O quarto estava imerso naquele silêncio pesado e confortável que só existe depois de uma tempestade. Os lençóis de seda estavam embolados no pé da cama, vítimas da batalha que tinha acabado de acontecer. O ar ainda cheirava a sexo, suor e reconciliação.
James Barnes estava deitado de bruços, o rosto enterrado no travesseiro, os músculos das costas relaxados pela primeira vez em semanas. O braço de metal brilhava sob a luz fraca do abajur, mas foi no ombro de carne que a atenção de Natasha se fixou.
Ela estava debruçada sobre ele, o cabelo ruivo caindo como uma cortina sobre as costas largas do soldado. Com a ponta dos dedos, ela traçou as linhas vermelhas que as unhas dela tinham deixado na pele dele. Eram quatro trilhas paralelas, ardentes, marcando a omoplata direita. Em alguns pontos, pequenas gotas de sangue brotavam, rubis minúsculos na pele pálida.
Natasha soltou uma risada baixa, rouca e satisfeita. — Acho que você vai precisar de um curativo, Soldado — ela sussurrou.
Ela abaixou a cabeça e pressionou os lábios suavemente sobre o arranhão mais profundo. Beijou o sangue, beijou a pele machucada, reivindicando a marca. — Desculpe... — ela murmurou contra a pele dele, sem realmente sentir muito. — Me empolguei.
Bucky grunhiu, sentindo o ardor misturado com o toque macio da boca dela. — Você é uma selvagem, Romanoff.
Em um movimento rápido, ele girou o corpo. O braço de carne envolveu a cintura dela e a puxou para baixo. — Agora é minha vez de me vingar.
Antes que Natasha pudesse protestar, os dedos dele encontraram as costelas dela. — Não! James, não! — ela gritou, rindo, tentando se contorcer para longe.
Ele fez cócegas nela. Sem piedade. A risada de Natasha preencheu o quarto, genuína, infantil, livre. Ela se debatia, chutava o ar, até que ele parou, segurando o rosto dela com as duas mãos e a beijando. Não foi um beijo de fome como o do corredor. Foi um beijo lento. Doce. Um beijo de "eu estou aqui e não vou a lugar nenhum".
Ele separou os lábios, mas manteve as testas coladas. Ele olhou nos olhos verdes dela, que agora brilhavam sem nenhuma frieza. A expressão de brincadeira no rosto de Bucky suavizou, dando lugar a uma seriedade dolorosa.
— Me desculpa — ele sussurrou.
Natasha abriu a boca para falar, mas ele colocou o polegar nos lábios dela. — Deixa eu falar, Nat. Por favor. Ele respirou fundo, como se o peso do mundo estivesse saindo de seus pulmões. — Me desculpa por ter sufocado você. Eu... Ele fechou os olhos por um segundo, buscando as palavras certas. — Quando eu vi você naquela cadeira... quando eu te vi machucada... algo quebrou em mim. O medo de te perder foi tão grande que me cegou. — Eu esqueci quem você era. Eu esqueci que você é a Viúva Negra. Eu esqueci que você sobreviveu a coisas piores do que eu.
Ele abriu os olhos, azuis e sinceros. — Eu tinha tanto medo de perder você para a morte, que acabei perdendo você para a vida. Eu te tratei como vidro porque eu não queria ver você sangrar de novo. Mas eu não percebi que, ao fazer isso, eu estava te matando por dentro.
Natasha sentiu uma lágrima escorrer pelo canto do olho. Ela levou a mão ao rosto dele, acariciando a barba por fazer que arranhava sua palma. — Eu fui difícil, James — ela admitiu, a voz embargada. — Eu sei que fui. Eu fui fria. Eu fui cruel no escritório. — Me desculpa por ter te afastado. Por ter te provocado daquele jeito.
Ela suspirou, traçando o contorno dos lábios dele com o polegar. — Mas eu precisava que você visse. — Doeu, Bucky. — A confissão saiu num sussurro. — Doeu ver você me olhando sem desejo. Doeu ver você me olhando com pena. Eu me sentia... defeituosa. Como se o Dreykov tivesse levado a mulher que você amava e deixado apenas uma casca quebrada.
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Daughter of No One
FanfictionHarry e Emma Potter cresceram acreditando que eram normais, insignificantes e indesejados pelos tios que os criaram. Sob a escada da Rua dos Alfeneiros, n.º 4, eles dividiam o escuro, a fome e o silêncio, sem saber que seus nomes eram lendas em um m...
