Capitulo 115

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Cobertura de Londres. 20 de Novembro. 19:45.

A tempestade lá fora transformava Londres num borrão cinza e úmido, mas a cozinha da cobertura era um refúgio de luz dourada e aromas quentes. Cheirava a guanciale fritando, pimenta-do-reino e queijo Pecorino.

James Barnes estava no comando do fogão. Havia algo hipnótico em vê-lo cozinhar. A precisão militar aplicada à culinária. Ele vestia uma calça de moletom cinza, baixa na cintura, e uma blusa térmica preta de manga comprida. O tecido era fino e justo o suficiente para mapear a musculatura das costas e dos ombros cada vez que ele movia o braço para ralar o queijo ou agitar a frigideira. Ele tinha puxado as mangas para cima, expondo o antebraço de carne e o de vibranium, o metal brilhando sob as luzes embutidas.

Natasha estava encostada no batente da porta, observando-o em silêncio por um minuto inteiro. Ela usava um conjunto similar: calça de moletom preta e uma blusa cinza de manga comprida que aderia ao corpo como uma segunda pele, desenhando a curva da cintura e dos seios. Ela gostava de vê-lo assim. Doméstico. Competente. Mas, acima de tudo, vivo.

Ela se aproximou devagar, os pés descalços silenciosos no piso aquecido. Enquanto James baixava o fogo para emulsionar o molho, Natasha deslizou para trás dele. Ela não o tocou imediatamente. Ela parou a centímetros das costas dele, sentindo o calor que emanava do corpo dele. Então, ela passou os braços ao redor da cintura dele.

As mãos dela espalmaram sobre o abdômen firme dele, sentindo os músculos contraírem sob o toque repentino. Ela encostou a bochecha nas costas largas, fechando os olhos. James soltou o ar devagar. A tensão nos ombros dele — aquela vigilância constante do Soldado — derreteu. Ele inclinou a cabeça para trás, roçando-a no topo da cabeça dela.

— Cheiro bom — ela murmurou, a vibração da voz dela passando para a coluna dele.

— Carbonara — ele respondeu, a voz grave, cobrindo as mãos dela com a mão esquerda (a de carne), entrelaçando os dedos. — Fica pronto em cinco minutos. Só falta a massa chegar no ponto.

Ele não se afastou. Ele gostava do peso dela ali. Era a âncora dele. — Eu estava pensando... — ele começou, mantendo o tom casual, mas o polegar acariciando a mão dela revelava a ansiedade. — A Emma disse alguma coisa sobre o Natal? Ela vem para casa ou vai querer ficar no castelo com os amigos?

Natasha sorriu contra as costas dele. Ela soltou a cintura dele e subiu as mãos devagar pelo peito dele, sentindo a batida forte do coração sob a palma da mão. — Engraçado você perguntar. Chegou uma carta hoje.

— E? — James parou de mexer a panela.

— Ela não vem para cá — Natasha disse, sentindo o corpo dele travar sob suas mãos.

Antes que a decepção pudesse se instalar, ela continuou, sussurrando perto do ouvido dele: — Porque nós não vamos ficar aqui também. — A Molly Weasley mandou um convite oficial. Natal n'A Toca. Para Harry, Emma, eu... e você.

James girou nos braços dela. O movimento foi fluido, mas carregado de surpresa. Ele ficou de frente para ela, prendendo-a levemente entre o corpo dele e a ilha da cozinha. Ele a olhou nos olhos, procurando a pegadinha. — A Toca? A família Weasley convidou... a nós? O Soldado Invernal e a Viúva Negra?

— Eles convidaram o James e a Natasha — ela corrigiu, subindo as mãos para os ombros dele, brincando com a gola da blusa térmica. — A Molly disse que quer conhecer o homem que faz um ragu melhor que o dela. Aparentemente, você foi aprovado pela família, Barnes.

James piscou. Um sorriso lento, incrédulo e desarmado quebrou a expressão séria dele. Aquele sorriso raro que fazia os olhos dele enrugarem nos cantos. — Uau... — ele sussurrou. — Família. De verdade.

Daughter of No OneHistórias para pegar e não largar. Descubra agora