Emma Potter Romanoff dormia profundamente em uma poltrona de couro branco que era maior que a cama que ela tinha na casa dos Dursley. Bucky, o gato preto, estava enrolado no colo dela, ronronando como um motorzinho.
Natasha observava a filha dormir, tomando um gole de água com gás. Ela tinha um livro de Teoria da Magia aberto no colo, mas seus olhos estavam fixos no horizonte noturno lá fora.
Washington D.C. estava a quarenta minutos de distância. O apartamento dela lá era seguro, mas funcional. Pequeno. Paredes finas. Não era exatamente um lar para uma bruxa de dez anos e um gato.
De repente, o celular seguro de Natasha vibrou na mesa. Uma luz vermelha piscou.
Mensagem Prioritária: Diretor Fury.
Natasha franziu a testa e desbloqueou o aparelho.
DE: N. Fury
PARA: Viúva Negra
ASSUNTO: Realocação Imediata
Washington está quente demais. O Conselho de Segurança está fazendo muitas perguntas sobre suas atividades recentes. Além disso, a Iniciativa (aquela que você sabe) vai precisar de uma base operacional mais centralizada.
Seu endereço em D.C. foi queimado. Você foi realocada permanentemente para Nova York.
Novo Endereço: Upper West Side, Manhattan. Cobertura B. Acesso Biométrico atualizado.
Status: Protocolo Laura ativo. O lugar é uma fortaleza.
P.S.: A geladeira está cheia. Não me agradeça.
Natasha leu a mensagem duas vezes. Nova York. A cidade que nunca dorme. A cidade de Tony Stark e sua torre ridícula que estava sendo construída.
Ela olhou para Emma. Nova York era barulhenta, sim. Mas era anônima. Era o lugar perfeito para alguém desaparecer no meio da multidão.
Natasha apertou o botão do intercomunicador.
— Piloto? Mudança de planos.
— Pois não, Srta. Romanoff?
— Esqueça D.C. Vamos para o JFK. Nova York.
— Entendido. Ajustando a rota.
O avião fez uma curva suave para a esquerda. Natasha sorriu. Ela sempre preferiu a pizza de Nova York mesmo.
Manhattan, Nova York. 23h00.
— Em? — Natasha chamou suavemente, balançando o ombro da menina. — Acorde, Little Red. Chegamos.
Emma esfregou os olhos por trás dos óculos imaginários e olhou pela janela. O queixo dela caiu.
Lá embaixo, não havia escuridão. Havia um oceano de luzes. Prédios que arranhavam o céu, pontes iluminadas como colares de diamantes, ruas que pareciam rios de ouro líquido.
— Onde a gente tá? — perguntou Emma, colando o rosto no vidro. — Isso é Washington?
— Não — disse Natasha, pegando sua jaqueta. — Isso é melhor. Bem-vinda a Nova York, Emma. Nossa nova casa.
O carro preto blindado da S.H.I.E.L.D. as deixou em frente a um prédio elegante perto do Central Park. Não parecia uma base militar. Parecia um prédio onde gente rica e normal morava.
Natasha guiou Emma (que carregava Bucky e a varinha, porque se recusava a soltá-la) até o elevador privativo.
— Coloque sua mão aqui — disse Natasha, indicando um painel de vidro.
Emma colocou a mãozinha. Um feixe de luz azul escaneou a palma dela.
Bem-vinda, Emma Romanoff, disse uma voz suave e computadorizada.
— Uau! — exclamou Emma. — Isso é magia?
— Tecnologia — corrigiu Natasha. — Quase a mesma coisa, só que dá mais defeito.
O elevador subiu silenciosamente até o último andar e as portas se abriram direto na sala de estar.
Se Emma tinha ficado impressionada com a Toca, ela ficou muda com o apartamento de Nova York.
Era gigantesco. O chão era de madeira clara, as paredes eram de vidro do chão ao teto, mostrando toda a vista do Central Park iluminado e do horizonte da cidade. Havia sofás enormes e macios em forma de L, tapetes felpudos onde dava vontade de deitar e uma lareira moderna a gás.
Não era frio como o apartamento de D.C. Era decorado com tons de creme, cinza e toques de vermelho escuro. Parecia... aconchegante. Um refúgio no céu.
— Isso é tudo nosso? — perguntou Emma, a voz ecoando no espaço amplo.
— Tudo nosso — confirmou Natasha, trancando o elevador atrás delas. — Vamos ver seu quarto.
Ela guiou Emma por um corredor. Havia três portas. Natasha abriu a primeira.
O quarto de Emma era maior que o andar térreo inteiro da casa dos Dursley. Tinha uma cama king size com lençóis de flanela macios, uma escrivaninha enorme para os deveres de casa (e estudos de magia), e uma janela bay window com almofadas para ela sentar e ler.
Havia estantes vazias esperando pelos livros de Hogwarts e um poste de arranhar de luxo para o Beco no canto.
Emma largou a gaiola do gato (que saiu correndo para explorar) e se jogou na cama, rindo.
— É macia! Nat, é muito macia!
Natasha encostou no batente da porta, cruzando os braços, sentindo uma satisfação que nenhuma missão jamais lhe deu.
— Fico feliz que goste. Agora, vamos ver se o Fury cumpriu a promessa da comida.
Elas foram para a cozinha, que era toda em aço inoxidável e mármore branco. Natasha abriu a geladeira dupla.
Estava abarrotada. Leite, suco de laranja, ovos, queijos de todos os tipos, frutas frescas, iogurtes e, na prateleira de baixo, caixas de pizza congelada de emergência e potes de sorvete Ben & Jerry's.
Natasha pegou um pote de morango e duas colheres.
— Jantar de campeões — disse ela, piscando para Emma.
Elas se sentaram no chão da sala, de frente para a janela gigante, comendo sorvete direto do pote e olhando para as luzes da cidade. Bucky, o gato, já tinha achado seu lugar no tapete felpudo e dormia.
— Nat? — chamou Emma, com a boca suja de sorvete.
— Hum?
— O Harry vai gostar daqui quando vier nas férias. Tem espaço pra ele voar com a coruja na sala.
Natasha riu.
— Se ele voar com a coruja na sala, eu transformo ele num gnomo. Mas sim, tem espaço.
Emma encostou a cabeça no ombro de Natasha.
— Obrigada, Nat — sussurrou Emma, a voz cheia de gratidão. — Por me trazer pra casa.
Natasha parou a colher no meio do caminho. Aquela frase valia mais do que qualquer medalha, mais do que qualquer perdão.
Ela passou o braço ao redor da menina, puxando-a para um meio abraço protetor, e beijou o topo da cabeça dela.
— De nada, Little Red.
Lá fora, a cidade de Nova York brilhava, cheia de perigos e heróis, barulhenta e caótica. Mas ali dentro, no 40º andar, no silêncio confortável entre as duas, a Viúva Negra sabia que sua missão mais importante tinha acabado de começar.
E pela primeira vez em muito tempo, ela não queria estar em nenhum outro lugar.
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Daughter of No One
FanfictionHarry e Emma Potter cresceram acreditando que eram normais, insignificantes e indesejados pelos tios que os criaram. Sob a escada da Rua dos Alfeneiros, n.º 4, eles dividiam o escuro, a fome e o silêncio, sem saber que seus nomes eram lendas em um m...
