Q-Branch. Sede do MI6. 23:45.
Natasha entrou no laboratório de Q como um furacão vestido de kevlar.
Ela passou pela segurança biométrica sem nem diminuir o passo, as botas táticas batendo forte no piso branco imaculado. A raiva emanava dela em ondas visíveis.
— Espero que Berlim tenha sido invadida por alienígenas — ela anunciou, a voz ecoando no laboratório silencioso. — Porque se vocês me tiraram da cama para assinar papelada de emergência, eu vou atirar no pé de alguém.
Ela parou no centro da sala. E a cena que encontrou a fez franzir a testa, a raiva dando lugar à confusão tática.
Não havia telas vermelhas piscando. Não havia mapas de invasão.
Havia apenas três homens em volta de uma mesa de metal.
Q estava de pijama por baixo do jaleco (calça de flanela xadrez visível), segurando uma caneca de chá como se fosse um escudo, parecendo nervoso.
James Bond estava surpreendentemente casual. Ele usava calça de moletom cinza e uma camiseta branca suada, com uma toalha no pescoço. Claramente tinha sido arrancado da academia do subsolo. Ele estava de braços cruzados, a expressão séria, sem o charme habitual.
E Clint Barton.
O Gavião Arqueiro estava encostado em uma bancada, girando uma flecha entre os dedos. Ele usava o uniforme de instrutor tático do MI6 (calça cargo e camiseta preta). Natasha o tinha trazido para a Agência para treinar os recrutas, mantendo-o longe do campo ativo para que ele pudesse ter uma vida, mas a postura dele agora era de combate.
— Clint? — Natasha perguntou, surpresa. — O que você está fazendo aqui a essa hora? Você não deveria estar em casa com a Laura?
— Eu estava no meu escritório terminando os relatórios de avaliação dos novatos — Clint respondeu, sério. — Quando isso apareceu na minha mesa.
Ele apontou para o centro da mesa de metal.
Lá estava o objeto da discórdia.
Uma caixa.
Não parecia uma bomba. Parecia... um presente. Era uma caixa cúbica, preta fosca, elegante, amarrada com uma fita de cetim vermelho sangue. Parecia algo que se compraria em uma boutique de luxo, não algo que aciona um Código Vermelho.
— Uma caixa? — Natasha olhou para Bond, incrédula. — Vocês me chamaram aqui por causa de uma caixa de aniversário gótica?
— Não é só uma caixa, Diretora — Q interveio, ajeitando os óculos. — Nossos scanners não conseguem penetrar o material. É chumbo revestido com algum polímero que absorve radiação e som. Não sabemos o que tem dentro.
— E tem isso.
Q pegou um cartão de papel grosso, cor de creme, que estava ao lado da caixa, e o entregou a Natasha.
Natasha pegou o cartão. A caligrafia era elegante, antiga, feita com caneta tinteiro.
Dizia apenas:
"Para Natalia.
Abra antes da meia-noite. Ou o conteúdo expira."
O ar saiu dos pulmões de Natasha.
O nome. Natalia.
Ninguém a chamava assim. Ninguém vivo, pelo menos. Clint a chamava de Nat. Bucky a chamava de Nat ou Romanoff. O MI6 a chamava de Diretora.
Natalia era um nome fantasma. Era o nome da Sala Vermelha.
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Daughter of No One
FanfictionHarry e Emma Potter cresceram acreditando que eram normais, insignificantes e indesejados pelos tios que os criaram. Sob a escada da Rua dos Alfeneiros, n.º 4, eles dividiam o escuro, a fome e o silêncio, sem saber que seus nomes eram lendas em um m...
