Capítulo 170

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Sexta-feira, 08:00 da Manhã.

A mesa do café da manhã estava posta com uma normalidade que contradizia a tecnologia de ponta flutuando sobre a manteigueira. Natasha estava comendo ovos mexidos com uma agressividade metódica, garfada após garfada, recuperando as calorias perdidas na noite anterior. Ela estava impecável novamente — maquiagem cobrindo a palidez, cabelo preso num coque severo, vestida para matar (ou dar aula). Mas seus olhos verdes fuzilavam as duas figuras azuladas e translúcidas projetadas por um pequeno disco de metal no centro da mesa.

— Eu não quero saber se o algoritmo de compressão de áudio era revolucionário, Stark! — Natasha bateu o garfo na mesa, fazendo a projeção de Tony Stark tremeluzir. — Eu quero saber por que o meu cérebro quase virou mingau quando aquele ovo abriu!

O holograma de Tony, sentado numa cadeira giratória em algum lugar de Malibu (ou Londres), levantou as mãos defensivamente. — Olha, tecnicamente, não foi uma falha. O sistema funcionou bem demais. Ele tentou traduzir uma frequência que não existe na tabela periódica dos sons. É como tentar rodar um jogo de última geração numa torradeira.

Eu sou a torradeira nessa analogia?! — Natasha sibilou.

Ao lado de Tony, o holograma de Q (que parecia estar no Q-Branch, cercado de monitores) ajeitou os óculos, parecendo exausto. — Sra. Romanoff, o Tony está sendo... Tony. A verdade é que subestimamos a natureza "sônica" da magia. O grito do sereiano tem uma ressonância mágica que ignora os filtros de cancelamento de ruído físicos. Ele viajou pelo canal de dados.

Exato! — Tony apontou. — Foi um ataque de DDoS biológico. Fascinante, na verdade. Se eu pudesse estudar a laringe dessa sereia...

— Se você não consertar isso em vinte e quatro horas — Natasha interrompeu, a voz baixa e letal —, eu vou viajar até aí, vou arrancar a laringe de vocês e vou usar como peso de papel. — Eu fiquei incapacitada por doze horas. Doze. Se o Voldemort tivesse atacado ontem à noite, eu estaria morta no chão do banheiro. — Isso é inaceitável.

Emma, que estava comendo uma torrada com geleia do outro lado da mesa, tentava segurar o riso, mas falhava miseravelmente. Ela cobriu a boca com a mão, os ombros tremendo. Ver a mãe dando uma bronca em dois dos maiores gênios do mundo — que pareciam dois colegiais na diretoria — era a melhor coisa da sua manhã.

Qual é a graça, mini-Romanoff? — Tony perguntou, vendo Emma rir.

— Nada — Emma respondeu, limpando uma lágrima de riso. — É só que... vocês têm medo dela. E vocês estão em outro país.

Ela é assustadora em qualquer fuso horário, garota, — Q murmurou, digitando furiosamente. — Natasha, já estou subindo o patch de atualização. Filtro de áudio analógico. Se o som passar de 80 decibéis ou tiver assinatura mágica desconhecida, o sistema corta o áudio e você fica surda temporariamente. Melhor surda do que lobotomizada.

E eu adicionei um protocolo de segurança, — Tony completou. — Chamei de "Protocolo Sereia". Se acontecer de novo, as lentes injetam uma microdisede analgésico direto no seu canal lacrimal. De nada.

Natasha suspirou, tomando um gole de café preto. — Façam o upload. E testem. Se falhar de novo, eu volto para os óculos de sol e vocês perdem a consultora mágica. — Romanoff fora.

Ela tocou o disco na mesa. Os hologramas de Tony e Q desapareceram, deixando apenas o silêncio e o cheiro de ovos.

Natasha recostou-se na cadeira, fechando os olhos por um segundo. A dor de cabeça tinha sumido, graças ao tônico horrível de Hagrid, mas a sensação de vulnerabilidade ainda a incomodava.

Daughter of No OneOnde histórias criam vida. Descubra agora