Estação King's Cross. Plataforma 9 ¾. 10:00 da Manhã.
O vapor da locomotiva vermelha do Expresso de Hogwarts enchia a plataforma, misturando-se com o ar gelado de janeiro. Era uma manhã cinzenta em Londres, o tipo de dia que combinava com despedidas.
Emma estava parada ao lado de seu malão, apertando a alça com força. Ela usava o uniforme de Hogwarts por baixo do casaco de inverno, mas sua expressão não era de uma aluna animada para voltar às aulas. Era de medo. Ela olhou para Natasha. — Eu não quero ir — Emma disse, a voz pequena, os olhos marejados. — E se acontecer de novo? E se eu voltar em maio e você não estiver lá?
Natasha se agachou para ficar na altura dos olhos da filha. Ela estava vestida com roupas civis discretas — casaco longo, cachecol cobrindo parte do rosto e um boné — para evitar os paparazzi que acampavam na porta de seu prédio. Natasha tirou as luvas e segurou o rosto de Emma com as mãos quentes.
— Olhe para mim, bruxinha — Natasha disse, firme e suave. — O monstro se foi. Ele está morto e enterrado. Ninguém vai me tirar de você de novo. Ela beijou a testa da menina. — Você precisa ir. Você precisa terminar o seu ano. Precisa aprender feitiços, jogar Quadribol e reclamar das aulas de Poções. Isso é ser normal. E nós lutamos muito para você ter uma vida normal.
Emma fungou. — Você promete que vai estar lá na estação quando o trem voltar em maio?
— Eu estarei lá antes mesmo do trem parar — Natasha prometeu. — Eu vou te ligar. Vou mandar cartas. Vou mandar o Bucky ir lá te levar doces escondido.
Emma sorriu fraco e olhou para Bucky, que estava ao lado delas, segurando a gaiola da coruja. — Cuida dela, James — Emma pediu, séria.
Bucky colocou a mão no ombro de Emma. — Pode deixar, garota. Eu não vou tirar os olhos dela. É uma promessa de Soldado.
O apito do trem soou. Com um último abraço esmagador, Emma embarcou. Natasha ficou parada na plataforma, acenando até o trem virar apenas uma mancha vermelha na distância. Quando ele sumiu, o sorriso dela vacilou, e o cansaço voltou.
Cobertura de Natasha. Kensington. 11:30.
O apartamento estava silencioso sem a energia caótica de Emma e sem a presença barulhenta dos Vingadores e espiões, que já tinham dispersado para suas missões ou retornado para os EUA. Agora, eram apenas Natasha e Bucky.
Natasha estava sentada na ilha da cozinha, com uma xícara de café preto fumegante entre as mãos. Sobre o mármore branco, estavam espalhados jornais do dia: The Times, The Guardian, Daily Prophet (que Sirius tinha deixado) e tablets com notícias internacionais.
A foto dela estava em todo lugar. Não a foto da mulher quebrada na cadeira elétrica, mas a foto oficial da Diretora do MI6, imponente e letal.
As manchetes gritavam em letras garrafais: "A QUEDA DO IMPÉRIO INVISÍVEL: DIRETORA ROMANOFF DESMANTELA REDE DE 100 ANOS." "VIÚVA NEGRA: A HEROÍNA QUE LIMPOU OS CÉUS." "FIM DA SALA VERMELHA CONFIRMADO."
Os artigos falavam de uma "operação tática brilhante". Falavam de "inteligência superior". Elogiavam a "estratégia de infiltração". Natasha leu as palavras, mas elas não faziam sentido. Eles achavam que foi uma missão. Eles achavam que foi justiça.
Ela olhou para suas próprias mãos, segurando a xícara de cerâmica branca. As unhas estavam limpas, curtas. A pele estava lavada. Mas, por um segundo, a visão de Natasha oscilou. O branco da cerâmica sumiu. Ela viu vermelho. Ela sentiu a textura viscosa e quente. Ela sentiu o impacto dos ossos do rosto de Dreykov cedendo sob seus punhos. O som úmido. A fúria cega e animalesca que a possuiu naquele escritório.
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Daughter of No One
FanfictionHarry e Emma Potter cresceram acreditando que eram normais, insignificantes e indesejados pelos tios que os criaram. Sob a escada da Rua dos Alfeneiros, n.º 4, eles dividiam o escuro, a fome e o silêncio, sem saber que seus nomes eram lendas em um m...
