Macau, China. Terça-feira, 22:00.
A umidade tropical de Macau colava a camisa nas costas de qualquer turista, mas dentro do Casino Lisboa, o ar condicionado mantinha a atmosfera gelada, cheirando a dinheiro velho, fumaça de cigarro e desespero. O salão principal era um labirinto dourado de mesas de bacará, roletas e máquinas caça-níqueis que piscavam como estrelas epilépticas.
No bar principal, debruçado sobre um copo de água com gás que fingia ser vodka, estava James Barnes. Ele usava um smoking preto feito sob medida que mal disfarçava a largura de seus ombros. O cabelo estava penteado para trás, o rosto limpo, a barba feita. Ele parecia um magnata do petróleo ou um assassino de aluguel caro. Ele era ambos, dependendo da noite. Seus olhos azuis varriam o salão com uma precisão mecânica, ignorando as garçonetes de saias curtas e focando nas saídas de emergência, nos seguranças armados e nos pontos cegos das câmeras.
— Verificação de áudio, — a voz de Q estalou em seu ouvido, cristalina, vinda de uma van segura a três quarteirões dali. — Bond, você está na posição?
— Estou no duto de ventilação do terceiro andar, — a voz de James Bond respondeu, com um eco metálico e um tom de quem estava levemente entediado. — A propósito, Q, este lugar cheira a gordura de cozinha e ratos mortos. Lembre-me de processar o RH por condições insalubres de trabalho.
— Pare de reclamar, 007, — Q retrucou. — Barnes, a segurança do perímetro interno?
— Neutralizada, — James Barnes murmurou, sem mover os lábios, tomando um gole de sua bebida. — Os sensores da porta leste estão em loop. Tenho visual do alvo. Dragomir está na mesa VIP 4. Cercado por quatro gorilas.
— Ótimo, — Q disse. — O palco é dela. Natasha, você está pronta?
Houve um segundo de silêncio no canal. Então, a voz de Natasha Romanoff surgiu. Não era a voz da mãe preocupada que acordara gritando dois dias antes. Era a voz da Viúva Negra. — Sempre.
As luzes do salão principal diminuíram. O burburinho das apostas baixou. Um holofote solitário iluminou o pequeno palco de jazz no centro do cassino. A banda começou a tocar os primeiros acordes baixos e sensuais de Wicked Game.
E então, ela entrou.
James Barnes apertou o copo na mão com força suficiente para quase quebrar o cristal. Natasha estava... devastadora. Ela usava um vestido "tubinho" verde-esmeralda, feito de uma seda tão fina que parecia ter sido derramada sobre o corpo dela. O tecido abraçava cada curva, cada músculo, cada cicatriz escondida, descendo até os joelhos com uma fenda lateral ousada que subia até o meio da coxa. O cabelo ruivo estava preso num coque alto, "messy chic", com alguns fios soltos emoldurando o rosto perfeitamente maquiado. Os lábios estavam pintados de um vermelho sangue profundo. Ela não andava; ela flutuava.
Dragomir, o traficante de armas búlgaro — um homem corpulento, com anéis de ouro em todos os dedos e um gosto por crueldade —, parou de olhar para suas cartas. Ele olhou para o palco. A boca dele se abriu ligeiramente.
Natasha segurou o microfone antigo de prata. Ela olhou para a plateia, seus olhos verdes varrendo a sala até encontrarem os de James no bar. Ela piscou imperceptivelmente. Depois, ela olhou para Dragomir. E sorriu. Um sorriso que prometia o céu e o inferno.
Ela começou a cantar. A voz dela era rouca, grave e carregada de uma sensualidade triste. Ela não precisava de técnica de ópera; ela tinha magnetismo. "The world was on fire and no one could save me but you..."
James Barnes sentiu uma pontada de ciúmes tão forte que seu maxilar doeu, misturada com um orgulho feroz. Aquela mulher era dele. Mas hoje, ela era a isca. Ele viu Dragomir se levantar da mesa, hipnotizado, ignorando o jogo de milhões de dólares. O alvo tinha mordido o anzol.
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Daughter of No One
FanfictionHarry e Emma Potter cresceram acreditando que eram normais, insignificantes e indesejados pelos tios que os criaram. Sob a escada da Rua dos Alfeneiros, n.º 4, eles dividiam o escuro, a fome e o silêncio, sem saber que seus nomes eram lendas em um m...
