Escritório de Natasha Romanoff. Kensington, Londres. 14:00.
Londres não foi feita para o calor. A cidade, arquitetada para reter calor e resistir à chuva, tornava-se um forno de tijolos quando os termômetros passavam dos trinta graus.
O ar condicionado central da casa zumbia no máximo, mas Natasha, trancada em seu escritório, mal notava a temperatura.
Ela estava sentada atrás de sua mesa de mogno, girando uma caneta entre os dedos. Seus ombros giravam livremente — a fisioterapia e a magia residual da fênix tinham feito maravilhas —, e suas costelas não protestavam mais quando ela respirava fundo.
Na tela do computador criptografado à sua frente, havia o dossiê de sua próxima missão.
Alvo: Rede de distribuição do Cartel dos Balcãs.
Objetivo: Desmantelamento e extração de inteligência.
Nível de Ameaça: Vermelho (Interpol).
Natasha soltou uma risada curta e seca, jogando a cabeça para trás.
— Vermelho? — ela murmurou para a sala vazia. — Isso é bege.
Comparado ao que ela enfrentara dois meses atrás — serpentes gigantes, fantasmas que drenavam almas e horcruxes indestrutíveis —, derrubar um bando de traficantes armados com submetralhadoras parecia... férias. Parecia tirar doce de criança. Homens com armas eram previsíveis. Eles sangravam, morriam e não ressuscitavam através de diários malditos.
Ela sentiu uma onda de confiança relaxada. Ela podia fazer aquilo dormindo.
Toc. Toc. Toc.
A batida na porta foi leve, mas firme.
— Mãe? — A voz de Emma veio abafada pela madeira maciça. — Você tá aí?
A postura de Natasha mudou em um milésimo de segundo. Ela minimizou as janelas com os perfis dos criminosos, ativou o bloqueio de tela e cobriu os papéis físicos sobre a mesa.
— Um minuto! — Natasha respondeu, a voz calma.
Ela não queria Emma perto daquele escritório. Aquele cômodo era a "Sala Vermelha" de Londres. Era onde a violência morava, e Natasha lutava para manter a violência e a filha em compartimentos estanques.
Ela se levantou, verificou se o cofre estava trancado e caminhou até a porta. Ao abrir, ela saiu e fechou a porta atrás de si imediatamente, girando a chave e ouvindo o click da trava biométrica.
Emma estava no corredor. Ela tinha crescido. Aos quase 13 anos, ela perdera os traços de bebê e começava a se parecer assustadoramente com Lillian Potter, mas com a postura de Natasha. Ela usava shorts jeans e uma regata leve, o cabelo castanho preso num rabo de cavalo alto para combater o calor.
Mas ela não estava sozinha.
No sofá da sala, fingindo ler um exemplar grosso de História da Magia, estava Hermione Granger. A menina de cabelos volumosos levantou os olhos castanhos e afiados assim que Natasha trancou a porta.
Hermione viu a trava. Viu a postura de Natasha bloqueando a entrada. A garota era inteligente demais. Ela sabia que atrás daquela porta não havia contas de luz ou receitas de bolo. Havia segredos de Estado.
— O que foi, Emma? — Natasha perguntou, cruzando os braços, encostando-se na porta fechada.
— A gente quer sair — Emma foi direta. — Tá muito quente pra ficar lendo sobre a Revolta dos Duendes de 1612. A gente queria ir no Regent's Park. Tomar sorvete, andar de pedalinho... sei lá.
Natasha ergueu uma sobrancelha. — A Wanda está em casa?
— Não — Emma bufou. — A Tia Wanda saiu para encontrar o Visão. Eles foram "ver museus", o que eu acho que é código para "flutuar de mãos dadas em algum lugar".
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Daughter of No One
FanfictionHarry e Emma Potter cresceram acreditando que eram normais, insignificantes e indesejados pelos tios que os criaram. Sob a escada da Rua dos Alfeneiros, n.º 4, eles dividiam o escuro, a fome e o silêncio, sem saber que seus nomes eram lendas em um m...
