Capítulo 171

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Corredor do 4º Andar. Perto da Biblioteca. Sexta-feira, 17:30.

O castelo estava escurecendo cedo, o inverno chegando com força total. Os corredores estavam mal iluminados pelas tochas, criando sombras longas e dançantes. Emma caminhava sozinha, abraçada a uma pilha precária de livros. Ela tinha acabado de sair da biblioteca, onde Hermione a tinha feito pegar volumes extras para ajudar Harry com a pista do ovo (que eles ainda não sabiam como abrir sem ficar surdos).

Ela estava distraída, pensando no que sua mãe dissera sobre "reféns", quando virou uma esquina rápido demais. BAM. Ela colidiu com alguém que vinha na direção oposta. O impacto não foi forte, mas foi o suficiente para desequilibrar a torre de livros. História da Magia, Monstros Aquáticos das Ilhas Britânicas e Maldições e Contra-Maldições voaram pelo chão de pedra com um barulho estrepitoso.

— Olha por onde anda, sua... — a voz arrastada e arrogante parou no meio.

Emma se abaixou rapidamente para recolher os livros, o coração acelerado pelo susto. Ela levantou os olhos. Parado à sua frente, com as vestes impecáveis da Sonserina e o cabelo loiro platinado perfeitamente alinhado, estava Draco Malfoy. Ele estava ladeado por Crabbe e Goyle, como sempre. Seus guarda-costas gorilas.

Malfoy olhou para Emma. Geralmente, ele teria soltado um insulto sobre ela ser uma "traidora do sangue" ou "a irmã do Cicatriz". Mas ele parou. Ele olhou para o livro que tinha caído aos pés dele. Teoria Transfigurativa Avançada. Ele se lembrou da aula da McGonagall. Da resposta dela sobre a "memória da pedra". Ele tinha fingido não ouvir, mas Draco Malfoy respeitava inteligência. E ele tinha ficado... irritado por ter achado a resposta dela brilhante.

— Saiam — Draco ordenou para Crabbe e Goyle, sem tirar os olhos de Emma.

Os dois grandalhões piscaram, confusos. — O quê? Mas Draco...

— Eu disse para saírem. Vão guardar meu lugar no Salão Principal. Agora.

Crabbe e Goyle deram de ombros e se afastaram, deixando o corredor vazio, exceto pelos dois.

Emma se levantou, segurando dois livros contra o peito, mas o terceiro estava perto do pé de Draco. Ela ergueu o queixo. Ela era filha de Natasha Romanoff. Ela não tinha medo de loiros mimados. — Vai chutar o livro, Malfoy? Ou vai sair da frente?

Draco sorriu de canto. Aquele sorriso de quem sabe que é bonito e rico, e usa isso como arma. Ele se abaixou. Com um movimento fluido, ele pegou o livro do chão. Ele o limpou com a manga da veste (algo que ele jamais faria por um Weasley).

— Teoria Avançada — Draco leu a capa, levantando uma sobrancelha pálida. — Leitura pesada para alguém que anda com o Weasley. Achei que a burrice dele fosse contagiosa.

— A burrice do Ron é seletiva — Emma retrucou, estendendo a mão para pegar o livro. — A sua arrogância, por outro lado, parece ser crônica.

Draco não devolveu o livro. Ele o segurou fora do alcance dela, dando um passo à frente. Emma não recuou. Ela ficou parada, mantendo o contato visual. Eles tinham a mesma altura. Olhos verdes desafiadores contra olhos cinzentos calculistas.

— Você tem a língua afiada, Romanoff — Draco disse, baixando o tom de voz. — Igual à da sua mãe. Ele deu mais um passo. Agora ele estava perto. Perto demais. Quase na "zona de perigo" que Natasha tinha alertado sobre o Oliver. Mas com Draco era diferente. Não parecia um avanço romântico desajeitado. Parecia um duelo.

— Minha mãe arrancaria sua língua se ouvisse você falando assim — Emma disse, o coração batendo rápido. Não de medo, mas de... adrenalina.

— Eu sei — Draco admitiu, e por um segundo, a máscara de príncipe intocável caiu. — Ela é aterrorizante. Ele olhou para Emma com uma curiosidade genuína. — Como é? Viver com ela? Ela te ensina a matar pessoas no café da manhã?

Daughter of No OneHistórias para pegar e não largar. Descubra agora