Capítulo 168

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Terrenos de Hogwarts. 24 de Novembro. Terça-feira, 11:30.

O dia da Primeira Tarefa amanheceu frio e cinzento, como se o próprio clima estivesse de luto antecipado. A atmosfera em Hogwarts não era de festa; era de histeria contida. As aulas tinham sido suspensas ao meio-dia para que a escola inteira pudesse descer para o cercado dos dragões construído na orla da Floresta Proibida.

Natasha Romanoff caminhava em direção à área dos campeões.

Ela vestia seu "uniforme de batalha" disfarçado: botas táticas, calça preta de tecido reforçado, uma blusa de gola alta preta e um casaco longo de lã cinza chumbo que escondia os coldres de varinha e facas.

Seu rosto estava impassível. A máscara da Viúva Negra estava colada com supercola emocional. Para quem a via, ela era a imagem da competência fria e burocrática.

Mas por dentro?

Por dentro, Natasha estava gritando.

O chip no braço esquerdo zumbia em harmonia com sua ansiedade. As lentes de contato Stark projetavam dados biométricos em sua visão periférica, e os números não mentiam: sua própria pressão arterial estava perigosamente alta.

Alvo: Eu mesma. Status: Compromedida emocionalmente. Foco.

Ela tocou o ouvido direito, onde um dispositivo minúsculo, invisível a olho nu, estava alojado.

— Base Alpha, na escuta? — ela sussurrou, movendo apenas os lábios.

A voz de James Barnes veio clara, sem chiado, direto da cobertura em Londres.

Na escuta, Nat. Estou com o feed do satélite e das suas lentes. O sinal térmico na orla da floresta é... impressionante. Aqueles bichos são fornalhas vivas.

— São dragões, James. — Natasha respondeu seca. — Mantenha o canal limpo. Harry vai precisar de você.

A Tenda dos Campeões.

A tenda era um espaço de lona amarela, erguida perto da entrada da arena.

Harry Potter estava sentado num banco baixo de madeira, olhando para o chão. Ele estava pálido, com aquela cor esverdeada de quem está prestes a vomitar o café da manhã (que ele mal tinha tocado).

O som da multidão que chegava lá fora — milhares de passos, risadas nervosas, a banda tocando — parecia abafado, como se ele estivesse debaixo d'água.

Cedric Diggory andava de um lado para o outro, as mãos nas costas. Fleur Delacour estava sentada num canto, pálida e suando frio, sem a arrogância habitual. Viktor Krum estava carrancudo, encostado num mastro.

A entrada da tenda se abriu.

Harry levantou a cabeça, esperando um oficial do Ministério.

Mas eram Hermione e Emma.

Emma entrou primeiro. O rosto dela estava branco, as sardas destacadas como constelações de medo. Ela viu Harry e correu até ele.

Não houve palavras iniciais. Ela simplesmente se jogou nos braços dele, abraçando-o com força, enterrando o rosto no pescoço dele.

Harry a abraçou de volta, sentindo o tremor no corpo da irmã.

— Você vai ficar bem — Emma sussurrou, a voz abafada contra a veste dele. — Você voa melhor que qualquer um. Você é o Harry.

Hermione estava logo atrás, torcendo as mãos, os olhos cheios de lágrimas.

— Harry... você treinou o Feitiço Convocatório?

Daughter of No OneHistórias para pegar e não largar. Descubra agora