Telhado do Hotel Ritz. Madrid. 02:30 da Manhã.
A chuva fria da Espanha lavava o sangue antes mesmo que ele tocasse o chão de concreto.
O grupo de extração — Steve Rogers, Sam Wilson, Clint Barton e Bucky Barnes — tinha cercado o perímetro. Tony estava no ar, bloqueando rotas de fuga. Eles a encurralaram no heliponto, sob o zumbido das sirenes da polícia lá embaixo.
Ela estava parada na borda do prédio.
O traje branco estava manchado com o sangue do Ministro da Defesa, mas ela não tinha um arranhão. O vento açoitava a trança ruiva perfeita.
— Natasha! — Clint gritou, abaixando o arco, caminhando lentamente em direção a ela com as mãos levantadas. — Nat, somos nós. Sou eu, o Clint.
A figura de branco se virou.
O movimento não foi humano. Foi hidráulico. Suave. Perfeito.
Quando a luz do holofote do helicóptero da polícia varreu o telhado, iluminou o rosto dela.
Bucky sentiu o ar sair de seus pulmões como se tivesse levado um soco.
Os olhos.
Aqueles olhos verdes que ele beijou, que choraram por Emma, que brilharam de amor na cozinha de Q... eles não existiam mais.
O que estava ali eram duas esferas de vidro. Vazias. Mortas. O reconhecimento era zero. Ela olhou para Clint, seu melhor amigo de quinze anos, e viu apenas um obstáculo tático. Ela olhou para Bucky, o amor da sua vida, e viu um alvo.
— Nat, por favor... — Steve começou, dando um passo à frente com o escudo baixado. — Nós não queremos te machucar. Você está segura agora. A gente vai te levar para casa. Para a Emma.
A menção do nome "Emma" não causou nem uma contração muscular no rosto dela.
Dreykov tinha cumprido a promessa. Ele tinha limpado o quadro-negro.
Sem um som, sem um aviso, a Viúva Negra atacou.
Ela não correu; ela explodiu em movimento.
Clint foi o primeiro. Ele hesitou. Ele não conseguia atirar na "irmã".
Natasha não teve a mesma cortesia. Ela deslizou pelo chão molhado, passando por baixo da guarda dele. Com um movimento seco de pulso, ela golpeou o arco composto, partindo a fibra de carbono. Antes que Clint pudesse processar a perda da arma, o cotovelo dela colidiu com a mandíbula dele.
CRACK.
Clint apagou antes de cair, o corpo sendo jogado para o lado como um boneco de pano.
— Clint! — Sam gritou, ativando as asas e voando baixo para derrubá-la.
Erro.
Natasha usou o impulso dele contra ele. Ela saltou, agarrou o tornozelo de Sam em pleno voo e usou o peso do próprio corpo para mudar o centro de gravidade dele. Ela o puxou para o chão com uma violência brutal.
Sam bateu no concreto com força suficiente para rachar o pavimento. Antes que ele pudesse ativar os propulsores para levantar, Natasha chutou a junção da asa mecânica, inutilizando o voo, e desferiu um chute giratório no capacete dele, quebrando o visor e nocauteando o Falcão.
Dois Vingadores no chão em menos de dez segundos.
— Natasha, para! — Steve Rogers avançou. O Capitão América não queria lutar, ele queria conter. Ele abriu os braços para tentar segurá-la.
Mas Natasha estava lutando com a força de uma super-soldada aprimorada pela química e sem a barreira da dor.
Ela desviou do escudo com uma fluidez líquida. Ela subiu no joelho de Steve, usou o ombro dele como trampolim e, no ar, sacou um fio de garrote de titânio.
VOCÊ ESTÁ LENDO
Daughter of No One
FanfictionHarry e Emma Potter cresceram acreditando que eram normais, insignificantes e indesejados pelos tios que os criaram. Sob a escada da Rua dos Alfeneiros, n.º 4, eles dividiam o escuro, a fome e o silêncio, sem saber que seus nomes eram lendas em um m...
