Capítulo 139

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A rotina se estabeleceu como um jogo de xadrez silencioso e perverso. Duas semanas tinham se passado desde a luta no ginásio. Eles não tinham voltado. Bucky ainda dormia no sofá do Clint (que agora já tinha o formato das costas dele), e Natasha ainda morava sozinha na cobertura impecável.

Mas no escritório, a dinâmica tinha mudado. Bucky Barnes, o sargento disciplinado da década de 40, tinha desenvolvido uma súbita e conveniente amnésia para papelada burocrática. Ele não esquecia porque era desleixado. Ele esquecia porque sabia exatamente o que aconteceria.

14:00.

O telefone da sala de treinamento tocou. Bucky atendeu, secando o suor da testa com o antebraço. — Barnes.

— O Sargento tem três relatórios de avaliação balística pendentes. — A voz de Natasha do outro lado da linha era seda pura enrolada em arame farpado. — A Diretora exige sua presença. Agora.

Bucky sorriu para o nada. — Estou subindo, senhora.

Escritório da Diretoria.

Quando Bucky entrou, Natasha não estava atrás da mesa, protegida por sua fortaleza de mogno. Ela estava em pé, encostada na frente da mesa, revisando um arquivo. O jogo de hoje era visual.

Ela usava um terno cinza chumbo, mas a "profissionalismo" parava na cor. A saia lápis tinha uma fenda lateral perigosamente alta, que subia até o meio da coxa. A blusa de seda branca por baixo do blazer estava com os dois primeiros botões abertos, revelando a pele pálida do colo e o início da curva dos seios, adornada apenas por um colar fino de ouro. Ela sabia que ele estava olhando. Ela queria que ele olhasse.

— Você está testando a minha paciência, James — ela disse, sem levantar os olhos do arquivo, mas virando a página com uma lentidão calculada.

Bucky fechou a porta atrás de si. O clique da tranca foi o único som. Ele caminhou até ela, parando a uma distância respeitosa, mas carregada de tensão. — Eu sou um homem de ação, Diretora — ele respondeu, a voz rouca. — Papelada não é meu forte.

Natasha finalmente levantou os olhos. O verde colidiu com o azul. Ela fechou o arquivo e o colocou sobre a mesa, atrás dela. Para fazer isso, ela teve que se inclinar para trás. O movimento acentuou o decote da blusa. A saia subiu um centímetro, revelando mais da perna torneada, aquela mesma perna que o tinha derrubado no tatame dias atrás.

Bucky sentiu a boca secar. O sangue desceu rápido, pesado. Ele não desviou o olhar. O "velho Bucky" teria desviado por respeito, ou por medo de ofendê-la. O "novo Bucky", o que estava jogando para ganhar, manteve os olhos fixos na pele dela. Ele olhou para o decote, descaradamente, e depois subiu devagar para os olhos dela. Eu vejo você. Eu quero você. E eu não tenho medo.

Natasha percebeu o olhar. O canto da boca dela se curvou minimamente. — Seus olhos estão vagando, Sargento — ela provocou, a voz baixa. — Isso é insubordinação.

— É apreciação tática — Bucky rebateu, dando um passo à frente. Ele estava agora dentro do espaço pessoal dela. O cheiro do perfume dela — jasmim e perigo — invadiu os sentidos dele. — Estou avaliando as ameaças no ambiente.

— E o que você encontrou? — Natasha perguntou, cruzando os braços, o que serviu apenas para apertar a blusa e realçar suas formas.

— Uma distração de nível letal — ele murmurou.

Natasha riu, um som baixo na garganta. Ela descruzou as pernas e deu a volta na mesa, sentando-se em sua cadeira giratória. O movimento fez a fenda da saia se abrir quase totalmente por um segundo. Bucky teve que travar o maxilar para não gemer ali mesmo. Ela sabia. Aquela bruxa sabia exatamente o efeito que tinha sobre o soro dele.

Daughter of No OneHistórias para pegar e não largar. Descubra agora