Capítulo 167

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Chalé do Guardião do Norte. 22 de Novembro. Domingo à Noite.

A chuva na Escócia tinha uma persistência que Natasha quase admirava. Era implacável, fria e constante, transformando o mundo lá fora em um borrão cinzento e úmido. Dentro do chalé, o silêncio era absoluto.

Era 22 de novembro. O aniversário de Natasha Romanoff.

Para o resto do mundo, era apenas um domingo chuvoso antes da temida Primeira Tarefa. Para Natasha, era um lembrete do tempo passando. Na Sala Vermelha, aniversários não eram celebrados. Eram dias de avaliação física. Se você tivesse crescido, ótimo, servia para novas missões. Se tivesse envelhecido, ruim, estava mais perto do descarte. Nos Vingadores, Tony costumava dar festas extravagantes que ela tolerava com um sorriso falso e uma taça de vodka. Mas este ano... este ano parecia diferente.

Ela estava sentada no sofá, as pernas encolhidas, vestindo um suéter grosso de lã. Sua mão direita segurava o celular seguro. A esquerda tocava, incessantemente, o colar de platina em seu pescoço. Pontos e traços. Natasha. Emma. Casa.

O telefone vibrou. Natasha atendeu no primeiro toque. — Barnes.

Feliz aniversário, Natalia, — a voz de James veio quente e baixa, como se ele estivesse sentado ao lado dela, e não a centenas de quilômetros de distância em uma Londres chuvosa.

Natasha fechou os olhos, permitindo-se um sorriso pequeno e triste. — Obrigada. Você é o único que lembrou.

Duvido muito, — James retrucou. — A Emma adora festas.

— A Emma está focada em manter o Harry vivo e em estudar para as provas de Transfiguração. — Natasha suspirou, olhando para a escada vazia. Emma tinha saído cedo, dizendo que ia estudar na biblioteca com a Hermione e que voltaria tarde. Nem um "parabéns". Nem um cartão. — Ela tem quatorze anos, James. O mundo gira em torno do umbigo dela e dos problemas da escola. É normal que ela esqueça. Eu não ligo.

Você liga sim, — James disse suavemente. — Você se importa porque você nunca teve isso. E você queria que ela fizesse algo.

— Eu sou uma ex-espiã russa de idade indeterminada, James. Eu não preciso de chapéuzinhos de festa. — Natasha tentou manter o tom cínico, mas a voz falhou levemente.

Eu amo você, Nat. Se eu pudesse, eu aparataría aí agora mesmo só para te dar um beijo.

— O colar já foi presente suficiente. É a melhor coisa que eu tenho. — Ela apertou o metal frio. — Eu amo você. Volte a monitorar o satélite.

Sempre de olho. Tente descansar. E... não tranque a porta ainda.

— O que? — Natasha franziu a testa.

Boa noite, doll.

Ele desligou. Natasha olhou para o telefone, confusa. Não tranque a porta ainda? Ela bufou, jogando o celular no sofá. James e seus mistérios. Ela se levantou e foi até a cozinha preparar um chá. A casa parecia enorme e vazia. A solidão, que geralmente era sua armadura, hoje parecia um peso. Ela olhou para o próprio reflexo na janela escura. Uma bruxa. Uma mãe. Uma mulher sozinha no dia do seu aniversário, prestes a enviar um garoto para enfrentar um dragão. Talvez ela devesse apenas ir dormir e esquecer que o dia existiu.

Foi então que ela ouviu. Não foi uma batida. Foi o som de muitos pés tentando — e falhando — em serem silenciosos no cascalho lá fora. — Shhh! Hagrid, você está pisando no meu pé! — Um sussurro indignado que parecia muito com o de Hermione. — Desculpe, Hermione, é que tá escuro e esse bolo tá escorregando...Aluado, abre a porta com magia, anda logo! — A voz inconfundível de Sirius.

Daughter of No OneHistórias para pegar e não largar. Descubra agora