Capítulo 130

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Sede do MI6. Londres. Nível Subterrâneo - Setor de Contenção Biológica. Dia 1.

A sala não era uma cela de prisão comum. Era conhecida como "A Caixa". Paredes de vidro blindado com dez centímetros de espessura, sistema de filtragem de ar independente, travas magnéticas que só abriam com a retina de M e Q. Lá dentro, o ambiente era estéril, frio e silencioso, exceto pelo bip-bip-bip rítmico do monitor cardíaco.

Natasha Romanoff estava deitada em uma maca hospitalar no centro da sala. Ela parecia pequena. Sem o traje tático, vestindo apenas uma camisola hospitalar azul clara, ela parecia frágil. Os hematomas roxos e amarelados cobriam seus braços e pescoço. O ombro enfaixado, onde a bala de Dreykov a atingira, estava imóvel. Vários tubos transparentes saíam de seus braços, bombardeando seu sistema com soro fisiológico, nutrientes e, principalmente, sedativos pesados.

Do lado de fora do vidro, a "família" observava. Bucky estava encostado na parede oposta, os braços cruzados, o rosto uma máscara de exaustão e dor. Ele não tirava os olhos dela. Yelena estava com as mãos espalmadas no vidro, deixando o hálito embaçar a superfície, como se tentasse chegar até a irmã. M e Q estavam analisando os dados em um tablet.

— Ela vai acordar? — Yelena perguntou, a voz baixa, sem se virar.

Q ajeitou os óculos, parecendo desconfortável em dar o diagnóstico. — Fisicamente? Sim. As queimaduras elétricas foram severas, mas não atingiram órgãos vitais. O ombro vai cicatrizar. Q hesitou, olhando para M antes de continuar. — Mas neurologicamente... é um campo de batalha. — Eu tive que induzir um coma químico. Ela vai dormir por pelo menos setenta e duas horas. O cérebro dela precisa desse tempo para desinchar e processar o trauma do choque elétrico maciço.

Bucky desencostou da parede e se aproximou do vidro, ficando ao lado de Yelena. — Ela não tem o soro, Q — Bucky lembrou, a voz rouca. — Ela não se cura como eu ou o Steve. O corpo dela é humano. Ela aguentou cargas que matariam um elefante.

— Exatamente — M interveio, a voz grave e autoritária. — O que torna a sobrevivência dela um milagre médico. E um pesadelo de segurança.

M se virou para encarar os dois agentes. — Vocês entendem a gravidade da situação. A mulher naquela cama não é a Diretora Romanoff. — De acordo com os testes cognitivos preliminares que fizemos no jato... ela não sabe quem é James Bond. Ela não sabe quem sou eu.

Bucky fechou os olhos, sentindo a facada no peito novamente. — Ela não sabe quem nós somos — ele corrigiu, apontando para si mesmo e para Yelena. — Eu vi nos olhos dela, Mallory. Quando a adrenalina baixou... ela olhou para mim como se eu fosse um estranho. Ela olhou para a própria irmã e viu apenas uma civil.

Yelena abaixou a cabeça, segurando o choro. — Dreykov cumpriu a promessa. Ele limpou tudo. Ele deixou apenas a casca. A assassina. O soldado perfeito.

— Não tudo — Bucky disse, abrindo os olhos e olhando fixamente para a figura adormecida. — Sobrou uma coisa.

Q assentiu, puxando um gráfico no tablet. — É a anomalia que não conseguimos explicar. Durante o delírio no transporte, enquanto a sedávamos, ela repetia um nome. A atividade no lobo frontal dela, na área ligada à emoção profunda, acendia como uma árvore de natal apenas com esse nome.

— Emma — Bucky sussurrou.

— Sim — Q confirmou. — Mas aqui está o problema: ela lembra do nome. Ela sabe que a palavra "Emma" significa "proteger". Ela sabe que sente um amor avassalador por essa "Emma". — Mas quando perguntei quem era Emma... se era filha, mãe, amiga... ela não sabia responder.

Yelena virou-se, confusa. — Como isso é possível? Como ela pode amar alguém que ela não lembra quem é? — Ela esqueceu de mim. Esqueceu do Bucky, com quem ela dorme toda noite. Mas lembra da garota?

Daughter of No OneHistórias para pegar e não largar. Descubra agora