Capitulo 143

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Estação King's Cross. Plataforma 9 ¾ (Lado Trouxa). Final de Maio de 2026.
O verão em Londres tinha decidido chegar com força total. O céu estava de um azul irritantemente perfeito, sem uma única nuvem para justificar o humor britânico habitual.
Natasha Romanoff estava parada perto da barreira de tijolos entre as plataformas 9 e 10, usando óculos escuros, jeans claros e uma regata branca simples.
Ela não parecia a Diretora do MI6. Ela parecia... leve.
Havia algo na postura dela. Os ombros não estavam tensos. As mãos não estavam fechadas em punhos ou prontas para sacar uma arma. Ela estava encostada numa coluna, batendo o pé no ritmo de uma música imaginária, mastigando um chiclete de menta.
Ela estava radiante.
A barreira brilhou e, um por um, os alunos de Hogwarts começaram a atravessar com seus carrinhos carregados de malões e corujas piando.
E então, lá estava ela.
Emma atravessou a parede. O cabelo castanho estava um pouco mais comprido, queimado de sol (provavelmente de voar em vassouras sob o sol da Escócia), e ela parecia ter crescido mais um centímetro no último mês.
Ela empurrava o carrinho com uma mão e segurava a gaiola da coruja com a outra, parecendo exausta da viagem, mas feliz.
— Mãe!
Natasha desencostou da coluna e abriu os braços.
Emma abandonou o carrinho no meio do caminho (para o desespero de um funcionário da estação) e correu para o abraço.
O impacto foi sólido. Natasha a segurou firme, beijando o topo da cabeça dela.
— Oi, meu amor. Bem-vinda de volta.
Emma se afastou para olhar para a mãe.
A adolescente franziu a testa imediatamente. Ela apertou os olhos, escaneando o rosto de Natasha como se estivesse procurando um feitiço de ilusão.
— O que aconteceu com você? — Emma perguntou, desconfiada.
Natasha riu, pegando o carrinho de bagagem.
— "Oi, mãe, senti sua data, como você está linda"... nada disso?
— Você está brilhando — Emma acusou, caminhando ao lado dela em direção à saída. — Na Páscoa você estava com aquela cara de "espiã russa triste que bebe vodka olhando a chuva". Agora você parece... sei lá, uma protagonista de comédia romântica. Você fez plástica? Ou ganhou na loteria?
Natasha sorriu, ajeitando os óculos escuros para esconder o brilho travesso nos olhos.
— É o verão, querida. Vitamina D faz milagres. Vamos, o carro está lá fora.
No Carro. A caminho de Kensington.
Emma não comprou a desculpa da Vitamina D.
Durante todo o trajeto, ela observou a mãe.
Natasha estava cantarolando junto com o rádio. Cantarolando. Taylor Swift.
Ela dirigia com uma mão no volante e a outra relaxada na janela aberta.
O celular de Natasha vibrou no painel. Uma mensagem.
Natasha olhou a notificação, sorriu um sorriso pequeno e mordeu o lábio inferior antes de voltar a olhar para a estrada.
— Quem é? — Emma perguntou do banco do passageiro.
— Trabalho — Natasha mentiu, suavemente.
— Trabalho não faz você sorrir desse jeito — Emma retrucou. — Trabalho faz você franzir a testa e querer matar o M.
Emma cruzou os braços, virando o corpo para encarar a mãe.
— Você está namorando alguém novo? É aquele tal de Bond que você falou?
Natasha gargalhou.
— Deus me livre, Emma. Não.
— Então o que é? Você voltou a comer glúten? Descobriu uma poção da felicidade?
— Chegamos — Natasha anunciou, cortando o interrogatório ao entrar na garagem do prédio.
Cobertura de Natasha. 13:00.
O elevador se abriu direto na sala.
O apartamento estava fresco, com as janelas abertas deixando a brisa entrar.
Emma entrou, arrastando o malão.
Ela olhou ao redor. Tudo parecia igual à Páscoa. Limpo, organizado, chique.
James não estava lá.
— Ele não está aqui, né? — Emma perguntou, a voz caindo um pouco, a esperança murchando. Ela achou que talvez, só talvez, a felicidade da mãe fosse por causa dele.
Natasha trancou o elevador e tirou os óculos escuros.
— Eu disse que vinha te buscar sozinha.
Emma suspirou, jogando a mochila no sofá.
— Eu sei. É só que... você parece tão bem. Eu achei que vocês tinham se acertado.
Ela olhou para a mãe com olhos tristes de cachorrinho abandonado.
— Eu sinto falta dele, mãe. De verdade. O apartamento fica chato sem ele. E a comida fica ruim.
Natasha caminhou até a filha. Ela segurou os ombros de Emma.
— Vai tomar um banho, tirar essa "nhaca" de trem mágico. Quando você sair, a gente pede almoço.
— Tá bom... — Emma resmungou, pegando a mochila e arrastando os pés em direção ao seu quarto. — Mas se o almoço for salada de novo, eu vou fugir de casa.
Natasha esperou Emma entrar no corredor e fechar a porta do quarto.
Ela olhou para o relógio de pulso.
13:10.
Bucky tinha dito que sairia do treino dos recrutas às 13:00. Ele levaria 15 minutos de moto.
Ela sorriu para o apartamento vazio.
Emma estava prestes a ter a melhor surpresa de verão da vida dela. E Natasha mal podia esperar para ver a cara da filha quando descobrisse o motivo real do "brilho de Vitamina D".

Daughter of No OneOnde histórias criam vida. Descubra agora