A Toca. Quarta-feira, 09:00 da Manhã.
Natasha não contou a Emma. Nem a Hermione. Quando as meninas perguntaram sobre a conversa com Dumbledore, Natasha mentiu com a fluidez de uma espiã de classe mundial. Disse que o Diretor apenas lhe dera "autorização especial" para acessar a Biblioteca Restrita para estudar táticas defensivas. Ela viu o brilho de excitação nos olhos da filha e sentiu uma pontada de culpa. Mas Natasha sabia que conhecimento era poder, e poder, antes de ser dominado, era perigoso. Ela só contaria quando tivesse a arma na mão. Quando soubesse que não era um erro da natureza.
Agora, ela estava na lareira da cozinha dos Weasley, vestindo um casaco longo e discreto, segurando um punhado de Pó de Flu. Molly Weasley estava ao lado dela, ajeitando a gola do casaco de Natasha com aquele carinho fussing (agitado) que era sua marca registrada.
— Você tem certeza de que não quer tomar mais um chá antes de ir, querida? Você está pálida — Molly disse, os olhos castanhos cheios de preocupação.
— Estou bem, Molly. É só... ansiedade de desempenho — Natasha tentou brincar, mas o sorriso não chegou aos olhos. Ela olhou para a matriarca Weasley. — Obrigada por vir comigo. Eu não queria ir sozinha. E sinceramente, eu nem saberia onde procurar a entrada no Beco Diagonal sem chamar a atenção.
Molly parou de ajeitar a roupa e segurou o rosto de Natasha com as duas mãos quentes. — Bobagem. Filhas não vão comprar a primeira varinha sozinhas. É um rito de passagem. Eu levei o Bill, o Charlie, o Percy, os gêmeos, o Ron e a Ginny. Ela sorriu, os olhos marejados. — Fico honrada de levar você também. Agora, vamos. O Sr. Olivaras é um homem peculiar, mas é o melhor.
Molly entrou na lareira primeiro. — Beco Diagonal! — ela gritou, desaparecendo em chamas verdes. Natasha respirou fundo, segurou a bolsa com força e entrou no fogo.
Olivaras: Artesãos de Varinhas desde 382 a.C. 10:15.
A loja era pequena, empoeirada e silenciosa, com aquele cheiro específico de madeira velha, magia estagnada e segredos. Milhares de caixas estreitas estavam empilhadas até o teto, contendo o potencial de grandeza ou destruição.
Natasha sentia-se exposta ali. Mais do que na Sala Vermelha. O sininho da porta tocou quando elas entraram. Garrick Olivaras deslizou de trás das prateleiras como um fantasma. Seus olhos grandes e pálidos focaram imediatamente em Natasha. Ele não parecia surpreso. Dumbledore devia ter enviado a carta.
— Sra. Romanoff — Olivaras sussurrou, a voz suave e arrepiante. — Eu estava esperando por você. Um caso... singular. Muito singular. Ele se aproximou, invadindo o espaço pessoal dela sem medo. Ele pegou a mão direita de Natasha, virando-a para cima, traçando as linhas da palma, sentindo os calos de armas de fogo e facas. — Mãos que tiraram muitas vidas... — ele murmurou, fascinado. — E mãos que salvaram muitas outras. O sangue conta uma história interessante, minha cara.
Molly deu um passo à frente, protetora. — Garrick, por favor. Ela precisa de uma varinha.
— Sim, sim, é claro. — Olivaras soltou a mão de Natasha e puxou uma fita métrica que começou a medir Natasha sozinha, medindo do ombro ao dedo, do pulso ao cotovelo, e estranhamente, de uma têmpora a outra.
Olivaras desapareceu nas prateleiras e voltou com uma caixa. — Vamos tentar esta. Faia e fibra de coração de dragão. Nove polegadas. Boa para transfiguração.
Natasha pegou a varinha. — Agite — Olivaras instruiu. Natasha agitou. A varinha voou da mão dela como se tivesse levado um choque, batendo na parede oposta. — Não, não. Definitivamente não — Olivaras murmurou, pegando a varinha do chão. — Ela rejeitou a sua... intensidade.
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Daughter of No One
Hayran KurguHarry e Emma Potter cresceram acreditando que eram normais, insignificantes e indesejados pelos tios que os criaram. Sob a escada da Rua dos Alfeneiros, n.º 4, eles dividiam o escuro, a fome e o silêncio, sem saber que seus nomes eram lendas em um m...
