasha. Ninguém "permite" ou "proíbe" que ela faça algo. — Eu tentei impedir. Eu quase apaguei os arquivos. Mas ela me disse que nunca me perdoaria se a Emma morresse porque ela não tinha a proteção.
Molly apertou os lábios, os olhos marejados de raiva e tristeza. — Proteção? Aquilo parecia tortura medieval misturada com as máquinas daquele homem de lata, o Stark! — Ela estava se retorcendo de dor, James! O sistema nervoso dela estava em frangalhos!
— Ela quer te contar, — James disse, a voz rouca. — Ela me fez prometer que explicaria o plano quando acordasse. — Mas eu já vou te adiantar, Molly: você não vai gostar. — Eu odiei. O Stark odiou. O Q odiou. — Mas é a única chance que ela tem de sobreviver ao que está vindo.
Molly bufou, balançando a cabeça. — Sobreviver... se aquilo não matá-la antes. — Comam, — ela ordenou para Harry e Emma, que estavam sentados no sofá, comendo em silêncio, assustados com a tensão. — Vocês estão pálidos.
Harry limpou o prato, mas Emma apenas beliscou uma batata. Harry olhou para James, depois para Molly. — Sra. Weasley... a Ordem. O Dumbledore disse que ia convocar uma reunião de emergência. — Podemos fazer aqui? — Harry sugeriu, esperançoso. — A casa é segura. Tem proteções Stark. A Nat não precisaria sair da cama.
James ergueu o olhar. Ele não se oporia. Ele queria Natasha ali, onde ele podia vigiá-la.
Mas Molly negou com a cabeça, categórica. — Não, Harry. É muito arriscado. — O Flu desta casa é monitorado por tecnologia. As proteções do James são impressionantes para trouxas e até para alguns bruxos, mas Voldemort sabe onde vocês moram. Ele já tocou a mente da Emma aqui. — A Sede da Ordem está sob o Feitiço Fidelius. É o único lugar onde ela pode se recuperar sem medo de um ataque noturno.
Molly olhou para o corredor, onde Natasha dormia. — Além disso, ela precisa de cuidados mágicos constantes pelos próximos dias. O unguento precisa ser reaplicado a cada quatro horas. A Poção da Paz precisa ser dosada. — Eu não posso ficar indo e vindo.
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Daughter of No One
FanfictionHarry e Emma Potter cresceram acreditando que eram normais, insignificantes e indesejados pelos tios que os criaram. Sob a escada da Rua dos Alfeneiros, n.º 4, eles dividiam o escuro, a fome e o silêncio, sem saber que seus nomes eram lendas em um m...
