Capítulo 161

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Chalé do Guardião do Norte. Meia-noite.

A caminhada do castelo até o chalé tinha sido silenciosa. Um silêncio pesado, quebrado apenas pelo som do vento nas árvores e pelos passos delas no cascalho. Emma não tinha falado uma palavra desde que saíram do Salão Principal. Ela caminhava de cabeça baixa, chutando pedrinhas, com as mãos enterradas nos bolsos da jaqueta jeans.

Ao entrarem no chalé, Natasha trancou a porta com a chave de ferro — e com um feitiço não verbal que ela estava praticando mentalmente. O fogo na lareira acendeu-se sozinho quando elas entraram (obra das proteções da casa, não de Natasha, ainda). Emma foi direto para o quarto, sentando-se no tapete felpudo em frente ao espelho de corpo inteiro. Ela parecia pequena. Frágil.

Natasha a seguiu. Ela pegou a escova de cabelo na penteadeira. Sem dizer nada, Natasha começou o ritual. Passou a escova pelos cabelos ruivos da filha, desfazendo os nós que o vento tinha criado. O movimento era calmo, constante, uma âncora de normalidade no meio da loucura que tinha sido a noite de Halloween.

— O Ron não falou com ele — Emma disse de repente. A voz dela era um sussurro rouco. — Quando o Harry voltou para o dormitório... eu vi o Ron virar as costas.

Natasha continuou escovando. — O Ron está machucado, Emma. Ele vive à sombra dos irmãos e do melhor amigo famoso. O ciúme é uma emoção feia, mas humana. Ele vai superar.

Emma levantou os olhos, encarando o reflexo da mãe no espelho. Havia uma angústia genuína neles. Ela mordeu o lábio, hesitando, antes de soltar a pergunta que estava corroendo seu estômago.

— Mãe... — Emma travou. — Você acha que... você acha que ele fez?

Natasha parou a escova no meio de uma mecha. — O quê?

— O Harry — Emma disse rápido, como se quisesse tirar as palavras da boca antes de se arrepender. — Você acha que ele colocou o nome? — Ele sempre diz que odeia a fama, mas... todo mundo acha que ele fez. O Fred e o George disseram que ele foi "brilhante". A Hermione parecia... eu não sei. — E se ele quis, mãe? E se ele quis a glória e mentiu pra gente?

Natasha suspirou e colocou a escova na mesa de cabeceira. Ela se sentou no chão, ao lado de Emma, de frente para ela. Ela segurou as mãos da filha, que estavam geladas.

— Olhe para mim, Emma.

Emma olhou.

— Eu sou treinada para saber quando alguém está mentindo. Eu ganhei a vida lendo microexpressões, batimentos cardíacos e dilatação de pupilas. — Quando o nome do Harry saiu daquele cálice... ele não ficou orgulhoso. Ele não ficou "brilhante". — Ele ficou aterrorizado.

Natasha apertou as mãos da filha. — Eu vi o medo puro nos olhos dele, Emma. O medo de alguém que sabe que acabou de ser colocado numa armadilha. Harry não quer glória. Ele quer uma família. Ele quer paz. Ele quer jogar xadrez com o Ron e voar com você. — Eu tenho certeza absoluta, não como mãe, mas como a Viúva Negra: Harry Potter não colocou o nome dele naquele cálice.

Emma soltou o ar que prendia, os ombros relaxando. — Eu me sinto péssima por ter duvidado. Sou irmã dele.

— Você é humana — Natasha disse suavemente. — E a situação foi desenhada para criar dúvida. Para isolá-lo. É assim que o inimigo opera. Dividir para conquistar. — Mas agora você sabe a verdade. E agora o Harry vai precisar de você mais do que nunca. O Ron o abandonou. A escola vai se virar contra ele. Você precisa ser a rocha dele.

Emma assentiu, secando uma lágrima teimosa. — Eu vou ser. Mas, mãe... é um torneio mortal. Eles disseram que pessoas morrem. E o Harry... ele só tem quatorze anos. E você... — Emma olhou para Natasha com medo. — Você pode ter armas, você pode lutar caratê, mas... contra dragões? Contra magia das trevas? Como a gente vai proteger ele?

Daughter of No OneHistórias para pegar e não largar. Descubra agora