Hospital Mount Sinai. Nova York. 06:30 da Manhã.
Nick Fury estava morto.
As palavras, ditas por um médico exausto com jaleco sujo de sangue, ainda ecoavam no corredor asséptico e branco. Hora do óbito: 06:12.
Natasha estava encostada na parede, longe da comoção. Ela via Steve lá dentro, olhando para o corpo do Diretor através do vidro. Steve parecia desolado, o peso da culpa curvando seus ombros largos.
Natasha não entrou. Ela não chorou. Ela não gritou.
Ela apenas cruzou os braços, apertando as próprias costelas doloridas, e encarou o chão de linóleo com olhos secos e frios.
Chorar não traria Fury de volta. Chorar não decifraria o pen drive que estava queimando contra a pele de seu peito, escondido no sutiã. Chorar não a protegeria do Soldado Invernal.
Ela se afastou do vidro. Hill estava lidando com a burocracia da "retirada do corpo". Steve estava lidando com o luto.
Natasha precisava lidar com a sobrevivência.
Ela caminhou até uma área isolada do corredor, perto de uma máquina de venda automática que zumbia alto demais. Ela comprou um café preto, apenas para aquecer as mãos que tremiam levemente — não de tristeza, mas de raiva contida.
Ela pegou o celular descartável que Tony tinha lhe dado ("frequência criptografada", ele disse).
Ela olhou para o visor. Se a S.H.I.E.L.D. estava comprometida, ligar para qualquer canal oficial era suicídio. Mas havia um lugar que não existia nos mapas da S.H.I.E.L.D.
Ela digitou o número da casa segura.
Chamou duas vezes.
— Pizzaria do Joe, não fazemos entregas depois da meia-noite — atendeu a voz rouca e sonolenta de Clint Barton. Era o código de "tudo limpo".
Natasha soltou o ar que nem percebeu que estava prendendo.
— Sou eu — disse ela, a voz firme, baixa, sem deixar transparecer que tinha acabado de ver seu mentor morrer. — A linha está segura?
— Nat? — O tom de brincadeira de Clint sumiu instantaneamente. Ela ouviu o barulho de lençóis se movendo, como se ele estivesse se sentando na cama. — Sim, segura. O que aconteceu? Você está com uma voz de quem está num velório.
— O Fury se foi, Clint.
Um silêncio pesado caiu na linha.
— Merda... — Clint sussurrou. — Como?
— Atirador. Profissional. — Natasha olhou para os lados, checando o corredor vazio. — As coisas estão ruins aqui em Nova York. A agência está podre. Não confie em nenhuma ordem que vier do Triskelion nas próximas 24 horas.
— Entendido. Vou cortar as comunicações oficiais. — Clint fez uma pausa. Ele conhecia Natasha melhor do que ninguém. Ele sabia que ela não ligaria apenas para dar más notícias táticas. — Ela está bem, Nat.
O ombro de Natasha relaxou um milímetro.
— Ela acordou?
— Faz meia hora. Laura está fazendo waffles. Ela está lá fora agora, no alpendre, tentando convencer o Cooper de que o arco dele é "amador" e que ela precisa de um composto.
Natasha permitiu que um sorriso mínimo, quase invisível, curvasse seus lábios.
— Não deixe ela pegar o composto, Clint. Ela ainda não tem força no ombro pra puxar a corda de 50 libras. Vai distender um músculo.
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Daughter of No One
FanfictionHarry e Emma Potter cresceram acreditando que eram normais, insignificantes e indesejados pelos tios que os criaram. Sob a escada da Rua dos Alfeneiros, n.º 4, eles dividiam o escuro, a fome e o silêncio, sem saber que seus nomes eram lendas em um m...
