Suíte Principal da Cobertura. Quarta-feira, 11:45.
A dor mudou de patamar. Deixou de ser apenas uma sensação elétrica nos nervos para se tornar uma rejeição sistêmica violenta. O centro de equilíbrio de Natasha, localizado no ouvido interno — exatamente onde o vibranium estava se fundindo —, entrou em colapso total. O mundo dela não apenas girava; ele capotava.
— Jaaaaames... — O gemido dela foi cortado por um som gorgolejante horrível.
Natasha se inclinou para fora da cama, o corpo convulsionando. Não havia nada no estômago dela além de água e bile, mas o reflexo de vômito era implacável. Ela vomitou no balde que James segurava. O som era áspero, doloroso, rasgando uma garganta que já estava em carne viva de tanto gemer.
O esforço físico do vômito fez a pressão no crânio disparar. — AAAAAHHH! — Ela gritou entre os espasmos, as mãos agarrando a própria cabeça como se quisesse esmagá-la para fazer a dor parar. — DÓI! MINHA CABEÇA! TIRA! TIRA!
Emma, que estava no canto do quarto preparando mais uma toalha, travou, os olhos enchendo de lágrimas de terror ao ver a mãe naquele estado degradante e agonizante.
James olhou para a filha. O rosto dele estava contorcido, dividido entre o cuidado com a esposa e a proteção da menina. — Emma, saia — James ordenou, a voz rouca, mas firme.
— Mas eu... — Emma tentou protestar, a voz trêmula.
— Agora, Emma! — James gritou pela primeira vez, não por raiva, mas por desespero. — Ela não quer que você a veja assim! Vá para a sala com o Harry! Feche a porta!
Natasha continuava a vomitar e chorar ao mesmo tempo, um quadro de miséria humana absoluta. Emma soltou a toalha na bacia, deu uma última olhada na mãe — que tremia violentamente, pálida como cera — e correu para fora do quarto, soluçando.
Assim que a porta se fechou, James jogou o balde de lado e puxou Natasha para o colo dele na cama, segurando os braços dela para que ela não se arranhasse. — Shhh... shhh... passou, o espasmo passou... — ele mentia, balançando-a enquanto ela enterrava o rosto no peito dele, gritando abafado, o corpo rígido como uma tábua. A tortura estava longe de acabar.
Sala de Estar. 11:50.
Emma saiu do corredor e desabou no sofá ao lado de Harry. Ela tremia dos pés à cabeça, abraçando uma almofada, o choro vindo em ondas. — É horrível, Harry... é horrível... — ela soluçava. — Ela tá gritando... ela tá vomitando de dor...
Harry abraçou a irmã de lado, pálido. Ele podia ouvir os gritos abafados através da porta de madeira maciça. Cada som era uma facada. A culpa o corroía. Ela está fazendo isso por mim. Por nós.
De repente, houve uma bicada urgente na porta de vidro da varanda. Não era Edwiges. Era uma coruja das torres, pequena e ágil, que parecia exausta por ter voado contra o vento forte de Londres numa velocidade suicida.
Harry pulou do sofá. — É da Toca!
Ele abriu a porta. A coruja entrou voando baixo, largou uma carta vermelha (não um Berrador, apenas o envelope vermelho urgente dos Weasley) na mesa de centro e pousou no lustre, ofegante.
Harry rasgou o envelope. Emma se inclinou para ler junto, limpando as lágrimas. A letra de Molly Weasley era apressada, manchada de tinta, escrita com a fúria de uma mãe em missão.
"Harry, querido,
Recebi sua carta. Edwiges chegou exausta. Não sei que tipo de magia ou ciência a Natasha usou, mas dor nos nervos cranianos é algo que conhecemos. O Arthur já lidou com maldições de tortura residual no Ministério. Eu tenho poções. Tenho unguento de Murtisco concentrado e uma Poção da Paz reforçada que o Snape deixou estocada na sede (não pergunte). Mas não posso ir de vassoura. Demoraria horas e a chuva está forte. Aparatar aí é impossível com as proteções que o James colocou. Preciso usar a Rede de Flu. Agora. Mas a lareira de vocês está bloqueada. Tentei conectar a da Toca e fui repelida por uma barreira mágica e... eletrônica? Preciso do código de acesso exato e das coordenadas para a 'ponte' de Flu. Me mandem agora. Estou com o pó na mão.
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Daughter of No One
FanfictionHarry e Emma Potter cresceram acreditando que eram normais, insignificantes e indesejados pelos tios que os criaram. Sob a escada da Rua dos Alfeneiros, n.º 4, eles dividiam o escuro, a fome e o silêncio, sem saber que seus nomes eram lendas em um m...
