O mês que se passou tinha sido... cinza. Sem Natasha na cobertura, sem as brigas, sem os jantares tensos, a vida de James Barnes tinha se resumido a uma rotina espartana: casa do Clint, trabalho, treino, casa do Clint. Ele tinha pedido para assumir o treinamento dos novos recrutas da divisão de operações especiais. Era um trabalho físico, exaustivo e barulhento — exatamente o que ele precisava para não ouvir o silêncio da sua própria mente.
10:00 da Manhã.
— Vamos! Mexam-se! — Bucky gritou, caminhando entre as fileiras de recrutas que faziam flexões no chão emborrachado do ginásio. — Vocês acham que a Hydra vai esperar vocês recuperarem o fôlego? O inimigo não cansa!
Ele estava suado, usando a camiseta cinza de sempre e calças táticas. A barba estava por fazer, dando a ele um ar ainda mais perigoso. Ele não via Natasha há trinta dias. Ele sabia que ela estava viva porque monitorava os sinais vitais dela à distância (um hábito que ele não conseguia largar), mas ela tinha cortado qualquer comunicação direta.
De repente, o barulho no corredor principal — o átrio de vidro que dava vista para o ginásio — mudou. O burburinho usual de agentes conversando e telefones tocando cessou. Um silêncio respeitoso, quase amedrontado, desceu sobre o andar.
Bucky sentiu o arrepio na nuca antes mesmo de olhar. Ele se virou para a parede de vidro.
E lá estava ela.
Natasha Romanoff não estava de pijama. Não estava de moletom. Não estava com aquela "roupa de vítima" que ela usou nas últimas semanas em casa. Ela estava usando um vestido preto. Não um vestido simples. Era uma peça de alfaiataria impecável, corte reto, na altura dos joelhos, com um decote quadrado elegante e mangas compridas. Justo o suficiente para mostrar que ela estava em forma letal, mas profissional o suficiente para comandar uma sala de generais. Nos pés, scarpins pretos de salto agulha que faziam um clack-clack-clack autoritário no piso de mármore. O cabelo ruivo estava solto, escovado, brilhante, caindo sobre os ombros como uma cascata de fogo. Nos lábios, um batom vermelho sangue.
Ela caminhava com uma pasta de couro preta em uma mão e um café na outra. Ela não mancava. Ela não tremia. Ela desfilava.
Os recrutas pararam as flexões. Até eles, novatos que mal sabiam segurar uma arma, sentiram a presença dela. — Quem é ela? — um garoto sussurrou, boquiaberto.
Bucky não respondeu. Ele estava paralisado, a garrafa de água esquecida na mão. O que diabos ela está fazendo aqui? A licença dela era de seis meses. M tinha sido categórico. Bond tinha dito que ela precisava de tempo. Ela deveria estar em casa, ou viajando, ou em qualquer lugar que não fosse o centro de comando da inteligência britânica.
Natasha passou pelo vidro do ginásio. Ela sabia que ele estava lá. Bucky sabia que ela sabia. O reflexo dele estava bem ali. Mas ela não virou a cabeça. Nem um milímetro. O queixo dela permaneceu erguido, os olhos verdes focados no corredor à frente, em direção aos elevadores executivos. A expressão dela era de gelo puro. Indiferença total. Ela passou por ele como se ele fosse parte da mobília. Ou pior: como se ele fosse um fantasma que ela já tinha exorcizado.
Bucky sentiu um misto de desejo violento e pânico absoluto. Ela estava linda. De tirar o fôlego. A mulher mais perigosa do mundo tinha voltado. Mas o fato de ela estar ali, um mês depois, desafiando ordens médicas e ignorando a existência dele, significava apenas uma coisa: ela tinha convencido M. Ela tinha manipulado o chefe do MI6 para deixá-la voltar, provavelmente usando o argumento da "burocracia inofensiva" para escapar do tédio e da solidão.
— Sargento Barnes? — um recruta chamou, vendo o instrutor congelado.
Bucky piscou, voltando à realidade, mas os olhos ainda estavam fixos no lugar onde ela tinha desaparecido no corredor. — Voltem para o chão — ele ordenou, a voz rouca. — Mais cinquenta. Agora.
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Daughter of No One
FanfictionHarry e Emma Potter cresceram acreditando que eram normais, insignificantes e indesejados pelos tios que os criaram. Sob a escada da Rua dos Alfeneiros, n.º 4, eles dividiam o escuro, a fome e o silêncio, sem saber que seus nomes eram lendas em um m...
