Edifício Triskelion. Sala de Conferências Reservada. 01:15 da Manhã.
A adrenalina da luta no apartamento tinha desaparecido, deixando para trás apenas a dor lancinante nas costelas e o latejar surdo no pescoço. Maria Hill, com sua eficiência habitual e sem fazer perguntas, tinha limpado os ferimentos de Natasha e lhe dado dois analgésicos de nível militar.
— Espere o Fury aqui — disse Hill. — Ele está a caminho.
Natasha sentou-se na poltrona de couro cara, no escuro. Ela só ia fechar os olhos por um segundo. Apenas para descansar a vista.
Mas os remédios puxaram sua consciência para baixo, como uma âncora num mar de águas escuras. E lá no fundo, a Sala Vermelha a esperava.
O Sonho.
Não havia sangue ou armas. Havia apenas música clássica, espelhos do chão ao teto e o cheiro de resina e suor.
Natalia estava no centro da sala de dança, vestindo o collant preto e sapatilhas de ponta. Ela executava um arabesque perfeito, a perna estendida, o queixo erguido, os músculos tremendo de esforço.
Ao redor, outras viúvas em treinamento observavam em silêncio mortal. A Madame B. observava.
E ele observava.
James caminhava entre as fileiras de bailarinas. Ele não usava o uniforme tático, mas uma roupa preta justa que destacava sua largura. O braço de metal estava exposto. Ele era o instrutor de combate, mas ali, ele era o juiz da perfeição física.
Ele parou atrás de Natalia.
Ela não o viu, mas sentiu. O ar ficou elétrico. Os pelos de sua nuca se arrepiaram.
— Nizhe — sussurrou ele, a voz rouca perto do ouvido dela. Mais baixo.
Ele não estava falando do movimento.
James colocou a mão humana no abdômen dela, "corrigindo" a postura. A mão de metal deslizou pelas costas dela, traçando a coluna vertebral com uma lentidão torturante, parando na base da cintura.
Era um toque técnico para quem olhava de fora. Um treinador ajustando uma aluna.
Mas para Natalia, era posse.
Os dedos de metal apertaram a cintura dela com força suficiente para deixar marcas, mas não para quebrar. O polegar de carne e osso roçou a pele nua de suas costas onde o collant terminava.
Natalia prendeu a respiração, o coração batendo descompassado contra as costelas, lutando para manter a expressão neutra e fria. Se ela corasse, se ela gemesse, se ela demonstrasse qualquer fraqueza... eles seriam descobertos. E mortos.
James sabia disso. E ele adorava brincar com esse perigo.
Ele pressionou o corpo rígido dele contra as costas dela, aproveitando a desculpa da correção.
— Respire, Romanova — provocou ele, tão baixo que só ela ouviu. — Você está tensa. Relaxe para mim.
A mão de metal subiu, roçando a lateral do seio dela antes de se firmar no ombro para "baixá-lo". O toque a deixou sem fôlego, uma mistura vertiginosa de medo e excitação. Ela queria se virar e beijá-lo. Ela queria fugir.
— Perfeita — sussurrou ele, mordiscando o ar perto do lóbulo da orelha dela.
O Despertar.
Natasha acordou num solavanco violento, puxando o ar como se estivesse se afogando.
Sua mão direita voou para o coldre na perna, sacando a Glock antes mesmo de seus olhos se adaptarem à penumbra da sala de conferências.
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Daughter of No One
FanfictionHarry e Emma Potter cresceram acreditando que eram normais, insignificantes e indesejados pelos tios que os criaram. Sob a escada da Rua dos Alfeneiros, n.º 4, eles dividiam o escuro, a fome e o silêncio, sem saber que seus nomes eram lendas em um m...
