Capítulo154

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Chalé do Guardião do Norte. Sábado de Manhã.

A luz da manhã entrava pelas janelas grandes do chalé, iluminando a poeira que dançava no ar enquanto a mudança acontecia a todo vapor. A casa, que ontem parecia um cenário vazio, agora começava a ganhar vida. Caixas de papelão trazidas magicamente da Toca (e algumas via correio trouxa urgente) estavam empilhadas na sala.

Na cozinha, o cheiro de café forte — o tipo que Natasha gostava, capaz de acordar um morto — competia com o aroma de madeira antiga e cera. Natasha estava no comando, vestindo uma calça legging preta e uma camiseta larga de banda (uma das poucas peças de roupa "civis" relaxadas que ela trouxe), com o cabelo preso num coque bagunçado.

— Cuidado com esse batente, Hagrid! — Natasha avisou, segurando sua caneca.

Rubeus Hagrid entrou na sala carregando um sofá de couro de três lugares. Ele o carregava sozinho, com uma facilidade desconcertante, como se fosse uma almofada de penas. — Não se preocupe, Nat! — Hagrid respondeu alegremente. — Onde você quer isso? Perto da lareira?

— Isso, na diagonal. Obrigada, Hagrid.

Atrás dele, Harry e Ron entravam carregando caixas menores e vassouras. Eles pareciam suados, mas felizes por estarem longe da supervisão de Molly Weasley por algumas horas. — O Hagrid faz a gente se sentir muito fraco — Ron comentou, ofegante, soltando uma caixa de livros no chão. — Ele carregou a geladeira nas costas na subida da colina. Nas costas!

— É sangue de gigante, Ron — Harry riu, limpando os óculos. — Não tente competir.

Hagrid colocou o sofá no lugar com um baque suave e aceitou a xícara de café que Natasha lhe ofereceu. Nas mãos dele, a caneca normal parecia um dedal de costura. — Ah, obrigado. Nada melhor que um café trouxa pra começar o dia. Os duendes de Gringotes fazem um café que parece graxa de sapato.

Natasha sorriu, encostada na ilha da cozinha. Ela parecia calma, eficiente. Ninguém ali, exceto talvez um observador muito atento, notaria a sombra em seus olhos ou a maneira como ela acariciava distraidamente o braço esquerdo, onde o chip zumbia.

Andar de Cima. Quarto de Emma.

Enquanto a força bruta (e mágica) resolvia o andar de baixo, o andar de cima era território feminino. O quarto de Emma já estava tomando forma. O malão de Hogwarts estava aberto aos pés da cama de dossel. Pilhas de vestes, calças jeans e livros de feitiços cobriam o tapete felpudo.

Emma estava dobrando camisetas com uma lentidão melancólica. Ela parava a cada peça, olhava para a janela, suspirava, e voltava a dobrar. Hermione Granger, que estava organizando a estante de livros de Emma por ordem alfabética e depois por assunto (porque ela não conseguia evitar), parou com um exemplar de Teoria da Magia Defensiva na mão.

Ela observou a amiga. Emma não estava com a energia vibrante de ontem. Ela parecia... murcha. — Ok — Hermione disse, fechando o livro com um estalo seco. — Desembucha.

Emma pulou de susto, derrubando uma camiseta do Capitão América. — O quê?

— Você está suspirando a cada trinta segundos. Você tem o quarto mais legal de toda a escola, sua mãe está lá embaixo sendo incrível, e o Hagrid trouxe biscoitos. — Hermione cruzou os braços, sentando-se na beirada da cama. — O que está acontecendo? É o Harry? O Ron falou alguma besteira?

Emma sentou-se no chão, abraçando os joelhos. Ela olhou para a porta fechada para garantir que ninguém estava ouvindo. — Não é o Harry. É a minha mãe. E o James.

Hermione franziu a testa, preocupada. — Aconteceu alguma coisa com eles?

— Eu ouvi... — Emma começou, a voz embargada. — Ontem à noite, na Toca. A mãe recebeu uma ligação dele. Ela foi para o pomar, mas eu fui atrás. Eu ouvi a briga.

Daughter of No OneOnde histórias criam vida. Descubra agora