Terrenos de Hogwarts. 24 de Novembro. Terça-feira, 11:30.
O dia da Primeira Tarefa amanheceu frio e cinzento, como se o próprio clima estivesse de luto antecipado. A atmosfera em Hogwarts não era de festa; era de histeria contida. As aulas tinham sido suspensas ao meio-dia para que a escola inteira pudesse descer para o cercado dos dragões construído na orla da Floresta Proibida.
Natasha Romanoff caminhava em direção à área dos campeões.
Ela vestia seu "uniforme de batalha" disfarçado: botas táticas, calça preta de tecido reforçado, uma blusa de gola alta preta e um casaco longo de lã cinza chumbo que escondia os coldres de varinha e facas.
Seu rosto estava impassível. A máscara da Viúva Negra estava colada com supercola emocional. Para quem a via, ela era a imagem da competência fria e burocrática.
Mas por dentro?
Por dentro, Natasha estava gritando.
O chip no braço esquerdo zumbia em harmonia com sua ansiedade. As lentes de contato Stark projetavam dados biométricos em sua visão periférica, e os números não mentiam: sua própria pressão arterial estava perigosamente alta.
Alvo: Eu mesma. Status: Compromedida emocionalmente. Foco.
Ela tocou o ouvido direito, onde um dispositivo minúsculo, invisível a olho nu, estava alojado.
— Base Alpha, na escuta? — ela sussurrou, movendo apenas os lábios.
A voz de James Barnes veio clara, sem chiado, direto da cobertura em Londres.
— Na escuta, Nat. Estou com o feed do satélite e das suas lentes. O sinal térmico na orla da floresta é... impressionante. Aqueles bichos são fornalhas vivas.
— São dragões, James. — Natasha respondeu seca. — Mantenha o canal limpo. Harry vai precisar de você.
A Tenda dos Campeões.
A tenda era um espaço de lona amarela, erguida perto da entrada da arena.
Harry Potter estava sentado num banco baixo de madeira, olhando para o chão. Ele estava pálido, com aquela cor esverdeada de quem está prestes a vomitar o café da manhã (que ele mal tinha tocado).
O som da multidão que chegava lá fora — milhares de passos, risadas nervosas, a banda tocando — parecia abafado, como se ele estivesse debaixo d'água.
Cedric Diggory andava de um lado para o outro, as mãos nas costas. Fleur Delacour estava sentada num canto, pálida e suando frio, sem a arrogância habitual. Viktor Krum estava carrancudo, encostado num mastro.
A entrada da tenda se abriu.
Harry levantou a cabeça, esperando um oficial do Ministério.
Mas eram Hermione e Emma.
Emma entrou primeiro. O rosto dela estava branco, as sardas destacadas como constelações de medo. Ela viu Harry e correu até ele.
Não houve palavras iniciais. Ela simplesmente se jogou nos braços dele, abraçando-o com força, enterrando o rosto no pescoço dele.
Harry a abraçou de volta, sentindo o tremor no corpo da irmã.
— Você vai ficar bem — Emma sussurrou, a voz abafada contra a veste dele. — Você voa melhor que qualquer um. Você é o Harry.
Hermione estava logo atrás, torcendo as mãos, os olhos cheios de lágrimas.
— Harry... você treinou o Feitiço Convocatório?
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Daughter of No One
FanficHarry e Emma Potter cresceram acreditando que eram normais, insignificantes e indesejados pelos tios que os criaram. Sob a escada da Rua dos Alfeneiros, n.º 4, eles dividiam o escuro, a fome e o silêncio, sem saber que seus nomes eram lendas em um m...
