Corredor do Segundo Andar. 31 de Outubro, Noite de Halloween.
O castelo estava silencioso, exceto pelo som distante e alegre do banquete no Grande Salão, onde centenas de alunos comiam torta de abóbora e riam das travessuras dos fantasmas. Mas no segundo andar, o ar estava pesado, úmido e cheirava a água estagnada.
Harry, Ron e Hermione caminhavam depressa, fugindo da melancolia gelada da Festa de Aniversário de Morte de Nick Quase Sem Cabeça. Harry parou de repente, a mão no muro de pedra.
— ...matar... hora de matar... — a voz sibilou, ecoando pelos encanamentos.
— Harry? — Hermione chamou, vendo o amigo empalidecer.
Mas Harry não respondeu. Ele começou a correr, seguindo o som invisível. Ron e Hermione trocaram um olhar assustado e correram atrás dele.
Emma vinha logo atrás, mas seus passos eram lentos, arrastados.
Ela não ouvia a voz que Harry ouvia. O que ela sentia era muito pior.
Começou como um zumbido na base do crânio, como uma broca de dentista perfurando o osso. Em segundos, a dor explodiu.
— Ah! — Emma gritou, caindo de joelhos na poça de água que inundava o corredor.
A água gelada encharcou a barra de suas vestes e a meia-calça, mas ela mal sentiu. Sua cabeça parecia estar sendo esmagada por mãos invisíveis. Sua visão ficou turva, manchada de vermelho nas bordas.
ÓDIO. PURO. FRIO.
Não eram palavras. Eram emoções cruas, violentas, antigas, sendo transmitidas diretamente para o sistema nervoso dela. Ela sentia o prazer sádico de algo que acabara de caçar. Sentia a satisfação fria de ver uma vida ser paralisada.
— Emma! — Hermione, que tinha voltado ao ouvir o grito, agachou-se ao lado dela, ignorando a água suja. — O que foi? O que você tem?
— Minha cabeça... — Emma gemeu, segurando as têmporas com as mãos trêmulas. — Está... está gritando...
Harry e Ron pararam mais à frente. Eles olhavam para a parede.
— Hermione... Emma... — a voz de Harry saiu estrangulada. — Olhem.
Hermione ajudou Emma a se levantar. A ruiva se apoiou na amiga, piscando para limpar as lágrimas de dor dos olhos, e olhou para onde o irmão apontava.
Entre duas janelas, iluminada pela luz trêmula das tochas, havia uma mensagem pichada na parede de pedra. A tinta ainda brilhava úmida e escarlate, escorrendo como sangue fresco.
A CÂMARA SECRETA FOI ABERTA. INIMIGOS DO HERDEIRO, CUIDADO.
E logo abaixo da mensagem, pendurada pelo rabo num suporte de tocha, estava a Madame Nor-r-ra.
A gata do zelador Filch estava rígida como uma tábua, os olhos arregalados e vidrados num terror eterno. Ela não estava morta, mas parecia uma estátua de taxidermia macabra.
O silêncio no corredor era absoluto. A dor na cabeça de Emma pulsou uma última vez, violenta, como um aviso final, e depois recuou para um latejar constante e nauseante.
— "Inimigos do Herdeiro..." — Hermione leu em voz alta, a voz tremendo.
— Temos que sair daqui — disse Ron, os olhos arregalados de pânico. — Se nos pegarem aqui...
— Tarde demais — sussurrou Harry.
Um barulho, como um trovão distante, anunciou o fim do banquete. Centenas de pés subiam as escadas, conversando alegremente. Em segundos, o corredor se encheu de alunos.
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Daughter of No One
FanfictionHarry e Emma Potter cresceram acreditando que eram normais, insignificantes e indesejados pelos tios que os criaram. Sob a escada da Rua dos Alfeneiros, n.º 4, eles dividiam o escuro, a fome e o silêncio, sem saber que seus nomes eram lendas em um m...
