Capítulo 164

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Chalé do Guardião do Norte. Quarta-feira, 20:00.

A chuva batia suavemente contra as vidraças do chalé, criando uma trilha sonora aconchegante para a guerra silenciosa que estava acontecendo na sala de estar. O fogo na lareira crepitava alegremente, alheio à tensão.

Natasha estava sentada na poltrona de couro, um livro de Defesa Avançada no colo, mas seus olhos observavam a filha. Emma estava sentada no tapete, cercada por pergaminhos de dever de casa, mas não escrevia nada. Ela apunhalava o tinteiro com a pena repetidamente. Tec. Tec. Tec.

— Você vai acabar quebrando a ponta da pena, Emma — Natasha comentou, sem levantar os olhos do livro.

Emma bufou, jogando a pena no chão. Ela girou o corpo para encarar a mãe. A frustração que estava borbulhando desde o intervalo da manhã finalmente explodiu.

— Você não precisava ter feito aquilo! — Emma exclamou, as bochechas ficando vermelhas novamente. — Foi humilhante, mãe! O Oliver é o capitão do time! Ele é popular! E agora ele acha que eu tenho uma mãe maluca que vai explodir ele se ele chegar perto de mim!

Natasha fechou o livro devagar, marcando a página com o dedo. Um sorriso divertido curvou seus lábios. — "Maluca" é uma palavra forte. Eu prefiro "territorial". E ele não acha que eu vou explodir ele. Ele sabe. Eu fui bem específica sobre o alvo móvel.

— Não tem graça! — Emma cruzou os braços, emburrada. — Ele estava sendo legal. Ele só queria conversar sobre Quadribol. Ele disse que eu tenho talento.

— Ah, claro. O talento — Natasha concordou, irônica. — Tenho certeza que ele estava muito interessado na sua técnica de evasão e não nos seus olhos verdes ou no fato de que você é a única garota bonita que ri das piadas dele sobre vassouras.

Emma revirou os olhos tão forte que Natasha temeu que eles ficassem presos. — Você é impossível! Ele é um cavalheiro. Ele é da Grifinória!

Natasha suspirou. Ela colocou o livro na mesa lateral e se levantou. Caminhou até o tapete e sentou-se de pernas cruzadas na frente de Emma, no mesmo nível dela. A brincadeira acabou. Era hora de falar sério.

— Emma — Natasha começou, a voz suave, mas firme. — Eu sei que você gosta dele. Ele é bonito, é mais velho, é o atleta da escola. Eu entendo o apelo. — Mas você tem quatorze anos. E ele tem dezessete. Quase dezoito.

— E daí? — Emma retrucou, defensiva. — São só três anos! Meus pais... quer dizer, a Lily e o James, eles tinham a mesma idade, mas... muita gente namora com diferença de idade!

— Três anos nessa fase da vida é um abismo, Emma. — Natasha inclinou-se para frente. — Você está no quarto ano. Você ainda acha graça de sapos de chocolate e se preocupa com a lição de casa. — O Oliver é um homem. Pelo menos biologicamente e legalmente no mundo bruxo. Ele está pensando em carreira, em sair da escola e... em outras coisas.

Emma franziu a testa, a inocência genuína brilhando no rosto. — Que outras coisas? Quadribol profissional?

Natasha segurou o riso. A inocência da filha era algo precioso, algo que Natasha lutara para preservar, mas que agora estava se tornando um ponto cego perigoso. — Não, querida. Não Quadribol. Natasha procurou as palavras certas. Como explicar a libido masculina adolescente para uma garota que cresceu trancada num armário e depois foi criada por uma espiã celibatária (até James aparecer)?

— Escute... — Natasha começou. — Quando um garoto de dezessete anos encosta você na parede e invade seu espaço pessoal... ele não está querendo apenas dar beijinhos na bochecha e segurar sua mão enquanto caminham pelo lago.

Daughter of No OneOnde histórias criam vida. Descubra agora