Hogwarts. 7 de Janeiro. Corredor do Segundo Andar.
O retorno a Hogwarts tinha sido agridoce. Despedir-se de Natasha na Plataforma 9 ¾ foi difícil
Mas a leveza do Natal desapareceu assim que pisaram no castelo. A tensão da Câmara Secreta ainda pairava no ar como uma névoa tóxica.
Emma, Harry, Rony e Hermione caminhavam pelo corredor do segundo andar entre as aulas. Hermione já tinha se recuperado do "incidente felino" com a Poção Polissuco (embora Rony ainda risse disso ocasionalmente).
— Olha aquilo! — Harry apontou.
O chão estava coberto de água. Ela refletia as tochas e molhava a barra das vestes dos alunos que passavam reclamando. A água parecia vir do banheiro feminino.
— A Murta Que Geme deve estar tendo um ataque de novo — Rony revirou os olhos, pulando uma poça.
— Vamos ver — Emma disse, ajustando a alça da mochila. Ela não tinha medo de fantasmas, não depois de conviver com a Viúva Negra.
Eles entraram no banheiro. Estava escuro, úmido e deprimente. A água jorrava de uma das pias quebradas. Murta estava flutuando perto do teto, soluçando alto.
— O que aconteceu, Murta? — Hermione perguntou, tentando ser gentil, embora a voz da fantasma fosse irritante.
— Alguém jogou algo em mim! — Murta gritou, descendo em um mergulho dramático. — Eu estava aqui, cuidando da minha vida, pensando na morte, e BUM! Bem na minha cabeça!
— Mas Murta... você não sente dor, sente? — Rony perguntou, insensível como sempre.
Murta estufou o peito prateado, indignada. — Isso não é desculpa! É a falta de respeito!
— Quem jogou? — Harry perguntou, olhando ao redor.
— Eu não sei! — ela apontou para uma das cabines. — Está ali, no chão.
Harry caminhou até a poça embaixo da pia. Emma foi logo atrás dele. Havia um pequeno livro preto, encharcado, jogado no chão.
Harry o pegou. A capa estava gasta e trazia uma data desbotada. — "T.M. Riddle" — Harry leu o nome na primeira página. — Cinquenta anos atrás.
Emma franziu a testa. O cérebro dela começou a trabalhar rápido. — Espera... cinquenta anos atrás?
Ela olhou para Hermione. — Mione, você disse que a Câmara foi aberta pela última vez há cinquenta anos, certo?
— Sim... — Hermione respondeu, os olhos se arregalando ao fazer a conexão. — Isso significa que esse diário... pode ser de alguém que estava aqui quando aconteceu.
Emma olhou para o diário na mão de Harry e depois para a Murta, que ainda soluçava perto do teto. Uma ideia terrível e óbvia cruzou a mente da ruiva.
— Murta? — Emma chamou, dando um passo à frente. A voz dela saiu firme, ignorando o arrepio na espinha.
— O que você quer? — a fantasma resmungou.
— Você... você sempre assombrou esse banheiro? — Emma perguntou.
— Desde que eu morri — Murta respondeu, fungando. — O que foi uma tragédia, é claro. Eu era muito jovem.
Emma trocou um olhar significativo com Harry. Harry entendeu. A pele dele ficou pálida.
— Murta... — Harry começou, aproximando-se. — Como foi que você morreu?
A expressão de Murta mudou instantaneamente. De triste e rabugenta, ela passou a parecer... importante. Ninguém nunca perguntava sobre a morte dela com interesse genuíno.
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Daughter of No One
FanfictionHarry e Emma Potter cresceram acreditando que eram normais, insignificantes e indesejados pelos tios que os criaram. Sob a escada da Rua dos Alfeneiros, n.º 4, eles dividiam o escuro, a fome e o silêncio, sem saber que seus nomes eram lendas em um m...
